Biografia: Ayn Rand

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Ayn Rand, conhecida principalmente por seus romances filosóficos The Fountainhead (publicado em português com o título A nascente) e Atlas Shrugged (A Revolta de Atlas), fez mais do que qualquer outra pessoa para desenvolver um argumento moral convincente a favor do individualismo, da liberdade, e do livre mercado, e conquistou milhões de pessoas com a filosofia dos direitos naturais, que havia saído de moda mais de um século antes. Ela construiu uma visão ética, econômica e política coerente. Em uma pesquisa feita pela biblioteca do Congresso americano e o Book-of-the-Month Club (empresa de venda de livros por correspondência), A Revolta de Atlas foi escolhido o segundo livro que mais influenciou a vida das pessoas, perdendo apenas para a Bíblia. Rand escreveu muito mais – ficção e não-ficção. Aproximadamente 20 milhões de cópias de seus livros já foram vendidas, e novas coleções de suas obras e livros sobre ela continuam a ser lançados.

Nascida na Rússia, Rand falava inglês com um sotaque forte e não parecia totalmente à vontade sendo o centro das atenções, mas aproveitou ao máximo a fama. Apareceu na televisão com entrevistadores famosos como Mike Wallace e Phil Donahue, e a revista Playboy publicou uma entrevista com ela.

Rand explicava as coisas com uma clareza fora do comum. Escreveu, por exemplo: “Qual é o princípio básico, essencial, crucial, que diferencia a liberdade da escravidão? É o princípio da ação voluntária versus a coerção física ou por ameaças... A questão não é a escravidão por uma ‘boa’ causa versus a escravidão por uma causa ‘ruim’; a questão não é a ditadura de uma gangue ‘boa’ contra a ditadura de uma gangue ‘má’. A questão é liberdade versus ditadura... Se defendemos a liberdade, devemos defender os direitos individuais do homem; se defendemos os direitos individuais do homem, devemos defender seu direito à sua própria vida, à sua própria liberdade, e à busca de sua própria felicidade... Sem direitos de propriedade, nenhum outro direito é possível. Uma vez que o homem precisa sustentar sua vida através de seu próprio trabalho, o homem que não tem direito ao produto de seu trabalho não tem meios de sustentar sua vida.” E ela discordava dos defensores da liberdade que esperavam ganhar influência apenas com a economia de mercado: “A maioria das pessoas sabe, de uma forma vaga e incômoda, que há algo de errado com a teoria econômica marxista... A raiz da tragédia moderna é filosófica e moral. As pessoas não estão aderindo ao coletivismo porque aceitaram a má teoria econômica, elas estão aceitando a má teoria econômica porque aderiram ao coletivismo.”

É verdade que Rand perdia a paciência com aqueles que não conseguiam compreendê-la, e com compatriotas que se desviavam de suas opiniões. Talvez isso se devesse em parte ao fato de que ela havia passado muitos anos lutando para escapar da Rússia, estabelecer-se em Hollywood, superar rejeições de editoras e suportar críticas duras.

A biógrafa Barbara Branden descreveu Rand na época de sua chegada aos EUA, aos vinte e um anos: “Enquadrado por cabelo curto e liso, seu rosto quadrado tinha a forma enfatizada pela mandíbula firme, uma boca grande e sensual sempre tensa, e olhos enormes, negros e intensos. Parecia o rosto de uma mártir, uma inquisidora ou uma santa. Seus olhos tinham uma paixão simultaneamente emocional e intelectual – como se pudessem queimar quem os olhasse”. Ao longo da vida de Rand, o tabagismo e os hábitos sedentários tiveram suas consequências, mas ela ainda era inesquecível.

Rand nasceu em 5 de fevereiro de 1905, em São Petersburgo, com o nome Alissa Rosenbaum. Seu pai, Fronz Rosenbaum, havia emergido da pobreza para a classe média como farmacêutico. Sua mãe, Anna, era extrovertida e acreditava em exercícios físicos vigorosos e vida social intensa, mas Alissa não se interessava por nenhuma dessas coisas. Depois da escola, ela estudava francês e alemão em casa. Inspirada por uma série publicada em uma revista, ela começou a escrever histórias, e aos nove anos decidiu ser escritora.

