Biografia: William Graham Sumner

Quando os principais intelectuais americanos clamavam por guerra e governo maior no final do século XIX, William Graham Sumner emergiu como talvez o mais importante defensor americano da liberdade e da paz. Esse popular professor de economia e sociologia da Universidade de Yale protestou com audácia, durante trinta e sete anos, sempre que houve ataques sérios à liberdade. Combateu protecionistas que roubavam as pessoas com tarifas que enriqueciam grupos de interesses, socialistas que clamavam por poder sobre as vidas das pessoas, e imperialistas que provocavam guerras. Apesar de ferozes ataques por parte de grandes jornais e repetidas tentativas de fazer Yale demiti-lo, ele persistiu na expressão de suas opiniões libertárias.

Com sua caneta poderosa, ele fazia ressoar seus temas: “As instituições devem ser testadas segundo o grau em que protegem a liberdade... A história dos Estados tem sido uma história de egoísmo, cupidez, e roubo... A guerra nunca é um remédio prático, que pode ser tomado e aplicado rotineiramente. Nenhuma guerra evitável é justa com o povo que tem de lutá-la, e muito menos com o inimigo... Se buscamos no passado comparações para as quais a história humana nos dá um tipo de experimento, vemos que o moderno sistema de livre indústria oferece a todo ser humano vivo chances de felicidade indescritivelmente maiores do que as que as gerações passadas possuíam”. E em seu ensaio “War” “Guerra”, fez esta épica previsão: “Há apenas um limite possível para as preparações bélicas de um estado moderno europeu; a saber, o último homem e o último dólar que ele puder controlar. O que virá da mistura de filosofia social sentimental e política beligerante? Há apenas uma expectativa racional, que é um terrível derramamento de sangue em revoluções e guerras durante o século que agora se abre”. O popular jornalista econômico Henry Hazlitt observou que “poucos homens expuseram as falácias do paternalismo estatal com mais entusiasmo e lógica mais devastadora”. Sumner acreditava que a concorrência livre era a única maneira confiável de se identificar talentos superiores e melhores modos de fazer as coisas, de acumular capital e melhorar a qualidade de vida.

Sumner demonstrava uma impressionante erudição em suas obras. Ele estudou em importantes universidades européias; lia holandês, francês, alemão, hebraico, italiano, polonês, português, russo, espanhol e sueco; e estudou milhares de documentos. Suas obras publicadas incluem biografias de Alexander Hamilton, Andrew Jackson, e Robert Morris, assim como livros sobre história financeira americana e sociologia. Mas ele alcançou a imortalidade através de seus apaixonados e polêmicos livros e ensaios, tais como What Social Classes Owe to Each Other [“O que as classes sociais devem umas às outras”], The Forgotten Man [“O homem esquecido”], The Fallacy of Territorial Expansion [“A falácia da expansão territorial”], The Conquest of the United States by Spain [“A conquista dos Estados Unidos pela Espanha”] e War [“Guerra”], todos ainda em catálogo.

Sumner falava de forma direta e simples. Em uma reunião de professores da Universidade de Yale em que o presidente A. T. Hadley havia discordado dele, Sumner protestou: “Mas é a verdade”. Hadley respondeu, “Nem sempre é necessário dizer a verdade de forma tão bruta”. Sumner insistiu, “Eu sempre digo a verdade de forma bruta”.

Sumner tinha uma presença inesquecível. Seu aluno Albert Galloway Keller relembrou que “numa época em que imitar Homero e Sócrates parecia ser uma consequência inevitável da idade, Sumner não usava barba. Seu bigode bem-aparado e seu pouco cabelo não eram grisalhos; seu rosto era corado. Ele parecia forte de corpo, embora suas pernas parecessem um pouco instáveis. Não usava óculos, com exceção de um pince-nez que ele colocava com bastante força quando tinha algo para ler. Sua aparência e vestuário eram imaculados – às vezes um pouco antiquados com a gravata passada através de um anel de ouro... Ele não era nem um pouco sensível quanto a sua calvície... Uma vez, quando mudávamos de escritório, perguntei-lhe se um pequeno espelho na parede era dele. ‘Porque eu precisaria de um espelho?’, ele respondeu, passando a mão sobre a cabeça”.

