2012 – O ano em retrospectiva

Quando nos aproximamos o final do ano verificamos que 2012 foi um ano em que muito aconteceu na economia e na política, mas pouco mudou. Houve uma campanha feroz nas eleições presidenciais nos Estados Unidos e depois tudo ficou como antes. China instalou um novo corpo governamental e ainda é difícil identificar a diferença entre a nova administração e a velha. Quase todos os dias ao longo 2012 a crise da dívida europeia apareceu nas noticias, mas hoje, no final do ano, a situação nem é melhor nem pior do que no início do ano. Da mesma forma, a situação da dívida dos Estados Unidos é tão grave como no início de 2012, sem muita melhora da economia ao longo do ano. Todo se posiciona, assim parece, para grandes mudanças em 2013.

Crescimento econômico

O ano passado mostrou que há poucos fatores ativos para esperarmos obter taxas de crescimento muito maiores do que as experimentamos nos anos anteriores. Talvez a economia mundial encontra-se em uma "Grande Estagnação". Em 2012, as estatísticas de cada trimestre assinalaram que o resto do mundo estava seguindo o Japão, que entrou em crise já no início de 1990 e tem estado desde então em estagnação econômica, apesar de um afrouxamento monetário feroz e uma avalanche dos gastos do governo. Porém, as lições da experiência japonesa ainda não foram aprendidas. A principal lição da longa estagnação do Japão é que as políticas macroeconômicas convencionais são inúteis. Eles fazem mais mal do que bem. Enquanto os programas de estímulo macroeconômico não funcionam eles deixam para trás uma montanha de dívida pública por causa dos gastos públicos e um estrago do sistema financeiro devido à política de extremamente baixas taxas de juros. Como consequência, aceitar o crescimento baixo da economia e adaptar a política economia ao este fato é melhor que tentar lutar contra o que não se pode mudar por enquanto.

A inflação dos preços

O mundo está se afogando em liquidez criada pelo banco central, mas um aumento equivalente do aumento dos preços ainda não aconteceu. A maioria do dinheiro recém-criado está passiva. Bancos comerciais utilizam suas reservas em liquidez como uma almofada, enquanto as empresas acumulam dinheiro em parte porque eles sentem a necessidade de proteção contra os riscos potenciais e em parte porque os gerentes sentem que não há projetos lucrativos para investir. O nível de preços mundial também permaneceu relativamente estável por causa da concorrência internacional. Se permanecermos na "Grande Estagnação" haverá uma barreira contra a subida dos preços. O nível de preços pode aumentar apenas quando a fase de estagnação passar, quando maior crescimento econômico poderá acontecer. Quanto aos preços, vivemos uma situação paradoxal, já que o caminho para sair da estagnação provavelmente será acompanhado por um nível de preços que cresce fortemente, o que por sua vez significa que a recuperação seria de curta duração.

Emprego

A taxa de desemprego oficial nos Estados Unidos caiu não tanto por causa de uma aceleração da atividade econômica, mas pelo crescimento da parcela de pessoas desanimadas para buscar um novo emprego. Embora a estatística oficial indique um decréscimo da taxa, a medida mais ampla mostra um aumento do já elevado nível de desemprego (ver tabela 1)

Tabela 1

Taxas de desemprego dos EUA

A situação com o emprego é ainda mais sombria na Europa, em particular na Grécia, em Portugal e na Espanha. Embora a situação econômica em geral esteja melhor na Itália ou na França, o desemprego nesses países aumentou -- sobre o seu já elevado nível. Estes níveis persistentes de desemprego representam um enorme fardo sobre as finanças públicas, que ficam espremidas com o aumento das despesas sociais enquanto a receita orçamental cai.

