Grandes mitos da Grande Depressão

Muitos livros têm sido escritos sobre a Grande Depressão e seu impacto nas vidas de milhões de americanos. Historiadores, economistas e políticos têm vasculhado os destroços à procura da “caixa preta” que revelará a causa dessa lendária tragédia. Infelizmente, muitos deles decidem abandonar sua busca, talvez achando mais fácil propagar uma série de conclusões falsas e nocivas sobre os acontecimentos de sete décadas atrás.

Quão grave foi a Grande Depressão? Nos quatro anos entre 1929 e 1933, a produção das fábricas, das minas e dos serviços de infra-estrutura do país despencou mais de 50%. A renda realmente disponível das pessoas caiu 28%. Os preços das ações desabaram a 10% do seu valor de pico de antes da crise. O número de americanos desempregados subiu de 1,6 milhões em 1929 a 12,8 milhões em 1933. Um de cada quatro trabalhadores estava sem emprego no nadir da Depressão, e rumores ameaçadores de revolta ferviam pela primeira vez desde a Guerra Civil.

Os velhos mitos não morrem jamais; eles simplesmente continuam aparecendo em livros-texto universitários de economia e ciências políticas. Os estudantes hoje frequentemente recebem lições de que o livre mercado desregulado desmoronou pelo seu próprio peso em 1929, abrindo caminho para uma depressão econômica de uma década, cheia de penúria e de miséria. O presidente Herbert Hoover é apresentado como um defensor da política econômica do “não se meta”, ou do laissez-faire, enquanto seu sucessor, Franklin Roosevelt, é o salvador da economia cujas políticas trouxeram-nos a recuperação. Esse relato popular da Depressão é próprio de um livro de contos de fadas e não de uma discussão séria de história econômica, como um exame dos fatos demonstra.

A Grande, Grande, Grande, Grande Depressão

Para compreender adequadamente os acontecimentos da época, é conveniente ver a Grande Depressão não como uma, mas como quatro depressões consecutivas combinadas em uma só. O professor Hans Sennholz denominou essas quatro “fases” da seguinte maneira: o ciclo de negócios; a desintegração da economia mundial; o New Deal; e a lei Wagner [1].

A primeira fase explica por que a crise de 1929 ocorreu; as outras três mostram como a intervenção do governo manteve a economia em letargia por mais de uma década.

Primeira fase: o ciclo de negócios

A Grande Depressão não foi a primeira depressão do país, embora tenha se revelado a mais longa delas. O traço comum verificado nos vários colapsos anteriores foi o manejo desastroso da oferta de moeda pelo governo. Por vários motivos, foram adotadas políticas de governo que inflaram a quantidade de moeda e de crédito, resultando em um surto de crescimento, seguido depois por um dia doloroso de ajuste de contas. Nenhuma das depressões americanas anteriores à de 1929, no entanto, durou mais de quatro anos e a maioria delas acabou em dois. A Grande Depressão durou doze anos porque o governo uniu seus erros monetários a uma série de intervenções danosas.

A maioria dos economistas monetaristas, especialmente aqueles da “escola austríaca”, observou a relação estreita entre a oferta de moeda e a atividade econômica. Quando o governo infla a oferta de moeda e de crédito, as taxas de juros inicialmente caem. As empresas investem esse “dinheiro fácil” em novos projetos produtivos e um surto de crescimento tem lugar nos bens de capital. À medida que o surto amadurece, os custos dos negócios aumentam, as taxas de juros reajustam-se para cima e os lucros comprimem-se. Os efeitos do dinheiro fácil, assim, esgotam-se e as autoridades monetárias, temendo a inflação dos preços, diminuem o crescimento ou até mesmo contraem a oferta de moeda. Em ambos os casos, a manobra é suficiente para derrubar os fundamentos instáveis do castelo de cartas da economia.

Um dos relatos mais profundos e meticulosamente documentados das ações inflacionárias do Fed antes de 1929 é o livro A Grande Depressão americana (America’s Great Depression), do já idoso Murray Rothbard. Utilizando uma medida ampla que incluía a moeda, a demanda, depósitos a prazo e outros ingredientes, Rothbard estimou que o Federal Reserve expandiu a oferta de moeda em mais de 60% de meados de 1921 a meados de 1929. [2] A abundância de dinheiro fácil derrubou as taxas de juros, impulsionou o mercado de ações a alturas vertiginosas e deu origem aos “exuberantes anos 20”.

