Governo federal e montadoras: a mão que protege é a mão que intervém

As montadoras de veículos instaladas no Brasil pediram uma forcinha ao governo federal, mas podem acabar tendo que engolir uma intervenção maior do que a requisitada.

Segundo matéria da Folha de São Paulo, a presidente Dilma Rousseff estuda a possibilidade de pedir às montadoras que abram as suas contas e suas margens de lucro:

O Executivo avalia que dá incentivos a um setor sem conhecer a real situação financeira das fabricantes. Por isso, deseja "sair do escuro" e, eventualmente, cobrar reduções mais agressivas de preços, sobretudo, quando houver incentivos federais, como os anunciados na segunda. Por lei, companhias de capital fechado, a maioria do setor, não são obrigadas a divulgar seus balancetes.

A intervenção governamental no mercado é certamente parte daquela categoria de coisas que sabemos como começam, mas jamais como vão terminar. As montadoras pediram para que o governo interferisse em seu favor; o convidaram a intervir em seus negócios, acreditando que jamais acabariam vítimas.

A movimentação do governo em direção ao controle dos lucros dos fabricantes de veículos está longe de ser surpresa: a mão que protege é a mesma que intervém. O controle governamental sobre os preços de uma empresa privada é uma aberração. Nenhuma empresa deve ser obrigada a divulgar os seus lucros e nenhuma, entre as de capital fechado, deve abrir o seu balancete.

Mas o caso das montadoras em solo nacional guarda uma particularidade. Depois de ser convidado tantas vezes a ajudá-las, o governo brasileiro parece não mais as ver como companhias privadas. Ele se vê como um dos seus sócios.

Governo é força -- e o governo brasileiro é intervencionista. Disso, as montadoras estrangeiras já sabiam. Agora, deve chegar a vez das montadoras nacionais. E elas não podem dizer que não sabiam de nada...


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