Gramática política

O filósofo da linguagem Ludwig Wittgenstein (1889-1951) definiu: "Os limites de minha linguagem significam os limites de meu mundo”. Não são apenas palavras, e sim conceitos: Com pouco vocabulário conceitual, pouco se pode conhecer do mundo.

Para uma correta apreciação do fenômeno político, é preciso um vocabulário conceitual vasto, que dê conta de explicar ideias opostas e suas imbricações entre correntes que são radicalmente antagônicas e, muitas vezes, nem por isso deixam de ter pontos de intersecção comuns.

Se na química tem-se uma disciplina específica apenas para nomenclatura de novos compostos e sua categorização, é nas soft sciences, como a ciência política, há pasto e circunstância para tudo ser amacetado e retrabalhado conforme a visão do próprio observador.

Se um químico não toma o partido de um sulfureto de chumbo perante um cloreto estanoso diidratado, na ciência política um observador nunca pode se considerar imparcial ao falar de esquerda, direita, liberalismo, social-democracia ou ideologias que, de tão assustadoras, ganharam carga psicológica negativa por si, como comunismo e fascismo. Fatalmente, o próprio cientista tem sua preferência por um, e analisa tanto a si próprio quanto ao outro agente teórico e/ou político sob tal viés.

O problema não se encontra apenas em palavras. Mesmo componentes menores, como sufixos, são problemáticos. É comum ouvir, por exemplo, que não se pode mais ser comunista, visto que o bloco soviético ruiu em 1991.

Ora, o sufixo –ista pode indicar muitas coisas: tanto ser membro de um Partido Comunista assentado em alguma democracia, apenas tendo apreço pela ditadura do proletariado, quanto ser alguém sem apreço ideológico algum, mas que faz parte do maquinário burocrático do Partido-Estado, visto que, caso se nasça em algum país dominado pelo Partido único, não há escapatória para trabalho a não ser para o próprio regime – caso de muitos cientistas com pouca atividade política que trabalharam ativamente para a elite soviética.

Pode-se complicar ainda mais uma única palavra quando se unem sufixos a palavras com apelo psicológico forte, mas de significado desvinculado de uma taxonomia adequada, que delimite seus contornos em relação às demais.

No espectro político, nenhuma deve sofrer tanto quanto a palavra conservador. Nitidamente visualizada com valor pejorativo, a palavra é enganosa tanto em sua raiz quanto em seu sufixo.

“Conservador” é um termo que pode simplesmente apontar para alguém apegado ao passado, como nossas avós escandalizando-se com o que veem nas novelas da TV, independentemente de suas posições políticas (felizmente poucas delas sabem navegar na internet). Um músico, um estilo artístico, o layout de um jornal, o treinamento de um jogador de tênis: todas essas coisas podem ou não ser “conservadoras”.

Todavia, há também o conservadorismo. Este –ismo, apesar de parecer apenas uma manobra gramatical, faz toda a diferença. Aqui não falamos apenas do apego a qualquer tradição, e sim de um conjunto de normas, valores e posturas políticas compiladas por intelectuais – sobretudo o irlandês Edmund Burke (1729-1797) – que precisaram dar um nome ao novo arcabouço conceitual.

Escolheram o termo conservatism, mas poderia ter sido qualquer outro que propagandeasse um dos pilares fundamentais de sua doutrina – poderia ser “moralitismo”, por exemplo. Sequer a “conservação” é necessariamente a principal diretriz de uma política conservadora: se um conservador político subir ao poder logo depois de duas décadas de agitação promovidas por um revolucionário, precisará mudar e reformar as instituições de cima abaixo para promover sua ideologia.

Não à toa, o próprio Edmund Burke é famoso pelo seu apoio aos revolucionários americanos, e não um fanático obscurantista defensor eterno do statu quo como o melhor dos mundos possíveis (tendência hegeliana repudiada por 9.999 em cada dez mil conservadores).

Um “conservador”, portanto, pode ter pouco ou nada a ver com o “conservadorismo”.

Uma vovó escandalizada com um beijo lésbico na novela pode muito bem também achar Lula o sacrossanto pai dos pobres, assim como forças retrógradas em países dominados pela esquerda também são tachadas pelo mesmo apelido: Mahmoud Ahmadinejad é um dos “conservadores” do regime dos mulás iranianos, sendo inimigo mortal de qualquer um dos “conservadores” ligados ao conservadorismo (seu sistema político-econômico é completamente baseado na União Soviética), assim como Nicolae Ceau?escu foi o “conservador” do bloco soviético que quis manter a linha-dura stalinista mesmo com a abertura promovida por Gorbachev. Não é preciso buscar maiores inimigos de Burke, Paine, Kirk, Voegelin, Tocqueville ou Peyrefitte no mundo, contudo.

