A América Latina reage contra Chávez

O Senado brasileiro protestou contra o atropelo de Chávez na liberdade de expressão. Até agora, esse corpo legislativo não concordou com o ingresso da Venezuela no Mercosul. O Senado paraguaio tampouco parece disposto a apoiar o pedido “bolivariano” de acesso ao organismo. O Mercosul tem, entre suas regras de adesão, uma “cláusula democrática, e o governo venezuelano não cumpre seus requisitos. Os senadores suspeitam das intenções do “socialismo do século XXI” e temem que o presidente Fernando Lugo, amigo de Chávez, esteja tentando arrastá-los nessa direção.

A reação contra o chavismo, ainda que demorada e débil, era previsível. A vocação imperial de Chávez e suas ingerências são demasiado estridentes e oportunistas. Chávez concede a cada aliado aquilo de que necessita. Aos candidatos de sua vasta família política, dá dinheiro e assessoria para ganhar eleições, e logo, para manter-se no poder, comprando mandatos. A maleta repleta de petrodólares destinada aos Kirchner, essa flor de casal, descoberta em Buenos Aires, era apenas uma pequena amostra. Às narcoguerrilhas colombianas Chávez oferece abrigo, armas e dinheiro, para sangrar o país vizinho, e o odiado governo de Uribe.

Aos terroristas do Hamas e do Hezbollah e a Khadafi, Chávez corteja com uma permanente campanha antissemita e anti-israelense. Em Jerusalém, ninguém esquece que um dos primeiros atos de governo de Chávez foi o envio de uma carta solidária ao terrorista Carlos Illich Ramírez, o Chaval, preso na França por seus múltiplos atentados e assassinatos contra o Estado judeu. Ao Irã, além do antissemitismo, de acordo com as denúncias da oposição, logo confirmadas por Israel, Chávez entrega urânio para seu desenvolvimento armamentista, serve de ponto para a aquisição de equipamentos sofisticados que servem para uso bélico, e aos terroristas islâmicos dá passaportes venezuelanos que lhes permitem viajar com certas garantias de não ser detectados em suas atividades clandestinas.

Aos russos, Chávez suborna e satisfaz com a compra milionária de armas e aviões, convida a fazer manobras navais conjuntas, e disse que o país examinaria de bom grado sua presença militar, ou a instalação de uma base de escuta como a de Lourdes, que existiu durante muitos anos perto de Havana, e foi fechada em 2001 por Vladimir Putin, e com a qual Moscou espionava todas as comunicações americanas da costa atlântica. Aos chineses, mais pragmáticos, Chávez agrada vendendo petróleo a um preço preferencial, para que possam continuar crescendo 8% ou 10% por ano.

Não há a menor coerência moral ou ideológica no sistema chavista de alianças. Para Hugo Chávez, o indigenismo coletivista e autoritário de Evo Morales, o islamismo fanático de Ahmadinejad, a cleptocracia kirchnerista, o stalinismo decrépito dos irmãos Castro, o capitalismo mafioso da Rússia ou a versão selvagem e autoritária da China são todos a mesma coisa. Pouco lhe importa que seus aliados do Hamas e do Hezbollah dinamitem ônibus escolares ou instituições beneficentes, como ocorreu com a AMIA em Buenos Aires, nem se sequestram cidadãos indefesos, extorquem e traficam drogas, como as FARC. Tudo o que ele espera é que pratiquem alguma forma de antiamericanismo, deem respaldo político e diplomático a seu projeto de conquista planetária e sejam contrários ao mercado e às liberdades individuais.

Em seu colorido linguajar de quartel, Chávez se referiu a um de seus adversários, a quem obrigou a abandonar o país para não acabar preso, como “um louco com um canhão”. Na verdade, ele é que é o louco com um canhão, o qual dispara contra qualquer um que se mova, que o critique ou que o incomode. Em que terminará sua vertiginosa aventura? Obviamente, no desastre. Não se pode lutar em tantas frentes sem que em algum momento chegue a derrota. A reação dos senados do Brasil e do Paraguai é um símbolo.

Após esse artigo ter sido escrito, foi processado em Nova York o oficial de inteligência sírio Jamal Yousef, com passaporte venezuelano, acusado de tentar vender às FARC um impressionante arsenal, no qual havia 18 mísseis terra-ar para derrubar aviões. A transação incluía a troca de uma tonelada de cocaína. Yousef havia vivido na Venezuela sob o amparo do governo de Hugo Chávez e havia se mudado para Honduras na época do governo de Zelaya. O atual governo hondurenho o entregou às autoridades americanas por meio da Drug Enforcement Agency.