Biografia: Booker T. Washington

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Booker T. Washington fez mais do que qualquer outra pessoa para ajudar os negros americanos a erguerem-se da escravidão. Fundou uma importante instituição, a Tuskegee (agora Universidade Tuskegee), que ajudou dezenas de milhares de pessoas a adquirir as qualificações de que precisavam. A universidade já formou pessoas vindas da África, de Cuba, da Jamaica, de Porto Rico e de outros países, assim como dos Estados Unidos. A pesquisa feita em Tuskegee, especialmente a do botânico George Washington Carver, ajudou fazendeiros pobres do sul.

A influência de Washington como educador vai muito além de Tuskegee. Ele dirigiu uma campanha privada que levou à construção de milhares de escolas primárias para negros. Como membro dos conselhos de administração da Universidade Howard e da Universidade Fisk, as duas principais instituições de ensino superior para negros, ele angariou centenas de milhares de dólares.

A inspiradora autobiografia de Washington, Up from Slavery “Elevado da escravidão”, foi traduzida para diversos idiomas e ainda está em catálogo. Embora tenha nascido escravo, Washington obteve uma boa educação e encontrou uma importante vocação, e ajudou outros negros a melhorar suas vidas apesar das leis discriminatórias. Ele acreditava que responsabilidade pessoal e espírito empreendedor são cruciais. Assim ele expressou sua visão de longo prazo: “Intelecto, propriedade e caráter para os negros resolverão a questão dos direitos civis.”

Ensinar comportamento moral e competência era o melhor modo de promover a harmonia entre as raças, pensava ele. Ele não acreditava que a salvação viria por meio do governo. Quanto mais os negros produzissem coisas de que os brancos precisassem, maior a probabilidade de que os brancos abandonassem os estereótipos raciais e mostrassem respeito. Para melhorar as relações entre as raças era necessário mudar os corações humanos, o que não pode ser feito através de leis.

Os esforços de Washington para atrair a boa-vontade da maioria branca, que controlava as legislaturas, os tribunais, as empresas, os jornais, as universidades e demais instituições, foram severamente criticados por intelectuais negros do norte como W. E. B. Du Bois, que defendiam táticas de confronto para combater a segregação racial. A historiadora Page Smith oferece a seguinte perspectiva: “Grande parte da discussão atual sobre a educação e a filosofia racial de Washington não leva em conta o fato de que ele não tinha alternativa. Em seu tempo e lugar, sua doutrina de que os negros devem conquistar a confiança e a amizade dos brancos para fazer progressos, mesmo que modestos, era indubitavelmente verdadeira. Aqueles que discordavam dele, quase sem exceção, não viviam no sul. No mínimo, não tinham que proteger uma instituição – Tuskegee – pela qual ele era o principal, se não o único, responsável.”

Até a publicação da biografia escrita por Louis R. Harlan, cujo primeiro volume saiu em 1972, poucas pessoas sabiam que Washington combateu a segregação racial secretamente. Usava os contatos que estabeleceu durante as longas viagens que fazia pelo norte e pelo oeste para arrecadar fundos. Insistia em permanecer anônimo ao financiar processos judiciais que desafiaram a exclusão dos negros do direito ao voto e dos júris, e a aplicação indevida da pena de morte.

Washington nunca se afastou de suas raízes. Segundo Harlan, “Em suas aparições públicas, ele se vestia como um camponês próspero, usando chapéu de feltro marrom em vez de cartola. Sua origem rural sulista também transparecia em seu modo de falar, jamais grosseiro mas sempre simples e direto... Ele andou a cavalo a vida inteira, caçava e pescava sempre que podia, e relaxava cultivando seu próprio jardim.” E mesmo assim ele se tornou um dos mais dinâmicos oradores públicos de sua época, viajando pelos Estados Unidos e pela Europa promovendo a responsabilidade individual, auto-ajuda, dedicação ao trabalho, austeridade, e boa-vontade. Sua ex-professora Nathalie Lord relembrou: “Consigo ver sua figura masculina, seu rosto forte e expressivo, e ouvir sua voz, tão poderosa e séria quando um pensamento o exigia, mas também gentil e terna...”