Comércio exterior

Embora muitas partes da economia mundial estejam em crise, o comércio internacional manteve-se ativo durante o ano passado. Parece que o processo de especialização deverá continuar na escala global. Todos os velhos problemas permanecem e o ano de 2012 trouxe poucas soluções para os problemas fundamentais do comércio internacional. Os enormes desequilíbrios nos balanços de pagamento não desapareceram. Os EUA ainda estão com um déficit comercial gigantesco, o que significa que o país depende de recursos externos para o seu financiamento. A contrapartida para os Estados Unidos é a China que registra superávits comerciais persistentes e por isso mesmo esta capaz de fornecer recursos a serem aplicados no exterior, principalmente em títulos do governo dos EUA. A China e o Japão formam os principais financiadores externos do déficit comercial americano. É difícil dizer por quanto tempo esse desequilíbrio poderá continuar. Teoricamente vai terminar esta simbiose quando a situação não for mais benéfica para ambos os lados. Este ponto está se aproximando. Os EUA se tornaram mais temerosos frente ao seu problema da dívida, enquanto a China deve considerar uma mudança de sua produção a partir de exportações para o mercado interno. Este processo demorará, mas parece que já estamos nos estágios iniciais dessa mudança que deverá continuar por muito tempo.

Dívida internacional

Poucos dias se passaram em 2012 sem alguma notícia anunciando o fim do euro, o desmembramento da União Europeia e o iminente colapso de suas economias. No entanto, nada deste tipo aconteceu. Grécia ainda é membro da zona do euro e seu último programa de compras de dívida foi realizado com sucesso. No fim do ano 2012, a taxa de câmbio do euro oscila bem acima de 1,30 contra o dólar americano.

Enquanto a Europa talvez esteja se acercando do fim da pior parte da crise da dívida, os EUA estão se movendo na direção do “abismo fiscal" e estão enfrentando novos rebaixamentos da qualidade de sua dívida pública. Os EUA evitaram implantar medidas de austeridade em parte porque 2012 foi um ano eleitoral. Isso significa que os Estados Unidos têm muito de fazer para alcançar finanças públicas mais sanas. Enquanto os debates políticos se concentram no problema como evitar o abismo fiscal, uma queda abaixo do abismo fiscal pode ser melhor que continuar com o jeito do passado. O iminente abismo fiscal é a chance para que governo e Congresso americano resolvam o problema da dívida pública com a necessária urgência e seriedade.

Perspectiva para os países industrializados

2013 promete ser um ano interessante - o que significa que, provavelmente para a maioria das pessoas, não será um período muito agradável. Uma notícia aparentemente boa como um aumento mais notável da atividade econômica pode facilmente incendiar a inflação o que por sua vez significa que a recuperação viria a ser insustentável. O desemprego em massa vai continuar nos EUA e na Europa e representar um fardo pesado para as finanças públicas. A crise da dívida europeia ainda não acabou, enquanto a fase quente da crise da dívida dos EUA está começando. Há poucas indicações de que o Japão poderá sair da sua longa estagnação.

Perspectivas para os BRICs

O crescimento do Brasil afundou em 2012 e a perspectiva para 2013 não é muito brilhante. O mesmo vale para a Rússia. Índia tem grande potencial para crescer, mas enfrenta muitos obstáculos sociais para se tornar uma economia forte. As taxas de crescimento da China vão se tornar menores no futuro. A economia e a política do mundo são cheias de tensões que estão prontas que entrarem em erupção. Enquanto 2012 foi um ano em que muitas coisas aconteceram, mas pouco mudou, o ano 2013 pode ser o ano em que alguns eventos importantes produzirão mudanças profundas.

Conclusão

O mundo encontra-se numa encruzilhada. Em vez de continuar aplicando as velhas receitas de mais gastos públicos e afrouxamento monetário, os governos precisam adaptar seus gastos ao crescimento econômico baixo que poderá durar por muito tempo. O grande desafio encontra-se na mudança da mentalidade, no insight que o ativismo agreste já causou mais dos problemas do que resolveu e que atualmente as consequências destas políticas de estímulo e intervencionismo estão ainda piores. Enquanto 2012 foi um ano quando muito aconteceu e pouco mudou, o desafio para 2013 será evitar os erros do passado e desmontar o estado intervencionista de bem-estar.