Muitas vezes, sequer os próprios conservadores (ou as vítimas de tal mistureba conceitual) percebem a salada russa. No caso em questão, para o analista político ruim ou manipulador, há um prato cheio para vender preconceitos na forma de análises sólidas.

Quando se fala em “esquerda” e “direita”, por exemplo, é comum tratá-las como termos relativo um ao outro, pois os significantes dos signos (as próprias palavras escolhidas para representar cada um dos conceitos) foram, originalmente, escolhidas por sua relação diretamente oposta (os “novos” e os “velhos” direitos pós-Revolução Francesa).

Aqui, falamos de tendências aglutinadoras gerais (há várias esquerdas e direitas, como há várias posturas que tomam um pouco de cada), e é bem possível que um país que não tem exatamente as mesmas tradições de pensamento político da França tenha apenas tendência à esquerda entre suas facções (mesmo numa democracia), ou mesmo só à direita (talvez Israel seja o único exemplo deste caso, hoje).

Contudo, como tais signos enganam, é comum que o analista que defenda uma das tendências confunda-a com a própria noção de “bem” na política, jogando todo o resto para o “mal”, identificado à perfeição com a tendência oposta. Assim, o que o analista defende é “a esquerda”, e tudo aquilo que não for bom ou gerar resultados desprezíveis é imediatamente pechado como “direita”, mesmo que não tenha relação nem remota com a tradição “de direita”.

É um erro que Norberto Bobbio comete com certa frequência em seu tratado Direita e esquerda: razões e significados de uma distinção política, assim como, com muito menos garbo e elegância, Mino Carta, ao “explicar” que Stalin é “de direita” [http://www.youtube.com/watch?v=l4-wZGkjECs] porque não é democrático.

Saudades de Ceau?escu

À guisa de péssimo exemplo, o dono da revista Carta Capital, aliás, não teria mesmo muito mais argumentos para uma sandice deste tamanho. Em uma edição tragicômica de seu seminário, com a chamada de capa “A velha cara da nova direita”, os jornalistas Leandro Fortes e William Vieira espancam sua facúndia para explicar que tudo o que é bom politicamente é de esquerda (e, naturalmente, petista), e tudo o que não for de esquerda é uma massa homogênea malévola, abissal, obscura e comedora de criancinhas chamada “direita”.

Como um dos pilares da esquerda é ser contrária à liberdade econômica (ou seja, contra o indivíduo trabalhar, e ficar com os frutos do trabalho para si, ao invés de seu ganho ser antes remanejado por políticos e burocratas para, só então, depois de subtraído, voltar às suas mãos), a revista fez uma “reportagem” (com o perdão da hipérbole) sobre as instituições que promovem tal liberdade hoje. Como contra-argumentar contra a liberdade seria impossível, furtaram-se ao velho expediente de considerar que defensores do mercado são “a direita”, que é apenas uma massa hiper-homogênea que vai de liberais privatizantes até fascistas totalitários e defensores da ditadura militar, como se fossem uma coisa só.

Com o título de “Saudades de 1964”, Leandro Fortes inventa de estro próprio o conteúdo do que foi um encontro promovido pelo Instituto Millenium em 1.° de março de 2010. Segundo ele, “uma reunião de milionários” (eu e meus amigos saímos de lá de ônibus para nossos aluguéis debaixo de chuva) “festejada pela mídia” (alguém viu um anunciozinho por aí?) marcando “uma nova etapa da luta da civilização ocidental contra o ateísmo comunista e a subversão dos valores cristãos” (o evento convidou Fernando Gabeira, substituído por ninguém menos do que Antônio Palocci, não se discutiu religião e boa parte dos palestrantes eram ateus).

Para novamente se furtar a debater ideias (as únicas palavras citadas do que foi dito foram as piadas do humorista Marcelo Madureira, do Casseta & Planeta), o jornalista afirma de sua caixola que o Instituto Millenium é “muito semelhante” ao Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes), que fomentou o golpe de 1964 (na verdade, produzindo muitos estudos que iam contra a hegemonia esquerdista acadêmica, sendo também financiado por alguns industriais que também apoiaram o golpe). Solta-se então laivos contra a ditadura (conceito fácil de ser atacado) por páginas a fio, buscando acertar com isso os defensores da liberdade econômica, que odeiam a concentração de poder nas mãos de políticos.

Para isso não falta dizer que os defensores da liberdade econômica replicam “as mesmas ideias que emanam do carcomido auditório do Clube Militar, espaço de recreação dos oficiais de pijama” (uma das primeiras palestras do Fórum da Liberdade foi sobre o fim das forças armadas), ou dizer que o Millenium é “meio empresa, meio quartel” (total de militares escrevendo para o instituto: zero).

