Considerações sobre o relativismo cultural

Relativismo cultural é a ideia de que não podemos julgar outras sociedades com base em nossos próprios valores. Sendo assim, não poderíamos julgar os costumes das sociedades antigas (romana ou grega, por exemplo) com base em nossos valores morais atuais.

Apesar de poder fazer sentido à primeira vista, a ideia do relativismo cultural esconde uma hipótese implícita: a necessidade de falta de contato com sociedades mais desenvolvidas. Claro que não podemos cobrar das sociedades antigas um padrão moral mais atual. Afinal, na época das mesmas tais padrões morais não existiam.

Torna-se importante ressaltar que a ideia do relativismo cultural não se aplica a sociedades que têm contato com outras. A partir do momento que se tem contato com outro conjunto de valores, torna-se uma opção de cada sociedade qual desses padrões seguir. Sendo assim, me parece incorreta a ideia de que não podemos classificar determinadas sociedades como sendo moralmente superiores a outras.

Sociedades que defendem a liberdade individual – os direitos civis, que abominam regimes totalitários, e que de maneira alguma usam o poder do estado para impor coercitivamente determinadas crenças religiosas – são claramente superiores às demais. E acredito que esteja na hora de tais sociedades se orgulharem disso.

De minha parte, acredito que quando um homem, que foi criado numa sociedade machista, espanca uma mulher ele deve ser punido. E isso independe do país onde ele esteja, seja isso no Brasil, nos Estados Unidos ou no Irã. Relativismo cultural não se aplica a partir do momento que você teve contato com valores mais elevados. Você pode até preferir continuar seguindo seu antigo conjunto de valores, mas isso será escolha sua: com todos os benefícios e custos associados.