Booker Taliaferro Washington nasceu em uma plantação pertencente a James Burroughs, próxima a Hale’s Ford, no estado de Virgínia, provavelmente em abril de 1856. Sua mãe, Jane, quase certamente deu à luz em um chalé de madeira, sobre um chão de terra coberto por trapos. Ele nunca soube quem era seu pai. Sua mãe era a cozinheira da família Burroughs. Washington conta: “Ela roubava alguns momentos para cuidar dos filhos no início da manhã, antes de começar o trabalho, e à noite após terminar o trabalho do dia... Não me lembro de uma única ocasião de minha infância ou início de juventude em que toda a nossa família tenha se sentado à mesa... As crianças conseguiam comida de um jeito muito parecido com o dos animais. Era um pedaço de pão aqui, um resto de carne ali.”

Após a Guerra Civil, a família se mudou para Malden, em West Virginia, onde fábricas de sal e minas de carvão ofereciam trabalho. O jovem Washington tinha um enorme desejo de ler e escrever, mas as leis sulistas proibiam a alfabetização de negros. Sua mãe deu a ele uma cartilha, e ele começou a frequentar a escola dominical na Igreja Batista Africana, onde aprendeu com William Davis, um garoto de Ohio de dezoito anos que vivia com o pastor. Uma escola abriu na cidade próxima de Tinkerville, e Washington passou a frequentá-la enquanto trabalhava nas fábricas de sal.

Então Washington foi trabalhar como criado para Louis Ruffner e sua esposa, Viola, e aprendeu a fazer faxina de acordo com os padrões rígidos da Sra. Ruffner. Depois de aproximadamente um ano e meio, Washington partiu para uma escola da qual havia ouvido falar – o Hampton Normal and Agricultural Institute, em Hampton, na Virgínia, onde negros pobres podiam pagar suas despesas trabalhando no campus. Washington percorreu parte das 500 milhas até a escola de trem, depois de diligência, até que ficou sem dinheiro. Ele andou o resto do caminho, ocasionalmente pegando caronas em carroças que passavam. Quando chegou em Richmond, não tinha dinheiro algum, e teve de dormir sob uma passarela. Ele ganhou dinheiro para comer ajudando a descarregar lingotes de ferro de um navio, e continuou fazendo este trabalho até acumular cinquenta centavos, o suficiente para terminar a viagem.

Quando chegou à escola, suas roupas estavam esfarrapadas, e ele não tomava banho havia algum tempo. A diretora, Mary Fletcher Mackie, testou sua capacidade de trabalho pedindo a ele que limpasse uma sala de aula. Ele fez um trabalho minucioso, e ela o aceitou. Ele concordou em trabalhar como faxineiro para pagar suas despesas. “A vida em Hampton era um aprendizado constante,” relatou Washington, “Fazer refeições em horários regulares, em uma mesa com toalha e usando um guardanapo, usar banheira e escova de dentes, e também lençóis na cama, eram novidades para mim.” Washington foi apresentado à oratória por um professor que lhe deu aulas particulares de respiração, ênfase e articulação. Ele participou da sociedade de debates, que se reunia aos sábados à noite. A parte mais extraordinária de Hampton era seu fundador de trinta e três anos, Samuel Chapman Armstrong, um exemplo inspirador de integridade, responsabilidade e empreendedorismo.

Após se formar, em 1875, Washington foi convidado para dar aulas na escola Tinkerville, onde demonstrou considerável iniciativa. Ele ensinava noções de higiene, além de leitura, escrita e aritmética. Logo a classe tinha mais de oitenta alunos, e ele fundou uma escola noturna, que também atraiu cerca de oitenta alunos. Ele deu aulas de catecismo na Igreja Batista Zion e na fábrica de sal Snow Hill, fundou uma biblioteca pública e uma sociedade de debates, e mais tarde abriu uma escola noturna em Hampton.

Em 1881, Armstrong recebeu uma carta pedindo que recomendasse uma pessoa que pudesse ser um bom diretor para uma nova escola em Tuskegee, no Alabama, uma cidadezinha a cerca de cinco milhas da estação ferroviária mais próxima. A função da escola seria treinar professores primários. Armstrong recomendou Washington, e ele foi aceito. Quando chegou, em 24 de junho, descobriu que a escola ainda não havia sido construída ou financiada.