A vida confortável dos Rosenbaum acabou quando o czar entrou na Primeira Guerra Mundial. A guerra devastou a economia da nação, e, em um período de um ano, mais de um milhão de russos foram mortos ou feridos. Os bolcheviques tomaram o poder.

A Revolução Russa inspirou Rosenbaum a criar histórias sobre indivíduos heróicos que combatiam reis ou ditadores comunistas. Também nesta época ela descobriu o romancista Victor Hugo, cujo estilo dramático e heróis grandiosos capturaram sua imaginação. “Fiquei fascinada com a visão da vida de Hugo”, ela lembrou. “Era alguém escrevendo algo de importante. Eu senti que este era o tipo de escritora que eu queria ser, mas eu não sabia quanto tempo isso levaria.”

Na Universidade de Petrogrado, ela teve aulas com o rígido filósofo aristotélico Nicholas Lossky, que, conforme demonstrou o pesquisador Chris Sciabarra, teve grande influência em seu pensamento. Ela leu peças de Friedrich Schiller (que amava) e William Shakespeare (que odiava), filosofia de Friedrich Nietzsche (pensador provocador) e romances de Fiódor Dostoiévsky (bons enredos). Filmes estrangeiros a cativavam. Teve seu primeiro romance com um homem chamado Leo, que arriscava sua vida para esconder membros da oposição clandestina aos Bolcheviques.

Em 1925, os Rosenbaum receberam uma carta de parentes que haviam emigrado para Chicago mais de três décadas antes, para escapar do anti-semitismo russo. Alissa queria desesperadamente conhecer os EUA, e os parentes concordaram em pagar sua passagem e se responsabilizar por ela. Milagrosamente, as autoridades soviéticas concederam-lhe um passaporte, para uma visita de seis meses. Em 10 de fevereiro de 1926, ela embarcou no navio De Grasse e chegou a Nova York com cinquenta dólares.

Alissa logo se juntou a seus parentes num apartamento apertado em Chicago. Ela assistia a muitos filmes e trabalhava com sua máquina de escrever, em geral começando por volta da meia-noite (o que dificultava o sono dos outros). Ela adotou um novo nome, Ayn (de uma escritora finlandesa que ela nunca tinha lido, mas ela gostava do som) e um novo sobrenome, Rand (de sua máquina de escrever Remington Rand). A biógrafa Branden diz que Rand pode ter mudado de nome para proteger sua família de possíveis represálias do regime soviético.

Determinada a se tornar roteirista de cinema, ela se mudou pra Los Angeles e trabalhou como figurante no estúdio de Cecil B. DeMille. E se apaixonou por um ator alto, bonito e de olhos azuis chamado Frank O’Connor. Eles se casaram em 15 de abril de 1929. Rand não tinha mais que se preocupar em voltar para a União Soviética, e pediu cidadania americana.

Quando o estúdio de DeMille fechou, Rand começou a fazer trabalhos temporários. Finalmente, em 1935, ela experimentou o sucesso pela primeira vez: sua peça Night of January 16th [Noite de 16 de janeiro], sobre um industrial cruel e uma poderosa mulher sendo julgada por seu assassinato, ficou em cartaz na Broadway por 283 performances. Em 1936, seu romance We the Living [Nós, os Vivos], sobre a luta pela liberdade na Rússia soviética, foi publicado. A editora Macmillan imprimiu três mil cópias, mas o livro não fez sucesso. A propaganda boca-a-boca levantou um pouco as vendas após mais ou menos um ano, mas a editora havia destruído as chapas, e o livro saiu de catálogo. Rand havia ganhado apenas US$ 100 em royalties.

Em 1937, enquanto se esforçava para resolver a trama de A Nascente, Rand escreveu um conto lírico e futurista, Anthem [Hino], sobre um indivíduo contra a tirania coletivista. Anthem é uma audaciosa afirmação de liberdade, que vai muito além de romances anti-totalitários mais famosos, como Admirável mundo novo (1932), de Aldous Huxley, O zero e o infinito (1941), de Arthur Koestler, e A Revolução dos Bichos (1945) e 1984 (1949), de George Orwell. Em Anthem, um homem redescobre a palavra “eu”. Ele explica: “Minha felicidade não é um meio para nenhum fim. Ela é o fim. Ela é seu próprio objetivo. Ela é seu próprio propósito. Tampouco eu sou um meio para qualquer fim que outros possam desejar realizar. Eu não sou um instrumento para seu uso. Eu não sou um servo de suas necessidades.” O agente literário de Rand vendeu a obra para uma editora britânica, mas não conseguiu encontrar quem o publicasse nos Estados Unidos. Cerca de sete anos mais tarde, o gerente geral da Câmara de Comércio de Los Angeles, Leonard Read, fez uma visita a Rand e O’Connor, que viviam em Nova York, e comentou que alguém deveria escrever um livro defendendo o individualismo. Rand falou sobre Anthem, e a pequena editora de Read, a Pamphleteers, lançou uma edição americana em 1946. Desde então, cerca de 2,5 milhões de cópias foram vendidas.

