Economia, opinião e conhecimento

Mortimer Adler oferece uma diferença psicológica entre o ato de conhecer e o ato de opinar: "nós opinamos quando o consentimento de nossas mentes é voluntário. Nós conhecemos quando o consentimento de nossas mentes é involuntário". 2+2=4 é um conhecimento. Se uma pessoa lhe mostra dois cigarros em cada mão e pede para que você lhe diga o total de cigarros, você é compelido a dizer quatro. No ato de conhecer, a realidade exige a submissão da vontade.

Mas, lamenta Adler, muito do que fazemos com os alunos nas escolas é exigir a memorização de teoremas, não sua compreensão. Quando o professor de matemática diz que o quadrado da hipotenusa é igual à soma do quadrado dos catetos, o professor entende os fundamentos geométricos do teorema e, portanto tem o conhecimento da matéria. Os alunos, no entanto, apenas admitem que o teorema de Pitágoras é verdadeiro porque foi o que o professor disse. Acaba ocorrendo que uma parte imensa do que se faz nos colégios é exigir que o que o professor diz seja aceito como uma parede de autoridade opaca que separa a realidade dos alunos. Não há uma diferença clara entre o ensino da opinião e o ensino do conhecimento.

Enquanto muitas ciências fazem parte do currículo dos ensinos fundamental e médio, o primeiro contato formal que os estudantes têm com a economia acontece já no ensino superior. A vantagem é que no ensino superior os alunos já possuem capacidade para que os teoremas lhes sejam explicados em vez de simplesmente expostos e exigida a memorização. Assim, o estudo da economia costuma oferecer uma explicação, se não completa, pelo menos mais inteligível sobre o funcionamento da sociedade.

É por isso que o economista David D. Friedman entende que a economia "é, num sentido bastante real, sua própria ideologia." As proposições básicas da economia não são aceitas como formas de opinião, mas como conhecimento. A economia é "sua própria ideologia" porque, ao limitar a possibilidade de opinar, o conhecimento econômico restringe as variações ideológicas. Assim:

"É quase impossível ser um bom economista e aceitar os argumentos conservadores tradicionais contra o livre comércio - porque esses argumentos dependem de não compreender idéias econômicas formuladas aproximadamente duzentos anos atrás. É quase impossível ser um bom economista e aceitar a retórica esquerdista comum sobre "as pessoas e não o lucro" ou coisa que o valha - porque um bom economista sabe que o argumento no outro lado não é sobre o lucro como um fim em si próprio, mas sobre os lucros como parte de um sistema sinalizador que resulta em benefício para as pessoas".

O conhecimento reconhece a autoridade da realidade, enquanto a opinião atribui autoridade à própria volição (própria ou alheia). Se o funcionamento da sociedade é objeto de opinião, as possibilidades teóricas expandem-se no céu das imaginações humanas. O conhecimento algema nossa própria autoridade, e faz com que não raciocinemos a partir da autoridade alheia, ou da nossa própria.

Essa é uma hipótese que talvez explique por que, em vários casos pessoais, o aprendizado da economia nas faculdades funciona como um antídoto contra as opiniões infundadas sobre o funcionamento da sociedade e os ataques ao mercado livre.