Washington decidiu que embora a escola fosse começar com algum dinheiro público, ele manteria o máximo de independência que pudesse. A nova escola, chamada Instituto Tuskegee, começou a funcionar na igreja Metodista Africana, em 4 de julho de 1881. Washington convenceu um homem da região a emprestar-lhe duzentos dólares para comprar uma fazenda abandonada que os alunos pudessem transformar em um campus, e o título da propriedade ficou em nome da escola, e não do estado. Amigos doaram jornais, livros, mapas, garfos e facas. Washington, o único professor, adotou uma disciplina muito parecida com a de Hampton, com inspeções diárias de roupas, quartos e instalações. O número inicial de alunos, cerca de trinta e sete, dobrou em dois meses, e Washington começou a contratar novos professores, em sua maioria formados em Hampton.

Ao longo dos anos, o contratado mais ilustre de Washington foi o botânico George Washington Carver (1861?-1943). Nascido escravo no Misouri, ele foi separado da mãe e nunca conheceu seu pai. Sustentando a si mesmo como empregado doméstico, lavador de roupas, cozinheiro de hotel e trabalhador rural, ele aprendeu tanto quanto pôde sobre plantas e animais. Conseguiu completar o ensino secundário quase aos trinta anos. Entrou na Simpson College, em Indianola, Iowa, e mais tarde se transferiu para o Iowa State Agricultural College, onde obteve o grau de bacharel (1894), e de mestre (1896). Em Tuskegee, ele assumiu o departamento de agricultura. O sistema de monocultura do sul havia exaurido o solo, e Carver incentivou os fazendeiros a restaurar o nitrogênio ao solo plantando soja, amendoim, e batata-doce. Como havia pouca demanda por esses produtos, Carver imaginou centenas maneiras novas de usá-los.

Com o comerciante George Marshall encarregado de administrar as finanças, Washington e a professora de Tuskegee Olivia Davidson (matemática, astronomia, botânica), começaram a fazer viagens pelos estados do norte para angariar fundos, chegando a levantar três mil dólares por mês. Então começaram a receber doações de fundos filantrópicos do norte, como o Slater Fund e o Peabody Fund. Washington organizou os Tuskegee Singers [“cantores de Tuskegee”], que fizeram turnês pelo norte arrecadando dinheiro. Uma viúva da Nova Inglaterra deu a Washington um relógio de ouro, que ele penhorou diversas vezes.

Em 2 de agosto de 1882, Washington casou-se com Fanny Smith, que havia sido sua aluna em Tinkersville e depois se formado em Hampton. Tiveram uma filha, Portia, nascida em 1883. Fanny morreu no ano seguinte, aos vinte e seis anos. Em 1885, ele se casou com Olivia Davidson. Tiveram dois filhos, Booker Taliaferro Washington Jr. e Ernest Davidson Washington. A saúde de Olivia, que era frágil, piorou após o parto, e ela faleceu em 8 de maio de 1889.

Quando fez uma palestra na Fisk University, Washington conheceu uma aluna do último ano chamada Margaret James Murray, que havia escrito para ele a respeito de uma vaga de professora em Tuskegee. Impressionado, ele a contratou para ensinar inglês. Logo ela se tornou supervisora de indústrias femininas em Tuskegee. Então ele a convidou para ser a diretora. Os dois acabaram casando-se. Ela assumiu mais e mais responsabilidades em Tuskegee, dando a Washington tempo para se dedicar à arrecadação de fundos e a questões políticas.

Em 18 de setembro de 1895, Washington discursou na Exposição Internacional dos Estados Algodoeiros. Ele observou que um terço da população do sul era negra, portanto o sul não poderia prosperar a menos que os negros prosperassem. Ele recomendou aos negros que “baixem seus baldes onde estão” e aproveitem todas as oportunidades disponíveis, e aos brancos que “baixem seus baldes entre esses homens [negros] que, sem greves ou rebeliões, araram seus campos, derrubaram suas florestas, construíram suas ferrovias e cidades e extraíram tesouros das entranhas da terra, e ajudaram a tornar possível esta magnífica representação do progresso do sul.” Então, em um apelo à paz racial, ele propôs o que se tornaria conhecido como a Conciliação de Atlanta: “Em todas as coisas puramente sociais, podemos ser tão separados como dedos, mas unidos como uma mão em tudo que for essencial ao progresso mútuo.”

Instantaneamente, Washington foi reconhecido como um líder negro, um sucessor de Frederick Douglass, que havia morrido sete meses antes. Foram tempos difíceis, porque as tendências continuaram a se mover contra os negros. Em 1890, o Mississippi havia sido o primeiro estado a negar aos negros o direito ao voto. A Carolina do Sul fez o mesmo em 1895. Três anos depois, Washington tentou impedir a Louisiana de seguir o exemplo. Não teve sucesso, mas venceu na Geórgia. A seguir, apesar de todos os seus esforços, o Alabama também negou o voto aos negros em 1900.