Rand havia terminado a trama de A Nascente em 1938, após quase quatro anos de trabalho, e começado a escrever. O herói, o arquiteto Howard Roark, expressava sua visão do homem ideal. Ele lutava contra os coletivistas ao seu redor para defender a integridade de suas ideias, mesmo que isso significasse dinamitar um prédio porque seu desenho foi alterado, em violação de seu contrato. Ele defendeu sua ação dizendo, em parte: “Os grandes criadores – os pensadores, os artistas, os cientistas, os inventores – enfrentaram sozinhos os homens de seu tempo. Toda nova grande ideia encontrou oposição. Toda nova grande invenção foi combatida. O primeiro motor foi considerado uma tolice. O avião foi considerado impossível. O tear mecânico foi considerado maléfico. A anestesia foi considerada pecaminosa. Mas os homens de visão original seguiram em frente. Eles lutaram, eles sofreram, e eles pagaram o preço. Mas venceram.”

Vender A Nascente foi difícil. O editor de Rand na Macmillan mostrou interesse e ofereceu um adiantamento de US$250, mas ela insistiu que a empresa concordasse em gastar ao menos US$1200 em publicidade, então a Macmillan retirou a oferta. Até 1940, uma dúzia de editores haviam visto capítulos completos e rejeitado o livro. Um editor influente disse que a obra jamais venderia, e até o agente literário de Rand se voltou contra o livro. Suas economias haviam caído a apenas US$700.

Rand sugeriu que o manuscrito parcial fosse oferecido à Bobbs-Merrill, uma editora de Indianápolis que havia publicado The Red Decade [“A Década Vermelha”], do jornalista anticomunista Eugene Lyons. Os editores da Bobbs-Merrill em Indianápolis recusaram A Nascente, mas o editor da empresa em Nova York, Archibald Ogden, amou o livro e ameaçou demitir-se se a editora não o aceitasse. Eles assinaram um contrato em dezembro de 1941, pagando a Rand um adiantamento de US$1000. Com dois terços do livro ainda por escrever, ela se esforçou para completá-lo dentro do prazo, que terminava em 1º de janeiro de 1943.

Rand se viu em uma disputa amigável com sua amiga Isabel Paterson, a jornalista de temperamento esquentado e às vezes sem tato que estava trabalhando para completar The God of the Machine [“O deus da máquina”]. Paterson escreveu romances e cerca de mil e duzentas colunas em jornais, mas foiThe God of the Machine que solidificou sua reputação. O livro dispara um ataque poderoso ao coletivismo, e explica a extraordinária dinâmica do livre-mercado. Paterson era dezenove anos mais velha do que Rand, e durante diversos anos cruciais foi sua mentora. O professor de inglês Stephen Cox, da Universidade da Califórnia (San Diego), acredita que, com Paterson, Rand teve “o que pode ter sido o relacionamento intelectual mais íntimo de sua vida.” Rand e Paterson se conheceram quando Paterson estava revisando críticas de livros que havia escrito para o jornal New York Herald Tribune. Ela apresentou a Rand muitos livros sobre história, economia, e filosofia política, ajudando-a a sofisticar sua visão de mundo.

A Nascente foi publicado em maio de 1943, o mesmo mês em que saiu The God of the Machine. Da concepção à publicação haviam se passado nove anos. Paterson promoveu o livro em diversas colunas no Herald Tribune. A Nascente recebeu muito mais atenção do que We the Living, mas a maioria dos críticos ou o atacou ou o descreveu incorretamente como um livro sobre arquitetura. Uma das críticas mais surpreendentes veio do jornal The New York Times, em que Lorine Pruette escreveu: “A srta. Rand tomou uma posição contra o coletivismo... Ela escreveu um hino em louvor do indivíduo.”