William Graham Sumner nasceu em 30 de outubro de 1840, em Paterson, New Jersey. Era o mais velho dos três filhos de Thomas Sumner, que havia emigrado de Lancashire, Inglaterra, para Hartford, Connecticut, onde consertava rodas de locomotiva para a Hartford and New Haven Railroad. Sua mãe era Sarah Graham, cujos pais também haviam emigrado de Lancashire. Ela morreu, provavelmente de apendicite, quando William tinha oito anos. Na adolescência, passava uma quantidade considerável de tempo na biblioteca do Hartford Young Men’s Institute. Leu Illustrations of Political Economy [“Ilustrações de Economia Política”], de Harriet Martineau, e outros livros que enfatizavam a importância da liberdade econômica. Precocemente, demonstrou habilidade de escrever bem. Produziu algumas histórias de aventura, como “Adventures at the Convent of the Great St. Bernard” [“Aventuras no convento do grande S. Bernardo”], sobre o regate de um prisioneiro político. Ele se formou em Yale College em 1863, o oitavo em sua turma de 122 alunos.

A explosão da guerra civil americana trouxe o recrutamento militar obrigatório, e Sumner foi convocado para o exército, mas na época era possível pagar um substituto voluntário, e os amigos de Sumner levantaram os fundos necessários. Eles também contribuíram para que ele pudesse continuar seus estudos no exterior. Ele estudou francês e hebraico em Genebra, e então se matriculou na Universidade de Göttingen, na Alemanha, onde estudou alemão e história por dois anos.

Em dezembro de 1867, Sumner tournou-se diácono da igreja episcopal Trinity, em New Haven, e serviu em mais duas igrejas durante os cinco anos seguintes. Enquanto isso, apaixonou-se pela alegre Jeannie Whittemore Elliott, filha do comerciante novaiorquino Henry Hill Elliott e de Elmira Whittemore Elliott. Casaram-se em 17 de abril de 1871 e tiveram dois filhos, Eliot e Graham.

Sumner logo decidiu que preferia ensinar a pregar, e em 1872 aceitou um cargo de professor de ciências políticas e sociais em Yale. Sua missão, relatou o biógrafo Harris E. Starr, era “formar homens, desenvolver as faculdades críticas dos jovens a ele confiados, criar neles ódio pela falsidade e amor pela verdade”.

Em 1872, uma publicação inglesa chamada Contemporary Review, publicou em forma de série The Study of Sociology [“O estudo da sociologia”], do filósofo inglês Herbert Spencer, e Sumner adotou sua ideia de que pessoas livres podem alcançar progresso humano ilimitado sem o planejamento de um governo, à medida em que indivíduos privados encontram formas de ganhar dinheiro servindo aos outros. Spencer citou inúmeros exemplos demonstrando que o principal obstáculo ao progresso é a interferência do governo. Sumner mandou seus alunos lerem o livro de Spencer, mas Noah Porter, presidente de Yale, objetou, porque Spencer minimizava o papel da religião. Sumner recusou-se a abandonar o livro e ofereceu sua demissão, mas protestos dos alunos levaram Porter a recuar. Os diretores da universidade ficaram constrangidos quando a polêmica em torno de Spencer chegou à primeira página do jornal The New York Times.

Como Spencer, que Sumner conheceu em uma visita a Yale em 1882, ele reconhecia que o socialismo era mau. No mundo moderno, o socialismo remontava ao teórico nascido na Suíça Jean-Jacques Rousseau, mas durante o século XIX os ideais socialistas foram experimentados em comunidades voluntárias como as promovidas por Charles Fourier e Robert Owen. Com o colapso dessas comunidades, certos intelectuais concluíram que o socialismo teria de ser imposto à força. Em seu ensaio “Socialism” “Socialismo”, Sumner avisou que o progresso humano só ocorre quando todos têm fortes incentivos para trabalhar, economizar, e melhorar sua propriedade.

Sumner explicou como as leis produzem efeitos opostos aos esperados em seu ensaio “The Forgotten Man” “O homem esquecido”: “Assim que A observa algo que julga errado, e que causa sofrimento a X, A conversa com B, e A e B então propõem aprovar uma lei para remediar o mal e ajudar X. Sua lei sempre propõe determinar o que C deve fazer por X, ou, na melhor das hipóteses, o que A, B e C devem fazer por X. Quanto a A e B, que conseguem uma lei para obrigar-se a fazer por X o que estão dispostos a fazer por ele, não tenho nada a dizer além de que eles poderiam tê-lo feito melhor sem lei nenhuma, mas o que quero fazer é procurar C... chamo-o de Homem Esquecido... Ele é o trabalhador simples e honesto, disposto a ganhar seu sustento através de trabalho produtivo... Acabaremos, antes mesmo de perceber, empurrando para baixo esse homem que está tentando ajudar a si mesmo”.

