Constantino sobre o "fascismo liberal"

O economista Rodrigo Constantino, autor do livro Privatize Já, escreve no jornal O Globo sobre as constantes acusações despejadas sobre os liberais defensores do livre mercado de que seriam "fascistas" ou "reacionários".

Constantino aponta com clareza o vazio conceitual de tais acusações: qualquer pessoa com conhecimentos mínimos a respeito do fascismo conseguiria identificar ele é fundado sobre princípios obviamente antiliberais.

Os liberais defensores do livre mercado são comumente chamados de “reacionários” ou de “fascistas” pela esquerda. O que nem todos sabem é que o fascismo sempre foi um casamento entre nacionalistas, sindicatos e grandes empresários, em uma simbiose totalmente antiliberal. Para Robert Paxton, em “A anatomia do fascismo”, o programa fascista era “uma curiosa mistura de patriotismo de veteranos e de experimento social radical, uma espécie de “nacional-socialismo’”. Donald Sassoon, em “Mussolini e a ascensão do fascismo”, mostra como o clientelismo, a mentalidade antiparlamentar presente na tradição socialista italiana, e um dos mais altos índices de sindicalização da Europa ajudaram a levar os fascistas ao poder. O próprio Mussolini foi socialista, gostava de se identificar como “homem do povo” e se dizia um defensor da classe operária. Sua visão era extremamente coletivista, bem sintetizada na máxima: “Tudo no Estado, nada contra o Estado, e nada fora do Estado.” Não existe nada menos liberal que isso!

Em dezembro do ano passado, Flávio Morgenstern publicou aqui no OrdemLivre.org um excelente artigo em que discute o curioso uso de termos e classificações no debate político.

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