O que nossos “analistas” sofrem é de conceitofobia, que é passado de professor para aluno em nossas universidades: se a esquerda é “o Bem”, todo o resto são uma coisa só. Sendo esta coisa “o Mal”, ela não tem necessidade de ser estudada. Assim, fica fácil colocar no mesmo butim os defensores da liberdade econômica, que acreditam que as únicas funções do Estado são garantir a segurança para seus cidadãos realizarem trocas livremente, com fascistas e ditadores militares (Geisel foi o maior criador de estatais do mundo).

Com medo de conceitos que o jornalista não saberia mostrar que estão errados, sobram momentos realmente hilários, como “o discurso liberal esconde um frequente flerte com o moralismo udenista” (2 minutos analisando as inúmeras posturas pró-casamento gay e aborto nos grupos de Liberalismo do Facebook faria o jornalista engolir tais palavras sem manteiga) ou o período mais ridículo já escrito por alguma revista semanal de circulação nacional:

“O símbolo do Millenium é um círculo de sigmas, a letra grega da bandeira integralista, aquela turma no Brasil que apoiou os nazistas.”

Para não apenas cair na risada, eis o símbolo do Millenium:

 Eis a letra sigma:

Eis um corte do símbolo do Millenium:

Alguém mais notou alguma problemática extrema na tentativa desesperadoramente pueril da revista Carta Capital de tentar associar o instituto Millenium com nazistas?! Para não dar o ouro de graça aos meus leitores, fica uma dica: o nome do instituto é... Millenium.

(A propósito, os integralistas apoiaram o fascismo, mas eram contra as teorias racistas do nazismo alemão; não tem nada a ver com o Millenium ou a liberdade de mercado de “moralismo udenista”, mas mostra o conhecimento histórico de quem foge a conceitos.)

Carta Capital não foi a primeira, e não será a última revista inimiga da liberdade a falhar em seu ataque por falta de uma gramática política correta. Em setembro último, a revista Brasileiros legou ao mundo outro rompante de irrisão do mesmo porte (a primeira a se incomodar com a liberdade no semestre foi a revista Caros Amigos). Com a chamada de capa em fundo negro “A direita mostra a sua cara...”, a “reportagem” “investiga” o Instituto Mises.

Também não houve um argumento contrário a qualquer artigo, livro ou podcast do Instituto. Apenas outra hilária tentativa de associar os anarquistas do Instituto Mises aos ditadores militares autoritários:

“Assustador é o brasão do Instituto Mises Brasil que (sic) lembra, por tudo, a TFP (Tradição, Família e Propriedade). O lema do instituto é ‘Propriedade, Liberdade, Paz’.

O rosto no brasão é do ‘patrono’ do instituto, o economista conservador austríaco de origem judaica Ludwig Von Mises, de frente e de perfil. A imagem de perfil guarda uma profunda semelhança com o general Costa e Silva. Talvez seja uma menção proposital.”

Este é o nível de “investigação” do jornalismo dos que pouco estudaram: “analisar” logos, buscando sempre uma associação com uma ditadura (mesmo em um logo com uma letra ou com um perfil em nanquim, onde qualquer velhinho pareceria com qualquer outro velhinho no planeta).

Seria o mesmo que analisar a revista Brasileiros ou a Carta Capital afirmando: “Seu logo é vermelho, lembra o totalitarismo da União Soviética, portanto deve defender a ditadura do Ceau?escu”. Dado ainda que entre seus jornalistas encontramos pessoas que defendem declaradamente o socialismo, não seria mesmo difícil fazer tal associação – muito mais “cientificamente” do que chamando o liberal Mises de conservador, um M de sigma, um general brasileiro num emblema de um economista fugido do nazismo.

Falta estudo

O problema de confundir tantos conceitos é acreditar que coisas opostas são a mesma.

Apenas para terminar com um pouco de humor, podemos selecionar alguns trechos da reportagem de Carta Capital a título de mau exemplo:

Tentando dizer que os valores defendidos pelos defensores da liberdade estão errados, sobra um muxoxo: “O Millenium investe ainda em palestras, lançamentos de livros e debates abertos ao público, quase sempre voltados para assuntos econômicos e a discussão tão obsessiva quanto inútil sobre liberdade de imprensa e liberdade de expressão”. A culpa seria do Millenium ou de quem usa um aparato estatal trilionário para acabar com tais liberdades?

Tentando descobrir quanto ganham os diretores do Instituto Millenium, Leandro Fortes, diante de um “não” da diretora executiva Priscila Barbosa Pereira Pinto, tasca:

“Embora seja a principal executiva de um instituto que tem entre suas maiores bandeiras a defesa da liberdade de imprensa e de expressão – e à livre circulação de ideias –, Priscila Pinto não se mostrou muito disposta a fornecer informações a CartaCapital.”

