Biografia: Frank H. Knight

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Frank H. Knight foi um dos fundadores da chamada Escola de Chicago, cujos principais membros dos anos 1950 aos anos 1980 foram Milton Friedman e George Stigler. Knight fez sua reputação com seu livro Risk, Uncertainty and Profit, baseado em sua tese de doutorado. No livro, Knight põe-se a explicar por que a "competição perfeita" não necessariamente eliminaria o lucro. Sua explicação era "incerteza", que Knight distinguia de risco. Segundo o autor, "risco" se refere a uma situação em que a probabilidade de um certo resultado pode ser determinada, e portanto pode-se obter seguro contra o mesmo. "Incerteza", por outro lado, se refere a um evento cuja probabilidade não pode ser determinada. Knight argumenta que mesmo no equilíbrio de longo prazo os empreendedores ganhariam lucros como retorno por agüentar a incerteza. A distinção de Knight entre risco e incerteza ainda é ensinada hoje em dia em aulas de economia.

Knight fez mais três contribuições importantes para a economia. Uma é The Economic Organization [A organização econômica], um conjunto de notas de aula publicado originalmente em 1933. Nele, Knight delineou um modelo do fluxo circular da economia e enfatizou que investimentos serão feitos até que os retornos para os investimentos em cada uso sejam iguais na margem. Esses elementos persistem nos livros-texto de hoje.

O famoso artigo “Some Fallacies in the Interpretation of Social Cost” ["Algumas falácias na interpretação do custo social"], no qual Knight analisou a visão de Arthur Pigou de que a congestão em estradas justifica a tributação sobre as mesmas, é outra de suas contribuições para a economia. Knight mostrou que, se as estradas fossem privadas, os seus donos estabeleceriam pedágios que reduziriam a congestão. Portanto, não é necessária intervenção do governo.

A contribuição final de Knight é sua obra sobre teoria do capital nos anos 1930. Knight criticou a visão de Eugen von Böhm-Bawerk de que o capital poderia ser medido como um período de produção, e é largamente considerado o vencedor do debate sobre o conceito de capital da Escola Austríaca.

Mas Knight era muito mais do que um economista. Ele era também um filósofo social, e a maior parte de seus escritos são em filosofia social, e não em economia técnica. Firmemente crente na liberdade e forte crítico da engenharia social, Knight se preocupava que a liberdade fosse enfraquecida por aumentos nos monopólios e na desigualdade de renda. George Stigler relata que Milton Friedman desafiava a visãod e Knight de que a desigualdade aumentaria, e Knight cedia, até que no próximo almoço tomava a mesma posição.

Knight frequentemente sentia desespero diante da incapacidade do público geral de compreender mesmo as verdades econômicas simples. Em seu discurso de 1950 ao assumir a presidência da American Economic Association, Knight disse: "Recentemente tenho um novo e deprimente exemplo do pensamento econômico popular na política de fixação arbitrária de preços. Haverá utilidade em explicar, se é que é necessário, que fixar um preço abaixo do nível de mercado criará escassez e, acima, excedente? Mas o público geme e reclama da escassez de habitação residencial e do excesso de ovos e batata como se essas coisas fossem mais problemáticas do que ficar com as solas dos sapatos sujas depois de deliberadamente caminhar na lama."

Curiosamente, porém, Knight foi um dos signatários de uma carta de 1946 para o New York Times pedindo que os controles de preços impostos durante a Segunda Guerra Mundial fossem continuados. [1]

Knight foi professor de economia na Universidade de Chicago de 1927 a 1955, e depois foi professor emérito até sua morte.

 

Notas

[1] ROCKOFF, Hugh. Drastic Measures: A History of Wage and Price Controls in the United States. Cambridge: Cambridge University Press, 1984, pp. 101–102.

 

Publicado originalmente na Concise Encyclopedia of Economics.