A agricultura "sustentável"; não é bem assim

O cientista político Robert Paarlberg está com um ótimo artigo na Foreign Policy apontando que "orgânico, local e lenta [do inglês 'slow'] não é a receita para salvar os milhões de famintos do mundo". Aqui está um gostinho:

"Na Europa e nos Estados Unidos, emergiu uma nova linha de pensamento em círculos da elite, opondo-se a trazer fertilizantes e sementes melhoradas para agricultores tradicionais e a ligar esses fazendeiros mais intimamente aos mercados internacionais. Escritores da área de gastronomia e donos de restaurantes famosos vêm repetindo o mantra de que a "comida sustentável" no futuro deve ser orgânica, local e "lenta". Mas adivinhe só: a África rural já tem esse sistema, e ele não funciona. Uns poucos pequenos agricultores na África usam quaisquer produtos químicos sintéticos, então a comida é realmente orgânica. Os altos custos de transporte forçam-nos a comprar e vender quase toda a comida localmente. E a preparação da mesma é dolorosamente lenta. O resultado não é digno de comemoração: renda média no nível de US$1 dólar por dia e um terço de chance de ser malnutrido.

"Se vamos falar a sério sobre resolver o problema global da fome, temos que desromanticizar nossa visão da comida e da agricultura pré-industriais. E isso significa aprender a apreciar o sistema agrícola moderno, cheio de ciência e altamente capitalizado que desenvolvemos no Ocidente. Sem ele, nossa comida seria mais cara e menos segura. Em outras palavras, bem parecida com o que é no faminto resto do mundo."

Amém.

 

Publicado originalmente em Reason.com.