Biografia: William Stanley Jevons

William Jevons foi um dos três homens que simultaneamente propuseram a chamada revolução marginal. Trabalhando completamente separados uns dos outros – Jevons em Manchester, na Inglaterra; Leon Walras em Lausanne, na Suíça; e Carl Menger em Viena – cada um desenvolveu a teoria da utilidade marginal para compreender e explicar o comportamento do consumidor. A teoria sustenta que a utilidade (valor) de cada unidade adicional de uma commodity – a utilidade marginal – é cada vez menor para o consumidor. Quando você está com sede, por exemplo, você obtém um grande benefício com um copo de água. Uma vez que você mata sua sede, o segundo e o terceiro copo se tornam cada vez menos atraente. Se sentindo satisfeito, você, consequentemente, se recusará a beber mais água. O “valor”, disse Jevons, “depende inteiramente da utilidade”.

Essa afirmação marcou um significativo afastamento da teoria clássica do valor, que afirmava que esse derivava do trabalho usado para produzir um bem ou, mais geralmente, do custo de produção. Assim começou a escola neoclássica, que é, ainda hoje, dominante na economia.

Jevons continuou a definir a “equação da troca”, que mostra que para um consumidor que esteja maximizando a sua utilidade, a razão entre a utilidade marginal de cada item consumido e seu preço deve ser igual. Se não for, então o consumidor pode, com uma renda dada, redistribuir o consumo e, assim, aumentar a utilidade.

Tome, por exemplo, um consumidor cuja utilidade marginal a partir de laranjas é 10 “utils” e a partir de biscoitos é 4 “utils”, quando ambos têm o preço de $0,50 cada. A razão da utilidade marginal pelo preço do consumidor para as laranjas é de 10/$0,50, ou 20, e para os biscoitos é de 4/$0,50, ou 8. Jevons teria dito (e economistas modernos concordariam) que isso não satisfaz a equação da troca e, portanto, o consumidor trocará as compras. Especificamente, o consumidor poderia aumentar a utilidade gastando $0,50 menos em biscoitos e usando o dinheiro para comprar laranjas. Ele perderia 4 utils nos biscoitos, mas ganharia 10 nas laranjas, tendo um ganho líquido de 6 utils. Ele terá esse incentivo para redistribuir as compras até a equação da troca se sustentar (por exemplo, até a utilidade marginal das laranjas e a utilidade marginal dos biscoitos subir a um ponto em que, como razão dos seus preços, eles forem iguais). 

É claro, como é verdade com a maioria dos novos desenvolvimentos da teoria econômica, que alguém pode sempre achar escritores antigos que diziam coisas parecidas. O papel de Jevons na revolução marginal não é exceção. Muito do que ele disse já tinha sido dito antes por Hermann Gossen, na Alemanha; Jules Dupuit e Antoine Cournot, na França; e Samuel Longfield, na Grã-Bretanha. Não obstante, historiadores do pensamento econômico têm certeza de que Jevons nunca os leu.

Jevons propôs muito menos considerações no lado da produção da economia. É irônico, portanto, que ele tenha se tornado famoso na Grã-Bretanha pelo seu livro The Coal Question [“A questão do carvão”], onde ele escreve que a vitalidade industrial da Grã-Bretanha dependia do carvão e, portanto, declinaria conforme esse recurso se exauria. Como as reservas de carvão se esgotavam, escreveu, seu preço subiria. Isso tornaria viável para os produtores extrair carvão de jazidas mais pobres ou mais profundas. Ele também argumentou que os Estados Unidos cresceria para se tornar uma superpotência industrial. Embora sua previsão estivesse certa tanto para a Grã-Bretanha quanto para os Estados Unidos, e ele estivesse certo quanto ao incentivo para abrir minas em jazidas mais ricas, ele estava, com certeza, quase errado com o fato de que o principal fator era o custo do carvão. Jevons falhou em analisar o fato de que conforme o preço de uma fonte de energia sobe, os empreendedores têm um forte incentivo para inventar, desenvolver e produzir fontes alternativas. Em particular, ele não antecipou o óleo ou o gás natural. Igualmente, ele não considerou o incentivo, conforme o preço do carvão subia, para usá-lo de forma mais eficiente ou para desenvolver tecnologia que derrubasse o custo de descobrir e abrir minas (veja recursos naturais)

Nascido em Liverpool, na Inglaterra, Jevons estudou química e botânica no University College, em Londres. Por causa da falência do negócio de seu pai, em 1847, Jevons deixou a escola para assumir a posição de ensaiador de minérios, no Mint, em Sidney, na Austrália. Ele permaneceu lá por três anos, retornando aos estudos no University College quando de sua volta à Inglaterra. Mais tarde, foi nomeado para ocupar a cadeira de política econômica naquela universidade e lá se aposentou em 1880. Dois anos mais tarde, com vários livros inacabados em curso, Jevons se afogou enquanto nadava. Ele tinha quarenta e seis anos.

Tradução de Naraína Araujo