No começo de 1929, o Federal Reserve estava retirando o álcool da festa. Contraiu a oferta de moeda, aumentou as taxas de juros e, pelos próximos três anos, administrou uma oferta de moeda que encolheu em 30%. Essa deflação que se seguiu à inflação revirou a economia de um surto de crescimento extraordinário para uma quebra colossal.

Os investidores “inteligentes” – os Bernard Baruchs e os Joseph Kennedys que observavam coisas como a oferta de moeda – viram que a festa estava acabando antes da maioria dos outros americanos. Baruch, de fato, começou a vender ações e a comprar títulos da dívida pública e ouro já em 1928; Kennedy fez o mesmo, comentando que “somente um idiota aguarda a máxima valorização”. [3]

Quando as massas de investidores finalmente notaram a mudança na política do Fed, a debandada em pânico estava a caminho. O mercado de ações, após quase dois meses de declínio moderado, mergulhou na “quinta-feira negra” – 24 de outubro de 1929 – com a disseminação da visão pessimista de grandes e sábios investidores.

A quebra do mercado de ações era apenas um sintoma – e não a causa – da Grande Depressão: o mercado subiu e desceu praticamente em sincronia com o que o Fed fez.

Segunda fase: a desintegração da economia mundial

Se a crise tivesse sido como as anteriores, os tempos difíceis subsequentes poderiam ter acabado em um ou dois anos. Mas, em vez disso, trapalhadas políticas sem precedentes prolongaram a desgraça por doze longos anos.

O desemprego subiu de 3,2% em 1929 para 8,9% em 1930, um índice levemente recessivo. Disparou rapidamente até o pico de mais de 25% em 1933. Até março de 1933, esses foram os anos do presidente Herbert Hoover – o homem que os anticapitalistas retratam como um paladino da não-intervenção na economia, do laissez-faire.

Hoover realmente era adepto de uma filosofia liberal de “não se meta na economia”? Seu adversário nas eleições de 1932, Franklin Roosevelt, achava que não. Durante a campanha, Roosevelt atacou Hoover por gastar e taxar em excesso, alargar a dívida pública, sufocar o comércio e colocar milhões de pessoas sob o sustento do governo. Denunciou o presidente por gastar “imprudente e extravagantemente”, por crer “que temos de concentrar o controle de tudo em Washington o mais rápido possível” e por presidir “o governo que mais gastou em tempos de paz em toda a história”. O companheiro de chapa de Roosevelt, John Nance Garner, acusou Hoover de estar “conduzindo o país rumo ao socialismo” [4]. Contrariamente ao mito moderno sobre Hoover, Roosevelt e Garner estavam absolutamente certos.

A loucura que coroou o governo Hoover foi a tarifa Smoot-Hawley, aprovada em junho de 1930. Ela veio somar-se à tarifa Fordney-McCumber de 1922, que já havia colocado a agricultura americana em parafuso durante a década precedente. A lei Smoot-Hawley, a mais protecionista da história dos Estados Unidos, praticamente fechou as fronteiras a bens estrangeiros e desencadeou uma perversa guerra comercial internacional. O professor Barry Poulson menciona que não apenas 887 tarifas foram aumentadas acentuadamente, como a lei também ampliou a lista de commodities tributáveis para 3.218 itens [5].

As autoridades no governo e no Congresso acreditavam que aumentar as barreiras comerciais forçaria os americanos a comprar mais bens produzidos internamente, o que resolveria o incômodo problema do desemprego. Eles ignoraram um importante princípio do comércio internacional: o comércio é, em última análise, uma via de mão dupla; se os estrangeiros não podem vender seus produtos aqui, então não conseguirão os dólares de que precisam para comprar aqui.

As empresas estrangeiras e seus empregados foram prejudicados pelas tarifas exorbitantes da lei Smoot-Hawley e os governos estrangeiros logo retaliaram com suas próprias barreiras comerciais. Com sua capacidade de vender no mercado americano seriamente limitada, cortaram suas compras de produtos americanos. A agricultura americana sofreu um golpe especialmente duro. Com uma canetada presidencial, os fazendeiros neste país perderam quase um terço de seus mercados. Os preços agrícolas despencaram e dezenas de milhares de fazendeiros foram à falência. Com o colapso da agricultura, os bancos rurais faliram em quantidades recordes, arrastando consigo centenas de milhares de seus clientes.

