Mudanças nas regras da Poupança: Fatos, Especulações e Uma Certeza

Fato 1: O governo não alterou o rendimento da caderneta de poupança, ele DIMINUIU tal rendimento. Alterar algo significa mudar; mudar implica que algo pode subir ou descer. No caso da caderneta de poupança a nova regra é clara: o rendimento da poupança pela nova regra NUNCA será superior ao rendimento gerado pela regra antiga.

Fato 2: A imprensa é incapaz de noticiar CLARAMENTE que a nova regra DIMINUI o rendimento da poupança. Quando se diz que o rendimento antigo da poupança era um obstáculo à futuras quedas da taxa SELIC, a imprensa se recusa a ser clara: o governo diminuiu artificialmente a remuneração da taxa de poupança.

Fato 3:  a poupança de uma pessoa pobre é feita de maneira mensal. O pobre poupa um pouco todo mês. Sendo assim, a nova regra da poupança DIMINUI o retorno da poupança dos pobres (vale para os ricos também).

Fato 4: o rendimento da poupança já era baixo no passado. A nova regra garante que o rendimento da poupança continuará baixo no futuro. Num país que precisa de poupança esse não me parece ser o melhor estímulo a ser dado.

Fato 5: a redução artificial da remuneração da poupança, dado que a taxa de juros sobre financiamentos imobiliários não se reduziu, aumentou o spread bancário dessa operação. O que parece ir na contramão das idéias originais da equipe econômica.

Especulação 1: o governo vai intervir novamente no mercado. Dessa vez para obrigar os bancos a reduzirem a taxa de juros sobre os empréstimos habitacionais.

Especulação 2: como a rentabilidade da poupança caiu, o montante de recursos futuros que seria investido na poupança também irá cair. Dado que aproximadamente 70% dos financiamentos habitacionais são feitos com recursos da poupança, irão se reduzir os recursos para financiamentos habitacionais.

Especulação 3: Para estimular o mercado que ele mesmo havia desestimulado, o governo irá realizar operações entre BNDES e Tesouro para aumentar artificialmente os fundos para financiamento da casa própria. Provavelmente teremos estímulos a transações envolvendo os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). No futuro, o CRI será para o Brasil o que os títulos sub-prime foram para a crise americana.

Certeza: esse governo NUNCA irá adotar a idéia mais simples e óbvia, para corrigir o problema, basta deixar a rentabilidade da poupança flutuar de acordo com as regras básicas do mercado. Isto é, por que o retorno da taxa de poupança deveria ser definido em lei? Definir em lei o retorno de um ativo financeiro é uma idéia errada.