Washington fez tudo que pôde para influenciar opiniões políticas, chegando a fazer três palestras por dia. Em outubro de 1898, ele avisou dezesseis mil pessoas no Chicago Peace Jubilee: “Nós teremos, especialmente no sul do nosso país, um câncer atacando o coração da República, que um dia se revelará tão perigoso quanto um ataque de um exército externo ou interno.”

Por conta de suas muitas viagens, ele sofria de fadiga crônica, por isso seus patrocinadores do norte providenciaram férias na Europa para Washington e sua esposa. Na Holanda, ele ficou impressionado pela eficiência com que os fazendeiros extraíam um bom padrão de vida de propriedades pequenas. O casal foi tratado como celebridade em Paris e Londres; a rainha Vitória serviu-lhes o chá. Conheceram Mark Twain, Susan B. Anthony, e Henry Stanley (o jornalista britânico que havia encontrado o explorador e abolicionista David Livingstone na África).

De volta aos Estados Unidos, Washington contratou um escritor para ajudá-lo com suas memórias. O resultado, Story of My Life and Work “História de minha vida e obra”, foi publicado por uma empresa de Naperville, Illinois, que vendia livros por assinatura. Segundo os registros, setenta e cinco mil cópias foram vendidas. Então ele contratou o escritor Max Bennet Thrasher, do estado de Vermont, e Walter Hines Page, da editora Doubleday, concordou em publicar uma autobiografia melhor. O livro, Up from Slavery, saiu em 1901. Foi traduzido para o árabe, o chinês, o dinamarquês, o holandês, o finlandês, o francês, o alemão, o hindi, o japonês, o malaio, o norueguês, o russo, o espanhol, o sueco e o zulu.

Up from Slavery teve um enorme impacto nas arrecadações. Entre os que foram levados pelo livro a apoiar Tuskegee estão o empresário da fotografia George Eastmann, o sócio da Standard Oil Henry H. Rogers, e o empresário do aço Andrew Carnegie. Percebendo que os judeus também haviam sofrido muito, Washington fez apelos bem-sucedidos a empreendedores judeus como os banqueiros Jacob Schiff, Paul Warburg, Isaac Seligman e as famílias Lehman, Goldman, e Sachs. O executivo-chefe da Sears Roebuck, Julius Rosenwald, tornou-se um grande doador. Washington conquistou os corações desses empresários com sua austeridade e iniciativa. Após construir o Rockefeller Hall por menos do que havia sido previsto, Washington enviou a John Rockefeller Jr. um reembolso de US$239.

Washington se indignava com o fato de que todos tinham de pagar impostos para financiar a educação pública, mas quase nada deste dinheiro beneficiava os negros. A quaker da Filadélfia Anna Jeanes nomeou Washington para gastar um milhão de dólares para melhorar a qualidade dos professores das crianças negras do sul. Washington foi conselheiro de Julius Rosenwald, que começou a financiar a contrução de escolas para crianças negras por todo o sul. Ele ajudou a promover a educação universitária para negros quando fez parte dos conselhos das universidades Howard e Fisk, e usou sua influência com Carnegie para conseguir uma biblioteca para Howard. Washington também persuadiu Carnegie a doar US$25.000 à universidade Fisk. Washington e o advogado corporativo novaiorquino Paul Cravath se encarregaram de uma campanha de arrecadação de fundos para Fisk de US$300.000.

Por baixo dos panos, Washington ajudava a montar um contra-ataque jurídico aos esforços crescentes para negar aos negros suas liberdades civis. Ele pagou seu advogado pessoal de Nova York, Wilfred Smith, para levar dois casos do Alabama sobre o direito ao voto, Giles v. Harris (1903) e Giles v. Teasley (1904), à Suprema Côrte. Perderam. A seguir, Washington e Smith desafiaram a prática de excluir negros dos júris com mais um caso do Alabama, que eles levaram à Suprema Côrte em 1904. A Côrte reverteu a condenação de um homem negro que havia sido considerado culpado por um júri do qual negros haviam sido excluídos. Washington arrecadou dinheiro e contratou advogados que convenceram a Suprema Côrte a revogar leis que forçavam devedores a se tornar servos de seus credores.