Hoover aumentou dramaticamente os gastos do governo com subsídios e planos de resgate. No espaço de um ano, de 1930 a 1931, a parcela do governo federal no PIB aumentou em um terço.

A burocracia agrícola de Hoover distribuiu centenas de milhões de dólares a agricultores de trigo e de algodão mesmo com as novas tarifas aniquilando seus mercados. Sua Corporação Financeira de Reconstrução (Reconstruction Finance Corporation) prodigalizou outros bilhões de dólares em subsídios a empresas. Comentando décadas depois sobre o governo Hoover, Rexford Guy Tugwell, um dos arquitetos das políticas de Franklin Roosevelt nos anos 30, explicou: “Não admitimos na época, mas praticamente todo o New Deal foi extrapolado de programas que Hoover começou” [6].

Para se unir à loucura de tarifas elevadas e de subsídios imensos, o Congresso então aprovou e Hoover sancionou a Lei de Rendas de 1932. Ela dobrou o imposto de renda para a maioria dos americanos; a categoria mais elevada mais do que dobrou, indo de 24% para 63%. Diminuíram-se as isenções; o crédito por renda recebida foi abolido; impostos sobre empresas e bens imóveis foram aumentados; novos impostos sobre doações, combustíveis e automóveis foram estabelecidos; e as tarifas postais subiram acentuadamente.

Algum acadêmico sincero pode observar a maciça intervenção econômica do governo Hoover e atribuir seriamente a culpa pelos efeitos inevitavelmente deletérios ao livre mercado?

Terceira fase: o New Deal

Franklin Delano Roosevelt venceu as eleições presidenciais de 1932 de maneira esmagadora, acumulando 472 votos diante de apenas 59 para o então presidente Herbert Hoover. A plataforma do Partido Democrata, cuja chapa Roosevelt encabeçava, declarava: “Acreditamos que a plataforma de um partido é um pacto com o povo a ser fielmente respeitado pelo partido a que se confiou o poder.” Prometia uma redução de 25% nos gastos federais, um orçamento federal equilibrado, o ouro como moeda sólida “a ser preservada a despeito de todo perigo”, o afastamento do governo de áreas que pertencem mais apropriadamente à iniciativa privada e o fim da extravagância dos programas agrícolas de Hoover. Isso é o que o candidato Roosevelt prometeu, ainda que não guarde nenhuma semelhança com o que o presidente Roosevelt de fato fez.

No primeiro ano do New Deal, Roosevelt propôs gastar US$ 10 bilhões enquanto a receita era de apenas US$ 3 bilhões. Entre 1933 e 1936, os gastos do governo aumentaram mais de 83%. A dívida federal disparou em 73%.

Roosevelt obteve a aprovação da Lei de Ajustamento Agrícola (Agricultural Adjustment Act, AAA), que instituiu um novo imposto sobre processadores agrícolas, e usou a receita para supervisionar a completa destruição de safras e cabeças de gado valiosas. Os agentes federais fiscalizaram o espetáculo horrível de campos perfeitamente bons de algodão, trigo e milho serem devastados. Bois, ovelhas e porcos saudáveis foram abatidos aos milhões e enterrados em covas imensas.

Ainda que o AAA tivesse ajudado os agricultores ao restringir a oferta e aumentar os preços, só poderia ter feito isso prejudicando milhões de outras pessoas que tinham de pagar esses preços ou se virar com menos para comer.

Talvez o aspecto mais radical do New Deal tenha sido a Lei de Recuperação da Indústria Nacional (National Industrial Recovery Act, NIRA), aprovada em junho de 1933, a qual fundou a Administração de Recuperação Nacional (National Recovery Administration, NRA). Sob a NRA, a maioria das indústrias manufatureiras foi repentinamente forçada a integrar cartéis administrados pelo governo. Normas que regulavam preços e condições de venda transformaram boa parte da economia americana em um arranjo de estilo fascista, enquanto a NRA era financiada por novos impostos sobre as próprias indústrias que controlava. Alguns economistas estimaram que a NRA aumentou o custo de fazer negócios em 40%, em média – algo de que uma economia em depressão não precisava para recuperar-se.