Rand ficou emocionada ao receber uma carta do famoso arquiteto Frank Lloyd Wright. “Li cada palavra de A Nascente”, escreveu. “Sua tese é grande... O indivíduo é a Nascente de toda Sociedade de valor. A Liberdade do Indivíduo é o único objeto legítimo do governo: a Consciência Individual é o grande inviolável.” Embora Roark não tivesse sido inspirado em Wright, há relatos de que o arquiteto guardava uma cópia de A Nascente ao lado de sua cama em Taliesin West, no Arizona. (Ele projetou uma casa para Rand, que nunca foi construída porque ela e seu marido decidiram ficar em Nova York. O desenho continua na coleção Wright.)

Por algum tempo, as vendas do livro foram lentas. Mas a propaganda boca-a-boca gerou um interesse crescente, e a editora pediu uma série de reimpressões, quase sempre pequenas, em parte por causa da escassez de papel nos tempos de guerra. O livro ganhou impulso e chegou às listas dos mais vendidos. Dois anos após a publicação, 100.000 cópias haviam sido vendidas, e, em 1948, 400.000 cópias. Veio então a edição da New American Library, e A Nascente chegou a vender mais de 6 milhões de exemplares.

No dia em que a Warner Brothers concordou em pagar a Rand US$50.000 pelos direitos cinematográficos de A Nascente, ela e O’Connor fizeram uma extravagância e saíram para um jantar de 65 centavos cada um na lanchonete do bairro. Rand brigou para preservar a integridade do roteiro, e, em grande parte, teve sucesso, embora algumas de suas falas preferidas tenham sido cortadas. O filme, estrelado por Gary Cooper, Patricia Neal, e Raymond Massey, estreou em julho de 1949 e levou o livro mais uma vez às listas dos mais vendidos.

Logo após a primeira publicação do livro, Rand havia dito à sua amiga Isabel Paterson que estava desapontada com a forma como o público o havia recebido. Paterson incentivou Rand a escrever um livro de não-ficção, dizendo que ela tinha o dever de divulgar mais suas opiniões. Mas Rand se rebelou contra a ideia de que devia algo às outras pessoas. “E se eu entrasse em greve?”, ela perguntou. “E se todas as mentes criadoras do mundo entrassem em greve?” Essa se tornou a ideia central de sua última grande obra, que recebeu o título provisório A greve.

Ao longo dos catorze anos que Rand dedicou ao livro, a maior parte deles em seu apartamento em Nova York, cada elemento da história se tornou superlativo. A história apresenta o mais famoso herói de Rand, o misterioso John Galt, físico e inventor que organiza uma greve das pessoas mais produtivas contra os cobradores de impostos e outros exploradores. O livro também apresenta Dagny Taggart, a primeira mulher ideal de Rand, que encontra seu par em Galt. Um amigo comentou que o título original poderia fazer muitas pessoas pensarem que o livro era sobre sindicatos, então ela o abandonou. O’Connor a incentivou a usar o nome de um dos capítulos como título do livro: Atlas Shrugged [A Revolta de Atlas].

O livro está cheio de ideias provocadoras. Por exemplo, o empresário do cobre Francisco d’Anconia, conversando com o empresário do aço Hank Rearden, expressa a visão de Rand sobre o sexo: “A escolha sexual de um homem é o resultado de suas convicções fundamentais. Diga-me o que um homem acha sexualmente atraente, e eu te direi toda a sua filosofia de vida. Mostre-me a mulher com quem ele dorme e eu te direi o que ele pensa de si mesmo.” Anconia fala sobre a moralidade do dinheiro: “O dinheiro se baseia no axioma de que cada homem é dono de sua mente e de seu trabalho... O dinheiro exige que todos reconheçam que os homens devem trabalhar em seu próprio benefício, não em seu detrimento, para seu ganho, não para sua perda... A ligação comum entre todos os homens não é a troca de sofrimento, mas a troca de bens.” Rearden defende suas conquistas da seguinte forma: “Eu ganhei meu dinheiro por meu próprio esforço, em trocas livres e com o consentimento voluntário de todos os homens com quem fiz negócios... Eu me recuso a pedir desculpas pelo meu talento... Eu me recuso a pedir desculpas pelo meu sucesso.” E da transmissão de rádio de John Galt para os opressores vem esta poderosa frase: “Estamos em greve contra o dogma de que buscar a própria felicidade é errado.”