Em 1883, Sumner escrever What Social Classes Owe to Each Other [“O que as classes sociais devem umas às outras”]. “Se alguém pensa que em algum lugar da sociedade deve haver garantias de que homem nenhum deve sofrer dificuldades”, explicou ele, “deve entender que não é possível haver tais garantias, a não ser que outros homens as forneçam – ou seja, a não ser que retornemos à escravidão, e façamos com que os esforços de um homem produzam o bem-estar de outro homem”. Sumner explicou como o progresso ocorre espontaneamente quando as pessoas são livres: “O moderno sistema industrial é uma grande cooperação social... As partes são mantidas juntas por forças impessoais – oferta e demanda. Elas podem nunca se ver; podem estar separadas por metade da circunferência do globo. Sua cooperação no esforço social é combinada e distribuída novamente pelo maquinário financeiro, e os direitos e interesses são medidos e satisfeitos sem absolutamente nenhum tratado ou convenção especial... Esse grande esforço cooperativo é um dos grandes produtos da civilização”.

Durante a guerra civil americana, o governo federal havia criado altas tarifas (impostos sobre as importações) para ajudar a cobrir os custos militares, e essas tarifas persistiram por muito tempo depois. “Taxas de 40%, 50%, 60%, e até 100% sobre as importações”, relatou o historiador Frank W. Taussig, “passaram a ser defendidas como um benefício em si por muitos que, em circunstâncias normais, teriam considerado tal política um absurdo”. Sumner insistiu que o livre comércio – a liberdade de cada um comprar e vender como quiser – é uma liberdade econômica essencial. Por isso, foi atacado pela imprensa republicana, especialmente pelo New York Tribune, e ex-alunos republicanos exigiram que Yale o despedisse.

Sumner contra-atacou com Protectionism – the Ism Which Teaches That Waste Makes Wealth [“Protecionismo – o ismo que ensina que o desperdício gera riqueza”], publicado em 1885. “Se um protecionista me mostra uma tecelagem e me desafia a negar que ela seja uma grande e valiosa indústria”, escreveu Sumner, “pergunto a ele se é devido à tarifa... Se ele disser que sim, respondo que a tecelagem não é nem mesmo uma indústria. Nós pagamos um imposto de sessenta por cento sobre os tecidos apenas para que aquela tecelagem possa existir. Não é uma instituição cujo objetivo é prover-nos de tecidos, porque se entrássemos no mercado com os mesmo produtos com os quais entramos agora e a tecelagem não existisse, conseguiríamos todo o tecido que desejássemos. A tecelagem é apenas uma instituição que faz com que o tecido custe, por jarda, sessenta por cento a mais do nosso produto do que ele custaria de outra forma... O protecionismo agora está corrompendo nossas instituições políticas assim como a escravidão costumava fazer... Há apenas uma questão razoável que agora se pode levantar a respeito do protecionismo, e é esta: como podemos nos livrar dele o mais facilmente possível?”

Durante a década de 1890, nações por todo o mundo praticaram o imperialismo. Em “Earth Hunger, or the Philosophy of Land Grabbing” [“Fome de terras, ou a filosofia da tomada de territórios”], seu ensaio de 1896, Sumner explodiu: “A fome de terras é o apetite mais voraz das nações modernas. Elas derramarão seu sangue para saciá-lo... A noção é que colônias são uma glória. A verdade é que colônias são fardos – a não ser que sejam saqueadas, caso em que elas são inimigos”.

Um número crescente de americanos sentia que eles tinham de ter algum tipo de império. O Havaí (então conhecido como Ilhas Sandwich) havia feito tratados com os Estados Unidos, encorajando investidores americanos a desenvolver plantações de cana-de-açúcar, e eles prosperaram. Quase 100% do açúcar havaiano era exportado para os Estados Unidos. Mas a tarifa McKinley de 1890 ameaçou fechar o mercado americano, colocando em perigo todos os investimentos feitos no Havaí. Consequentemente, os proprietários das plantações de cana-de-açúcar fizeram lobby em Washington para que os Estados Unidos tornassem o Havaí um território americano, medida que anularia o efeito da tarifa McKinley sobre o Havaí. Em 1893, os Estados Undos invadiram o Havaí, e a rainha foi deposta. Sumner protestou contra a intervenção militar em seu ensaio “The Fallacy of Territorial Expansion” [“A falácia da expansão territorial”], publicado na Forum de junho de 1896.

