9 de julho, feriado nacional

Sp

Não é só questão de inveja dos amigos paulistas (que este ano desfrutam de mais um feriadão), mas o 9 de julho é um dia mais merecedor de um feriado nacional do que muitos dos que temos por aí. Em SP relembra-se hoje a Revolução Constitucionalista que, apesar de motivada em boa parte pelo ranço de uma elite política recém despojada do poder, buscou por fim ao período de exceção e arbitrariedade política que se seguiu ao Golpe/Revolução (a linha é sempre tênue) de 1930.

Os paulistas foram derrotados militarmente (como era de se esperar, dada a acentuada assimetria de forças), mas conseguiram com que Getúlio Vargas aceitasse a formação de uma Assembleia Constituinte. O resultado foi a Constituição de 1934 (influenciada por outras constituições, como a mexicana e a alemã, ambas em via de falência). 

Com ela vieram limitações aos poderes presidenciais, que infelizmente duraram pouco. Promulgada em 15 de julho de 1934, a Constituição de 1934 vigiu somente até o dia 10 de novembro de 1937, quando Getúlio Vargas promoveu um auto-golpe e instaurou o Estado-Novo, período negro para o exercício das liberdades individuais no Brasil.

A derrota dos paulistas - que depois acabou significando uma vitória, com a constituinte, logo seguida de derrota com o golpe do Estado Novo - demonstra o quão frágeis são as conquistas no campo da política quando não amparadas por ideias e princípios que sejam minimamente aceitos pela sociedade. O Brasil rural, analfabeto e com dificuldades de comunicação e trânsito entre pontos de um território continental, era um prato cheio para que as elites políticas fizessem o que bem entendessem e até implantassem ditaduras sob alegações claramente fantasiosas.

Hoje, felizmente, não precisamos mais pegar em armas para mudar o país. Mas o embate de ideias está aí. E aqueles que acreditam na liberdade não podem dele se eximir. 

Que o dia de hoje e a memória dos mais de 2.000 paulistas e 200 gaúchos que pereceram no conflito sirvam para nos lembrar que a liberdade não vem de graça e demanda nossa eterna vigilância. E geralmente mais do que isso. Afinal, como afirmou o ex-presidente americano Ronald Reagan:

"A liberdade nunca se encontra mais do que uma geração longe da extinção. Nós não a passamos para os nossos filhos pelo nosso sangue. É preciso que lutemos por ela, que a protejamos e lhes entreguemos para que façam o mesmo por ela."