As ideias de Rand ainda eram extremamente polêmicas, mas as vendas de A Nascente haviam impressionado as editoras, e várias das maiores se interessaram por A Revolta de Atlas. Bennett Cerf, sócio da Random House, deu muito apoio ao lançamento, e Rand recebeu um adiantamento de US$50.000 sobre royalties de 15%, uma primeira impressão de no mínimo setenta e cinco mil cópias, e um orçamento de US$25.000 para divulgação. O livro foi publicado em 10 de outubro de 1957.

A maioria dos críticos foi selvagem. O socialista da velha guarda Granville Hicks fez um escândalo no New York Times, e outros ficaram igualmente ofendidos pelos ataques de Rand ao coletivismo. Mas a crítica mais histérica de todas veio da conservadora National Review, em que Whittaker Chambers, presumivelmente ofendido pelas críticas de Rand à religião, comparou-a a um nazista ordenando “Para a câmara de gás – vá!” No entanto, a propaganda boca-a-boca foi mais forte do que os detratores, e as vendas começaram a subir, acabando por passar dos 4,5 milhões de cópias.

Com A Revolta de Atlas, Rand havia realizado seus sonhos, e entrou em depressão. Ela não tinha mais um imenso projeto para absorver suas prodigiosas energias, e passou a se apoiar cada vez mais em seu discípulo intelectual canadense, Nathaniel Branden, com quem ela teve um relacionamento íntimo. Para servir ao interesse cada vez maior do público por Rand e ajudar a reanimá-la, ele fundou o Nathaniel Branden Institute (NBI), que oferecia seminários, vendia gravações de palestras e começou a editar publicações sobre a filosofia de Rand, chamada Objetivismo. Branden às vezes era um guardião implacável da ortodoxia objetivista, mas tinha uma habilidade notável para promover os ideais do individualismo e do livre-mercado. Estima-se que vinte e cinco mil pessoas tenham participado dos cursos do NBI.

Os bons tempos continuaram até 23 de agosto de 1968, quando Branden contou a Rand que tinha um caso com outra mulher. Rand o repudiou publicamente, e os dois romperam relações, mas os motivos só foram totalmente revelados dezoito anos depois, quando a ex-esposa de Branden, Barbara, escreveu uma biografia de Rand. Nathaniel Branden se tornou um autor de sucesso escrevendo sobre auto-estima.

Durante este período, Rand começou a escrever não-ficção. For a New Intellectual“Por um novo intelectual” reuniu trechos selecionados de sua filosofia, de We the LivingAnthemA Nascente, e A Revolta de Atlas. Ela editou e publicou os periódicos The Objectivist Newsletter (1962-1966), The Objectivist (1966-1971) e The Ayn Rand Letter (1971-1976). Alguns de seus ensaios, junto com ensaios de Nathaniel Branden, Alan Greenspan e Robert Hessen, foram republicados na coletânea Capitalism: The Unknown Ideal “Capitalismo: o ideal desconhecido”. Rand tinha talento para a polêmica, e deu a uma coletânea de seus ensaios o título The Virtue of Selfishness “A virtude do egoísmo”. Seus escritos sobre cultura foram reunidos em The Romantic Manifesto “O manifesto romântico”. Indignada com a revolta dos jovens contra o capitalismo, ela lançou outro livro de ensaios, The New Left: the Anti-Industrial Revolution “A nova esquerda: a revolução anti-industrial”.

Após a morte de Frank O’Connor em novembro de 1979, Rand se tornou mais reservada, praticamente inconsciente de que suas ideias inspiravam milhões de pessoas. Mesmo assim, ela fez duas aparições no programa de entrevistas de Phil Donahue, transmitido para todos os Estados Unidos. No ano seguinte, sabendo que Rand amava trens, James U. Blanchard III, empresário do ramo de metais preciosos, providenciou um vagão particular para que ela viajasse de Nova York até New Orleans, onde, em 21 de novembro de 1981, quatro mil pessoas aplaudiram seu discurso “The Sanction of the Victims” [“A sanção das vítimas”]. Ela falou sobre como os empresários têm a função vital de transformar novo conhecimento em melhores produtos e serviços. No entanto, geralmente são desprezados como capitalistas gananciosos, e – o que é pior – financiam as universidades, estúdios de Hollywood e outras instituições que fazem propaganda pela supressão da liberdade. Ela exortou os empresários a defender a moralidade da liberdade.