Conceitos malucos. Liberdade de expressão agora é dizer ao mundo o seu salário? Que tal Leandro Fortes dizer o seu, ou então ser considerado um risco à liberdade de expressão, de imprensa e circulação de ideias? Note-se que sua revista oferece desconto em assinatura para filiados ao PT (ou “para filiados em partidos políticos”, embora o link só esteja no site do PT). Visto que fundos partidários são públicos e envolvem o dinheiro até de quem não vota em tal partido nem sob tortura, não seria muito mais urgente tal informação? (Mino Carta também chegou a pedir uma boa grana em “adiantamento” a Luiz Gushiken, quando este ainda era todo-poderoso dentro do governo petista)

Para encobrir o conceito maluco, nada como um ar de mistério. Após afirmar sobre Diogo Mainardi que “sua covardia (sic) o levou a se esconder (sic) em Veneza” (receber ameaças de morte é ser “covarde”), lá vem jornalismo calibrado:

“O que toda essa gente faz e quanto cada um doa individualmente é mantido em segredo. Apesar da insistência de CartaCapital, a diretora-executiva Priscila Pinto mandou informar, via assessoria de imprensa, que não iria fornecer as informações requisitadas pela reportagem.”

Outro conceito aprendido: investigação que não deu em nada é prova de que há algo errado. Mesmo quando se é um “insistente” de uma revista inócua como Carta Capital.

Sobre os “jovens conservadores”, sobra dizer, por exemplo, que estão todos defendendo “os bons costumes” (até pessoas com uma moral prafrentex como Leandro Narloch e Rodrigo Constantino), chamar o PPS (Partido Popular Socialista) de “direita” ou, após duvidar da “hegemonia da esquerda” nas universidades colocando-a entre aspas (a própria formação desses jornalistas a comprova), falar sobre a minúscula chapa para o DCE da USP que só concorreu em 2010 (as chapas não consultadas Liberdade, Reação e É USP Então! foram as defensoras da liberdade em 2010, 2011 e 2012, respectivamente): “Pensadores conservadores como Edmund Burke e Russell Kirk forneceram as bases teóricas. Jesus completou a doutrina.” (sic³) Claro, uma associação providencial com skinheads tampouco faltou.

O que fica como lição é o fator óbvio: confundir conceitos não apenas não revela a ignorância do analista político. Na verdade, ele passa a ser adorado por isso.

Quando se tem vários adversários, não há melhor tática para agremiar simpatizantes do que tratar todos os seus adversários como se fossem o pior genocida da humanidade. É por isso que vemos tanto desespero dos conceitofóbicos em associar tudo a nazismo. Mesmo a liberdade econômica anti-Estado que os totalitários nazistas tanto odiavam (“Tutto nello Stato, niente al di fuori dello Stato, nulla contro lo Stato”).

Ainda que à custa de expedientes ridículos (como os logos “analisados” pelas revistas supracitadas), a tática funciona: aprender conceitos é como aprender uma língua nova (praticamente o mesmo, mas dentro da própria língua). Dão trabalho, ainda mais quando vão contra preconceitos já arraigados. Jogar com a preguiça sináptica dos leitores é sempre um jogo ganho.

Afinal, ninguém nunca leu revistas mirins como Carta Capital, Caros Amigos ou Brasileiros para se informar. Apenas defendem a ideia de que um partido no poder está certo, e sempre que o veem sofrendo denúncias, correm para tais revistas para encontrar um discurso que garanta que se mantenham na posição que já se encontram. Nunca ninguém era contra o que diziam Carta Capital e similares e, lendo suas páginas, se convenceu: são revistas para convertidos amaciarem seus próprios egos.

No conflito de ideias, a liberdade econômica sempre venceu. A solução para os que são contrários à liberdade foi sempre a mesma, nas ditaduras e nas democracias: impedir que a população tome conhecimento do que é a liberdade. Por ser sempre mais agradável, nunca será substituída, a não ser por aquele que lucrará roubando a liberdade alheia (nunca a sua própria).

Liberdade é liberdade sobretudo para conhecer. É preciso conhecer também os adversários da liberdade: eles é que morrem de medo de conhecer as ideias liberais. Até hoje no mundo só há dois tipos de pessoas: os que conhecem o liberalismo e os que o atacam. Nunca se viu algum grande estudioso das obras liberais/conservadoras que seja contrário a elas. Porque conhecer a liberdade é defendê-la. Para se criticar a liberdade, é obrigatório que não se compreenda o que ela é.

Precisamos aumentar nosso vocabulário e nossa gramática política, escapando das armadilhas sintáticas que os adversários podem preparar. Mas só com conceitos adequados poderemos mostrar que estamos do lado da paz, da prosperidade e livres da opressão, no reino definido por Mises como o lugar em que o homem comum é senhor, e é o cliente que sempre tem razão (o que nunca conseguiu ser perante o Estado).

Assim poderemos concretizar o adágio de Murray Rothbard: “Liberty is an idea whose time has come.”