Crescimento econômico e meritocracia

Seja nas rodas de amigos, nos debates acadêmicos, ou nos editorias da grande imprensa, a questão do crescimento econômico está sempre presente. O que fazer para impulsionar o crescimento econômico? Essa pergunta muitas vezes é respondida com certezas absurdas. Por exemplo, nas rodas de amigos, sempre há alguém para dizer que o sucesso dos grandes países deve-se ao patriotismo, ou às suas posturas imperialistas. Resposta que, apesar de atrair aplausos, tem pouca sustentação racional. A grande imprensa também tem seus favoritos, entre eles, a resposta “investir em educação”.

Infelizmente, investir em educação não basta; é nesse ponto que cabe uma melhor explanação. Os antigos países comunistas do leste europeu costumavam ter bom desempenho no quesito educacional; contudo, nunca se destacaram por seu crescimento econômico. O mesmo vale hoje: temos países com bom desempenho educacional, mas fraco desempenho econômico. A chave desse aparente mistério reside na meritocracia. De pouco adianta investimentos maciços em educação, se o mercado de trabalho não remunera o mérito individual. E só existe uma maneira do mercado de trabalho remunerar o mérito: existência de muita competição entre as empresas.

Em países fechados, ou com pouca abertura para o exterior, as empresas domésticas se encontram num regime de relativa proteção contra a competição do resto do mundo. Nesse tipo de ambiente, fica barato para as empresas tomarem decisões erradas no que se refere a sua política de promoção. Qual é o problema de se promover os menos aptos em detrimento dos mais aptos? Em ambientes com muita competição, tal decisão diminui a eficiência da empresa fazendo com que perca mercado e lucrem suas rivais. A insistência em se promover os menos aptos acaba por levar a empresa à falência. Contudo, na ausência de competição, essa disciplina de mercado não funciona. A perda de eficiência - devido à promoção dos menos aptos - agora é repassada aos custos, restando aos consumidores terem de pagar pela decisão errada da empresa. Dessa maneira, na ausência de competição, é a sociedade quem paga pela ineficiência da regra de promoção da empresa. Em última instância, a baixa eficiência das firmas traduz-se num baixo crescimento econômico.

Investir em educação é importante, mas sem uma disciplina de mercado (forte competição) é pouco provável que tal investimento se traduza em crescimento econômico. Imagine agora um país que, além de se confrontar com pouca competição, possui também um setor público grande, no qual se pagam altos salários, e nunca demite seus funcionários (e não faz a menor questão de considerar o mérito como um critério de promoção). Percebe-se neste cenário uma segunda distorção: boa parte dos melhores profissionais passa a trabalhar para o estado, em vez de estar gerando riqueza no setor privado da economia.

A questão do crescimento econômico é vital para um país; a maneira mais evidente de promovê-lo é valorizar o mérito individual. Numa economia de mercado, é a extrema competição entre empresas que garante o reconhecimento do mérito. Sendo assim, qualquer política pública que limite a competição numa sociedade, limita também o reconhecimento e a busca pelo mérito; em última instância, limita também o crescimento econômico do país.