O coração de Rand começou a ceder em dezembro, e ela faleceu em seu apartamento no número 120 da rua 34, em Manhattan, em 6 de março de 1982. Foi enterrada ao lado de O’Connor em Valhalla, Nova York, com 200 pessoas jogando flores em seu caixão. Tinha 77 anos.

Desde então os editores estiveram ocupados com novos títulos relacionados a Rand. Seu colega mais próximo, Leonard Peikoff, fundador do Ayn Rand Institute, lançou Philosophy: Who Needs It “Filosofia: quem precisa dela”, material em grande parte extraído de The Ayn Rand Letter; The Early Ayn Rand: A Selection from Her Unpublished Fiction (1984) [“Ayn Rand no início: uma seleção de ficção inédita”]; e The Voice of Reason: Essays on Objectivist Thought “A voz da razão: ensaios sobre o pensamento objetivista”. O diretor executivo do Ayn Rand Institute, Michael S. Berliner, editou Letters of Ayn Rand “Cartas de Ayn Rand”, e o acadêmico David Harriman editou Journals of Ayn Rand “Diários de Ayn Rand”. Depois vieram Marginalia (1998), The Ayn Rand Column (1998) e The Art of Fiction “A arte da ficção”.

Em uma comemoração dos cinquenta anos da publicação de A Nascente, o professor de inglês Stephen Cox observou que “O desafio corajoso de Rand às ideias estabelecidas se torna ainda mais corajoso quando aliado à sua disposição a enunciar suas premissas individualistas nos termos mais claros e a defender suas implicações mais radicais.”

O quadragésimo aniversário de A Revolta de Atlas, em outubro de 1997, foi celebrado por um evento de um dia inteiro patrocinado pelo Cato Institute e pelo Institute for Objectivist Studies. “A mensagem de A Revolta de Atlas,” declarou David Kelley, diretor executivo do Institute for Objectivist Studies, “é que o capitalismo permite, recompensa e celebra o que há de melhor na natureza humana. E o socialismo, ou qualquer outra forma de coletivismo, não é apenas ineficiente, é imoral. É uma expressão degradante de inveja, malícia, da sede de poder dos poucos que governam e do medo da liberdade dos muitos que se submetem.”

Os livros de Rand continuam a vender aproximadamente 300.000 cópias por ano. Embora tenha causado um impacto maior nos Estados Unidos, ela tem leitores por todo o mundo. A Revolta de Atlas foi publicado em alemão. Existem edições de A nascente em francês, alemão, norueguês, sueco e russo. We the Living teve edições em francês, alemão, grego, italiano e russo. Traduções de Anthem para o francês e o norueguês estão sendo preparadas.

Houve uma enxurrada de livros sobre Rand. A biografia escrita por Barbara Branden, The Passion of Ayn Rand [“A paixão de Ayn Rand”], saiu em 1986. Nathaniel Branden contou sua história em Judgement Day “Dia do julgamento”. Peikoff escreveu Objectivism: the Philosophy of Ayn Rand “Objetivismo: a filosofia de Ayn Rand”. No mesmo ano, saiu The Ideas of Ayn Rand [“As ideias de Ayn Rand”], do empresário de Los Angeles Ronald E. Merrill. Ayn Rand, the Russian Radical [“Ayn Rand, a radical russa”], do acadêmico Chris Matthews Sciabarra, publicado em 1995, situa suas ideias no contexto da filosofia russa. Segundo a revista Newsweek, “Ela está em toda parte”.

O documentário Ayn Rand: A Sense of Life, de Michael Paxton, lançado em 1997, foi indicado ao Oscar. Em maio de 1999, o canal de televisão Showtime transmitiu o filme The Passion of Ayn Rand, com Helen Mirren no papel de Rand, Peter Fonda como Frank O’Connor, Eric Stoltz como Nathaniel Branden e Julie Delpy como Barbara Branden.

Ayn Rand veio do nada para combater um mundo corrupto e coletivista. Ela defendeu obstinadamente suas crenças, afirmando o imperativo moral da liberdade e demonstrando que tudo é possível.