Por ser uma figura pública tão conciliadora e lutar contra a segregação secretamente, Washington foi duramente criticado por intelectuais negros radicais do norte. Seu crítico mais persistente foi W. E. B. Du Bois, sociólogo nascido em Massachusetts, formado pela Fisk University, e com um PhD da universidade de Harvard. Suas críticas a Washington apareceram na revista Dial e no livro The Souls of Black Folk “As almas do povo negro”, entre outros. “O sr. Washington”, acusou ele, “representa, no pensamento negro, a velha atitude de adaptação e submissão.”

Em novembro de 1915, Washington começou a sofrer os sintomas de sérios problemas renais e hipertensão. Ele foi ao hospital St. Luke’s, em Nova York, e consultou os médicos de lá, mas não havia muito que eles pudessem fazer. Ele decidiu voltar para casa. “Nasci no sul,” disse, “vivi e trabalhei no sul, e espero morrer e ser enterrado no sul.” Sua esposa o ajudou a pegar o trem na estação Pennsylvania na sexta-feira, 12 de novembro. Ela providenciou uma ambulância para encontrá-los em Chehaw, a estação que ficava a cerca de cinco milhas de Tuskegee, por volta das nove horas da noite de sábado.

Washington tinha muitos motivos de orgulho. Tuskegee tinha cerca de duzentos professores treinando aproximadamente dois mil e quinhentos alunos em trinta e oito profissões. O campus tinha cem edifícios modernos. Tuskegee não tinha dívidas e possuía mais de dois mil acres de terra e um fundo de mais de 2 milhões de dólares. O mais importante legado eram os formandos, que, observou ele, “estão mostrando às massas de nossa raça como melhorar sua vida material, educacional, moral e religiosa.... [eles estão] fazendo os homens brancos do sul aprenderem a acreditar no valor de educar os homens e mulheres de minha raça.”

Washington chegou à sua casa, mas faleceu às 4:45 da manhã de domingo, 14 de novembro de 1915. Tinha cinquenta e nove anos. Um funeral simples foi organizado na quarta-feira, em Tuskegee. Ele foi enterrado no cemitério do campus, com um enorme pedaço de granito como lápide.

A auto-ajuda saiu de moda entre os intelectuais negros, que, como W. E. B. Du Bois, passaram a acreditar que melhorar a vida dos negros dependia de ação política e intervenção governamental. No entanto, embora os negros não tenham feito avanço político algum entre as décadas de 1890 e 1920, conforme Thomas Sowell escreveu em seu livro Race and Economics “Raça e economia”, “para a massa da população negra, esses foram anos de grande avanço econômico... e mesmo culturalmente, a década de 1920 foi um período de grande desenvolvimento, às vezes chamado de ‘renascença negra’ ou de surgimento do ‘novo negro’. Grandes números de negros ingressaram nas profissões industriais pela primeira vez durante a primeira guerra mundial, e começaram um movimento de migração em massa para o norte que transformou a história da América negra.”

Du Bois viveu por mais quase meio século após a morte de Washington, e sua crença na salvação através do governo teve grande influência sobre os intelectuais negros, embora a renda dos negros, relativamente à dos brancos, tenha caído durante o New Deal do presidente Franklin D. Roosevelt. Du Bois perdeu credibilidade ao aderir ao comunismo, e mesmo ao ditador soviético Josef Stálin.

Os negros, no entanto, continuaram a ajudar a si mesmos. Após a Segunda Guerra Mundial, quatro vezes mais negros migraram do sul para o norte do que nos anos 1920. “A segunda Grande Migração trouxe enormes melhoras na qualidade dos empregos ocupados pelos afro-americanos e em suas rendas”, relatam Stephan e Abigail Thernstrom em seu livro America in Black and White “América em preto e branco”. “Em muitos aspectos, o progresso foi mais rápido antes das leis sobre direitos civis do início dos anos 1960 e as políticas de ação afirmativa que começaram no final da mesma década, do que tem sido desde então.”

Booker T. Washington provou compreender como melhorar as vidas das pessoas, especialmente dos mais pobres, muito melhor do que Du Bois. Ele compreendeu que é possível fazer progressos espantosos, mesmo em um ambiente político hostil, se os indivíduos se educarem, trabalharem duro, e produzirem coisas que outras pessoas querem. Ele reconheceu que, em se tratando de avanço individual, não há nada que substitua responsabilidade, honestidade, austeridade e boa-vontade. O caráter faz o destino.

 

* Publicado originalmente em 06/03/2009.