Frédéric Bastiat e sua obra

Bastiat

O economista francês Frédéric Bastiat era um racionalista. Ele deduziu sua teoria de governo limitado e harmonia econômica diretamente de uma teoria abstrata da lei natural e direitos naturais.

Bastiat ficou conhecido como um brilhante economista e crítico incansável das falácias estatistas e protecionistas. Foi também um dos primeiros defensores da teoria da ordem espontânea.

Segundo o autor, a ordem social fundamentada em direitos individuais não leva necessariamente a sociedade ao caos. Um exemplo perfeito disso é o direito consuetudinário (common law) - um sistema jurídico baseado na ordem espontânea em forma de lei, no qual dois indivíduos descobrem uma maneira de resolver um problema entre eles e tornam-se um exemplo (positivo ou negativo) para os outros.

A linguagem é outro exemplo da evolução da ordem espontânea da humanidade.

O ensaio mais famoso de Bastiat talvez seja o "O que se vê e o que não se vê". Este ensaio define perfeitamente o que muitos economistas não entendem até hoje, custos de oportunidade. A fundamentação do raciocínio econômico é que há custo para tudo. Geralmente podemos ver claramente os benefícios de nossas ações, mas o mesmo não ocorre facilmente quanto aos seus custos. Estes custos de oportunidade não vistos são previstos pela mente, já que eles não se realizam e, querendo ou não, têm de ser levados em conta.

O texto "A janela quebrada" critica uma das falácias mais imortais e difundidas através dos tempos. Diferentemente do conhecimento de ciências como a física, a química e a matemática, o conhecimento econômico é esquecido com o passar do tempo. As pessoas e os seus representantes políticos se esquecem das experiências ruins do comunismo, das guerras, dos custos que tiveram que arcar, etc. E toda vez que algum desastre (natural ou não) acontece, e.g. 11 de setembro, terremotos, tsunamis, esta falácia toma conta das manchetes dos jornais ao redor do mundo. "É uma terrível catástrofe, mas impulsionarará a economia" ou "a reconstrução da cidade ajudará a criação de empregos e aumentará a produção" são frases que aparecem nas notícias. O que os jornalistas e economistas medianos falham em perceber ou não veem é que gastar as poupanças ou riquezas na reconstrução do que foi destruído não é bom nem para a economia nem para as pessoas. É destrucionismo. A destruição não pode estimular coisa alguma porque ela não pode criar riqueza.

Bastiat fez esta crítica muito antes da escola keynesiana surgir como o principal pensamento econômico atual e isto só mostra que desde aquela época esta falácia já estava presente.

Um exemplo atual deste pensamento deturpado é o notório ganhador do prêmio Nobel de economia, Paul Krugman e sua janela quebrada alienígena. (Assista o vídeo aqui)

Restrições de comércio e protecionismo são assuntos também críticados por Bastiat.

A sua análise da natureza da intervenção do estado e a delegação de poder, numa visão jeffersoniana/lockeana, são particularmente excelentes.

Os maiores presentes deixados por Bastiat foram seu estilo de crítica e sua argumentação reductio ad absurdum. Levar um argumento à sua consequência lógica, demonstrando falsas premissas ou conclusões erradas.

Um ensaio brilhante e extremamente coerente com este tipo de argumento é o "A Petição" (Livro "Ensaios" página 83), que tem um final inesperado e surpreendente.

Bastiat nos ensinou também que, uma análise econômica ou política correta precisa ser coerente, e não somente ter uma conclusão já formada e juntar argumentos diferentes para justifica-lá. E que as falácias econômicas são eternas; geração após geração, elas retornam e é o dever de todo esclarecido refutá-las, não importa quantas vezes.

Qualquer pessoa interessada em analisar políticas públicas deve sempre ver o que não é visto, lembrar do indivíduo esquecido que está na base da pirâmide, inverter o raciocínio e perguntar-se: qual é a real motivação desta medida ou política? Quais os custos para os indivíduos e a sociedade?.

Para saber mais sobre o legado de Bastiat e suas análises sobre os mais variados temas como ódio às máquinas, sabotagem, leis anti-dumping e a injustiça do ato de vender abaixo do custo em um país estrangeiro, leia seus ensaios.

Livro "Ensaios" disponível na biblioteca do OrdemLivre.