China e Brasil têm algo em comum

Ao ler o trecho abaixo, pensei muito no Brasil. Por que?

But listen, the sad reality is, the CCP’s systems of censorship are so effective not because they are diabolically sophisticated, but because… because the Chinese netizens can’t give a damn if they are being censored by their government or not. You don’t believe me? Then perhaps you have a better theory to explain why nobody uses the widely available, free web proxies to surf the internet. Or why the majority of Chinese netizens still use Google.cn when they have an identical search engine that is not manipulated on Google.com Shocking, right? But not so much. The truth is that, in spite of popular funny memes and the occasional juvenile rant, the majority of Chinese who are rich enough to use the internet are happy with the status quo. They do find it mildly annoying to be treated like children by the CCP, but as long as the bills are paid, they don’t think so much of it. And this is also why, if someone wants to create a device against the GFW, the user activated systems like proxies or Tor are not effective, because people simply don’t use them.

Atenção ao penúltimo parágrafo. Um país gera crescimento econômico e o mesmo gera um relativo conforto econômico para muitos que, então, não se importam tanto com outros aspectos da vida. Afinal, se sou rico e posso burlar a lei, que motivos eu teria para me preocupar com a liberdade política?

Fico a pensar se a inércia eleitoral dos últimos 16 anos (2FHC + 2Lula) não tem a ver com isso. Em outras palavras, incentivos econômicos podem, sim, ser bastante poderosos. Não adianta xingar, chamar o economista de "utilitarista" ou de "unidimensional". Mais importante do que isso é pensar em como criar outros incentivos que, além da desejada liberdade individual em termos monetários (e, portanto, de satisfação), gere também mais liberdade política.

É um desafio antigo, mas os dois países estão diante o mesmo problema, creio.