Menos planejamento, mais educação

O Opinion Journal da última quinta dedicou dois artigos a uma nova questão da educação americana: algumas universidades de maior prestígio, como Harvard, investiram tão bem o seu dinheiro que se tornaram verdadeiramente independentes. Independentes dos antigos alunos, que faziam doações e por isso também queriam influir nos rumos da instituição. Independentes de outros doadores, que naturalmente também queriam ter sua influência. E, com tanto dinheiro no banco, Harvard anunciou que vai aumentar muitíssimo o número de bolsas concedidas. Daí vem o paradoxo: como outras grandes universidades seguirão o mesmo caminho, logo será mais caro estudar numa instituição de menor prestígio.

Os americanos parecem atordoados com isso, mas cá no Brasil enfrentamos essa situação normalmente há décadas: boa parte dos melhores cursos universitários está nas instituições estatais, mas, dadas a dificuldade do exame de acesso e a má qualidade do ensino escolar estatal, a maioria dos alunos vem de abastadas escolas privadas. Perverso? Talvez, mas isso é obra da legislação brasileira sobre educação, dos planejadores governamentais, e não um efeito da "maldade do capitalismo". Aliás, tente perguntar a algum professor universitário de um curso de prestígio se ele preferiria ver suas turmas repletas de alunos menos qualificados, todos oriundos da rede estatal.

A moral da história é muito simples. Nos EUA a competência dos gerentes de fundos de investimento vai permitir que alunos cujas qualificações acadêmicas sejam positivamente desproporcionais em relação à conta bancária de seus pais possam freqüentar as melhores universidades. Os alunos com menor rendimento, de todas as classes, tenderão a pagar mais. No Brasil, apenas os alunos mais pobres que forem mais do que excepcionais conseguirão um lugar nos cursos estatais mais disputados. Enquanto o governo tentar produzir a sociedade perfeita, vai apenas gerar perversidades, e sempre dentro da lei.

Mas nos EUA o governo também gera perversidades na educação. Falarei mais disso no próximo post, na quarta-feira.