Mas os imperialistas americanos queriam mais. The Influence of Sea Power upon History, 1660-1783 “A influência do poder naval sobre a história, 1660-1783”, do almirante Alfred Thayer Mahan, alegava que o futuro pertencia às nações com grandes marinhas, e políticos republicanos como Henry Cabot Lodge, Albert J. Beveridge e Theodore Roosevelt agressivamente promoviam as ideias de Mahan. O jornal The Washington Post noticiou: “O gosto do império está nas bocas do povo como o gosto do sangue na selva”.

Em 1895, os cubanos se rebelaram contra o domínio espanhol, e a Espanha retaliou violentamente, com jornais como o New York World e o New York Journal cobrindo os horrores na primeira página. Em 15 de fevereiro de 1898, o navio de guerra americano U.S.S. Maine explodiu no porto de Havana, e 260 pessoas morreram, supostamente porque o navio havia atingido uma mina submarina espanhola. Entre gritos de “Lembrem-se do Maine!”, o Congresso americano autorizou gastos de US$ 50 milhões para a defesa nacional. Em 20 de abril, o Congresso aprovou uma resolução conjunta autorizando forças militares a invadirem Cuba. Em dez semanas, forças americanas derrotaram facilmente os espanhóis em Cuba, e também nas Filipinas. O embaixador americano na Grã-Bretanha (que logo se tornaria Secretário de Estado), John Hay, disse a Theodore Roosevelt, “Foi uma guerrinha esplêndida”.

A guerra hispano-americana indignou Sumner. Em 16 de janeiro de 1899, ele fez um discurso desafiador em um auditório lotado na Universidade de Yale. Intitulado “The Conquest of the United States by Spain” [“A conquista dos Estados Unidos pela Espanha”], o texto subsequentemente apareceu no Yale Law Journal. Ele declarou, “Nós derrotamos a Espanha em um conflito militar, mas estamos nos submetendo a ela no campo das ideias e políticas... É o militarismo que está devorando todos os produtos da ciência e da arte, derrotando a energia da população e desperdiçando suas economias. É o militarismo que proíbe as pessoas de voltar sua atenção aos problemas de seu próprio bem-estar e de dedicar suas forças à educação e ao conforto de seus filhos”. Invectivou contra “guerra, dívida, taxação, diplomacia, um grande sistema governamental, pompa, glória, um grande exército e marinha, gastos extravagantes, desonestidade política – em uma palavra, imperialismo”.

Sumner atacou a hipocrisia do imperialismo. “Os americanos”, ele escreveu, “não conseguem garantir vida, propriedade, e a busca da felicidade aos negros dentro dos Estados Unidos. Quando a residência do chefe dos correios negro foi incendiada durante a noite na Carolina do Sul, e não apenas ele, mas também sua esposa e filhos, foram assassinados ao saírem da casa, e quando, além disso, tal incidente não foi objeto de investigação legal ou punição, foi um mal augúrio para a extensão da liberdade, etc., a malaios e tagalos pela simples imposição da bandeira americana sobre eles”. Tanto democratas quanto republicanos exigiram a demissão de Sumner de Yale.

Sumner relembrou o sonho americano: “Os homens que vieram para cá tiveram a possibilidade de se livrar das amarras da tradição e das doutrinas estabelecidas... Foi uma grande oportunidade de abandonar todas as loucuras e erros que tinham herdado... Sua ideia era jamais permitir que nenhum dos abusos sociais e políticos do velho mundo crescesse aqui... Não haveriam exércitos, exceto por uma milícia que não teria outra função senão a de polícia. Não teriam corte nem pompa; nem ordens, ou fitas, ou condecorações ou títulos... Se dívidas surgissem durante a guerra, elas deveriam ser pagas durante a paz, e não legadas à posteridade... [O cidadão] teria, acima de tudo, a garantia de paz e silêncio enquanto realizasse seu trabalho honesto... O cidadão aqui jamais seria forçado a abandonar sua família ou entregar seus filhos para que seu sangue fosse derramado pela glória e as viúvas e órfãos deixados na miséria para nada. A justiça e a lei reinariam sobre a simplicidade, e um governo com pouco a fazer ofereceria pouco campo às ambições... É por conta dessa concepção de comunidade que os Estados Unidos representaram algo único e grandioso na história da humanidade e que seu povo foi feliz”.

Enquanto produzia seus ensaios anti-guerra, Sumner dedicou-se também à sociologia acadêmica, e o resultado foi seu projeto Science of Society [“Ciência da sociedade”]. A parte sobre costumes se estendeu por cerca de 200.000 palavras, e ele decidiu publicá-la separadamente como Folkways “Costumes populares”. Ele pesquisou costumes acerca de sexo, casamento, esportes, teatro, educação, e assim por diante, descrevendo sua evolução como um longo processo espontâneo. Folkways se tornou seu livro mais conhecido.