Como Hoover antes dele, Roosevelt sancionou leis que aumentavam exorbitantemente o imposto de renda para as categorias mais elevadas e introduziu um imposto de renda descontado na fonte de 5% sobre os dividendos de empresas. De fato, aumentar impostos tornou-se uma política predileta do presidente pelos dez anos seguintes, culminando no imposto de renda máximo de 94% durante o último ano da Segunda Guerra Mundial. Os comissários das suas agências cheias de siglas gastavam o dinheiro dos impostos do povo como se não passasse de bobagens.

Por exemplo, os programas públicos de alívio de Roosevelt contrataram atores para darem shows gratuitos e bibliotecários para catalogar arquivos. O New Deal pagou até pesquisadores para estudar a história do pino de segurança, contratou cem trabalhadores de Washington para patrulhar as ruas com balões para afugentar estorninhos dos prédios públicos e colocou homens na folha de pagamentos pública para perseguir amarrilhos em dias de vento.

Roosevelt criou a Administração de Obras Civis (Civil Works Administration) em novembro de 1933 e fechou-a em março de 1934, embora os projetos inacabados tenham sido transferidos para a Administração Federal de Alívio Emergencial (Federal Emergency Relief Administration. Roosevelt tinha garantido ao Congresso em seu discurso anual State of the Union que qualquer novo programa desses seria extinto dentro de um ano. “O governo federal”, disse o presidente, “tem de abandonar e abandonará esse negócio de socorro. Não estou disposto a reprimir a vitalidade de nosso povo pela distribuição de dinheiro, de cestas de compras, de algum bocado de trabalho semanal cortando grama, juntando folhas ou apanhando jornais nos parques públicos.”

Mas, em 1935, a Administração do Progresso das Obras Públicas (Works Progress Administration) logo apareceu. É conhecida hoje como o programa governamental que deu origem a uma nova palavra, boondoggle (obras inúteis), porque ela “produzia” muito mais do que 77 mil pontes e 116 mil edifícios para os quais seus defensores adoravam apontar como prova de sua eficácia [7]. A lista assombrosa de gastos perdulários gerados por esses programas de criação de empregos representava um desvio de recursos valiosos para propósitos politicamente motivados e economicamente contraproducentes.

A economia americana logo foi aliviada do peso de alguns dos excessos do New Deal quando a Suprema Corte declarou a ilegalidade da NRA em 1935 e da AAA em 1936, conquistando a eterna ira e escárnio de Roosevelt. Reconhecendo muito do que Roosevelt fez como inconstitucional, os “nove velhos homens” da Corte também eliminaram outros atos e programas menos importantes que atrapalhavam a recuperação.

Livre do pior do New Deal, a economia mostrou alguns sinais de vida. O desemprego caiu para 18% em 1935, 14% em 1936 e ainda mais em 1937. Mas, em 1938, estava de volta a 20% diante da nova recessão da economia. O mercado de ações despencou quase 50% entre agosto de 1937 e março de 1938. O “estímulo econômico” do New Deal de Franklin Roosevelt havia alcançado algo inédito: uma depressão dentro de uma depressão!

Quarta fase: a lei Wagner

O palco estava montado para o colapso de 1937-38 com a promulgação da Lei Nacional de Relações de Trabalho (National Labor Relations Act) em 1935 – mais conhecido como a Lei Wagner e a “Magna Carta” do trabalho organizado. Para citar Hans Sennholz novamente:

Essa lei revolucionou as relações de trabalho americanas. Retirou as lides trabalhistas das varas de justiça e trouxe-as para uma recém-criada agência federal, o Conselho Nacional de Relações de Trabalho ( National Labor Relations Board, que se tornou promotor, juiz, júri, tudo em um só. Simpatizantes dos sindicatos trabalhistas no Comitê perverteram ainda mais essa lei, que já conferia imunidades legais e privilégios aos sindicatos. Os Estados Unidos, dessa maneira, abandonaram uma grande conquista da civilização ocidental, a igualdade perante a lei [8].

Armados com esses novos vastos poderes, os sindicatos entraram em um frenesi militante de organização. Ameaças, boicotes, greves, tomada de fábricas e violência disseminada empurraram a produtividade acentuadamente para baixo e o desemprego dramaticamente para cima. O número de membros dos sindicatos nacionais elevou-se bastante; em 1941, havia duas vezes e meia mais americanos sindicalizados do que em 1935.

