A Diplomacia brasileira na prática

Um pequeno relato pessoal de como a diplomacia brasileira tem funcionado às maravilhas depois do apoio ao Irã.

Tendo vivido na Europa de 2007 a 2009, esse o comentário mais comum dos europeus ligados às universidades ou think tanks ao saber que eu era brasileiro:

"O Brasil está se desenvolvendo bastante, não? O Lula parece ser um ótimo presidente e líder político".

Estando atualmente em Oxford, e depois da negociação entre Brasil, Turquia e Irã na área nuclear, os comentários mudaram radicalmente:

"Por que o Lula apoia o regime do Irã? O Lula não sabe a dimensão do perigo que isso representa?".

Leio na bastante didática página criada pelo G1 para saber a opinião dos futuros candidatos à presidência do Brasil resposta sobre o tema Relação com o Irã.

Dilma Roussef repete o discurso do atual governo do qual fez parte: acredita com a certeza dos insensatos que pode mesmo convencer o Irã a não fabricar um arsenal atômico assim que consiga desenvolver tecnologia para tal. Uso pacífico da energia nuclear pelo regime de Teerã? Isso não pode nem ser considerada uma brincadeira.

José Serra afirmou que não receberia o presidente do Irã, como Lula fez, mas que manteria relações comerciais. Quem desenvolve relações comerciais são indivíduos e empresas ou o governo? Serra disse que respeita a autodeterminação dos povos. Confunde um regime ditatorial islâmico com o povo iraniano. Boa parte desse povo já mostrou (e apanhou e foi morta por isso) que deseja o respeito às suas liberdades.

Marina Silva foi a mais direta: acusou o governo brasileiro de ser o único a servir aos interesses do presidente iraniano e que o desejo do Irã é construir a bomba atômica.

Alguns assuntos são inegociáveis. Ficar passivo ou, o que é pior, legitimar os planos de desenvolvimento de tecnologia nuclear de uma ditadura coloca o Brasil no mesmo patamar de desconfiança do Irã diante da comunidade internacional. Quem é que vai confiar no amigo do inimigo?