Sumner sofreu um derrame em 1907, e se aposentou de Yale em junho de 1909. A partir daí, quase todo o seu tempo era passado em sua casa, no número 120 da Edwards Street, em New Haven. Em setembro do mesmo ano, ele foi a Nova York para uma reunião da American Sociological Society, que ele presidia. Ele estava no hotel Murray Hill quando sofreu outro derrame. Com seu lado esquerdo paralisado, ele foi levado ao hospital Englewood, em New Jersey. Foi transferido para a casa de seu filho, em Englewood, onde faleceu no dia 10 de abril de 1910. Tinha sessenta e nove anos. Houve uma missa fúnebre na Battell Chapel, em College Street, na Universidade de Yale, e ele foi enterrado no jazigo da família de sua esposa, em Guilford, Connecticut.

Neste momento, a era progressista estava em ascensão e Sumner estava muito fora de moda. Por exemplo, o escritor Upton Sinclair, conhecido por suas denúncias, chamou-o de “primeiro-ministro do império da educação plutocrática”. Mas Albert Galloway Keller, aluno de Sumner, fez com que seu legado intelectual permanecesse disponível para as gerações futuras. Ele reuniu os ensaios de Sumner em quatro volumes: War and Other Essays “Guerra e outros ensaios”, Earth Hunger and Other Essays “Fome de terras e outros ensaios”, The Challenge of Facts and Other Essays “O desafio dos fatos e outros ensaios”, e The Forgotten Man and Other Essays “O homem esquecido e outros ensaios”. Depois editou os milhares de páginas de anotações de Sumner para os quatro volumes de Science of Society “Ciência da sociedade”, um vasto catálogo das instituições humanas conforme sua evolução por todo o mundo. Algumas passagens evocavam a paixão dos ensaios de Sumner. Por exemplo, Sumner e Keller escreveram, “A luta pela propriedade é a luta pela liberdade. Aquele que sente as limitações de sua situação e deseja ganhar domínio sobre ela, que é a liberdade, descobre que só pode fazê-lo através da propriedade. O esforço para obter propriedade estimula as virtudes sociais... A propriedade é tão sagrada quanto o casamento... É a maior fonte de estabilidade e equilíbrio que existe”. Keller então escreveu Reminiscences of William Graham Sumner “Reminiscências de William Graham Sumner”, e no ano seguinte ele colaborou com Maurice R. Davie, lançando uma coleção de ensaios de Sumner em dois volumes. “Numa época que anseia pelo coletivismo”, refletiram, “é bom ter à mão o antídoto de uma declaração poderosa de um individualista implacável”.

A culpa pela grande depressão, pelo fascismo e por praticamente todos os outros males foi atribuída ao livre mercado, e quando ninguém mais queria relembrar Sumner, eles o desacreditaram. Richard Hofstadter chamou-o de “defensor do status quo”, e Robert Green McCluskey disse com escárnio que Sumner tinha “uma visão de sociedade na qual a beleza, a caridade e a fraternidade não poderiam encontrar lugar, na qual a riqueza e o interesse seriam as normas vigentes”.

Os opositores conseguiram o que queriam, e durante as últimas três décadas o governo americano gastou mais de US$6 trilhões em mais de setenta programas de combate à pobreza, e, no entanto, a taxa de pobreza é mais alta do que era em 1965. Mesmo os defensores desses programas começaram a admitir que dar dinheiro teve o efeito nocivo de encorajar a dependência. Tornou-se aparente que o passo mais importante para as pessoas pobres – assim como para alcoólatras ou dependentes químicos em recuperação – é assumir responsabilidade pela própria vida, que é o que William Graham Sumner advogava em seus ensaios.

Além disso, alguns dos críticos de Sumner reconheceram sua constante defesa da paz. O historiador Page Smith notou que “Sumner foi um franco inimigo do imperialismo”. Ele estava certo quando declarou que o poder político é uma coisa perigosa. Ele corretamente avisou que a guerra subverte as instituições livres com impostos esmagadores, dívidas monstruosas, censura odiosa, recrutamento militar obrigatório, e mortes brutais. Ele tinha razão ao dizer que a guerra transforma pessoas civilizadas em selvagens. Estava certo ao dizer que limites constitucionais ao poder político oferecem a melhor esperança de proteger a paz.