Da Casa Branca, na esteira da Lei Wagner, veio uma torrente ensurdecedora de insultos contra o setor empresarial. Os homens de negócios, enfurecia-se Roosevelt, são obstáculos no caminho da recuperação. Novos estrangulamentos sobre o mercado de ações foram estabelecidos. Um imposto sobre as rendas retidas das empresas, chamado “imposto sobre lucros não-distribuídos”, foi criado. “Esses esforços para pôr a carga de impostos sobre os ricos”, escreve o economista Robert Higgis, “deixaram poucas dúvidas de que o presidente e seu governo pretendiam levar a cabo no Congresso tudo que podiam para extrair riqueza dos que ganham uma renda maior, responsáveis por tomar a grande maioria das decisões do país sobre investimentos privados” [9].

Higgs estabelece uma relação estreita entre o nível de investimento privado e o curso da economia Americana nos anos de 1930. As investidas incansáveis do governo Roosevelt – tanto no discurso quanto na ação – contra as empresas, a propriedade e o livre mercado garantiram que o capital necessário para pôr a economia em movimento fosse ou taxado ou forçado a se esconder. Quando Roosevelt levou os Estados Unidos à guerra em 1941, ele moderou sua agenda antiempresarial, mas uma boa parte do capital do país foi desviada para o esforço de guerra, ao invés de para a expansão da capacidade instalada ou de bens de consumo. Somente depois de Roosevelt e da guerra terem passado, os investidores sentiram-se suficientemente confiantes para “dar início ao surto de investimentos do pós-guerra que proporcionou a energia para o retorno da economia à prosperidade sustentada” [10].

Livre mercado até que ponto?

Na iminência da entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial e doze anos após a quebra do mercado de ações na Quinta-feira Negra, dez milhões de americanos estavam desempregados. Roosevelt havia prometido em 1932 acabar com a crise, mas ela persistia depois de dois mandatos presidenciais e de incontáveis intervenções.

Junto ao horror da Segunda Guerra Mundial, veio o renascimento do comércio com os aliados americanos. A destruição de pessoas e de recursos provocada pela guerra não ajudou a economia americana, mas esse comércio renovado ajudou. Mais importante, o governo Truman que sucedeu ao de Roosevelt era decididamente menos ávido por repreender e ameaçar investidores privados, e, consequentemente, aqueles investidores retornaram à economia para alimentar um poderoso surto de crescimento no pós-guerra.

A gênese da Grande Depressão jaz nas políticas monetárias inflacionárias do governo dos Estados Unidos nos anos de 1920. Foi prolongada e exacerbada por uma litania de deslizes políticos: tarifas que aniquilaram o comércio, impostos que minaram os incentivos, controles que entorpeceram as mentes sobre a produção e a competição, destruição insensata de safras e gado e leis trabalhistas coercitivas, para relatar apenas alguns. Não foi o livre mercado que produziu doze anos de agonia; antes, foram trapalhadas políticas na maior escala jamais vista.

Lawrence Reed é presidente do Mackinac Center for Public Policy, uma organização de pesquisa e e de educação em favor do livre mercado em Midland, Michigan, e membro do Board of Trustees da FEE.

Notas

  1. Hans F. Sennholz, “The Great Depression,” The Freeman, Abril de 1975, p. 205

  2. Murray Rothbard, America’s Great Depression (Kansas City: Sheed and Ward, Inc., 1975), p. 89

  3. Lindley H. Clark, Jr., “After the Fall,” Wall Street Journal, 26 de outubro de 1979, p. 18

  4. “FDR’s Disputed Legacy,” Time, February 1, 1982, p. 23

  5. Barry W. Poulson, Economic History of the United States. New York: Macmillan Publishing Co., Inc., 1981, p. 508

  6. Paul Johnson, A History of the American People. New York: HarperCollins Publishers, 1997, p. 741

  7. Martin Morse Wooster, “Bring Back the WPA? It Also Had A Seamy Side,” Wall Street Journal, 3 de setembro de 1986, p. A26

  8. Sennholz, pp. 212–13

  9. Robert Higgs, “Regime Uncertainty: Why the Great Depression Lasted So Long and Why Prosperity Resumed After the War,” The Independent Review, Spring 1997, p. 573

  10. Ibid., p. 564