Nossa péssima situação no índice Gini ainda não é o pior

O Brasil tem o terceiro pior índice Gini da América Latina, com 0,56. Estamos atrás da Costa Rica, Argentina, Venezuela e Uruguai, segundo relatório sobre distribuição de renda na região produzido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O estudo mostrou que 10 dos 15 países com maior índice de desigualdade estão na América Latina e no Caribe. Uma das conclusões do estudo: "A alta e persistente desigualdade constitui um obstáculo para o avanço social da região. Ela freia o desenvolvimento humano".

O perigo do uso da palavra desigualdade social é que o termo foi transformado em sinônimo de capitalistas maus contra pobres bonzinhos. Um estudo como esse, com informações importantes, acaba sendo utilizado como instrumento de propaganda ideológica contra essa hidra portadora de todos os males do universo: o neoliberalismo. É sempre bom lembrar que neoliberalismo não é uma versão moderna do liberalismo.

O Brasil tem vários problemas e o primeiro deles é responsabilidade. Enquanto a política continuar atraindo o que de pior existe na sociedade não haverá as reformas necessárias ao desenvolvimento político e econômico. Não se constrói país, como se costuma acreditar, criando leis. Não se muda comportamentos, hábitos, em resumo, uma cultura, por legislação, que deve emergir dos costumes e não nascer para criá-los. Disso decorre essa constatação nefasta, convertida em piada, de que há leis que pegam e outras não pegam no Brasil.

Outra confusão obsessiva é o mito de que a desigualdade social se resolve distribuindo renda. A desigualdade social se resolve com a ampla produção de riqueza. Isso significa mais mercado, mais investimentos, mais trabalho, mais empregos. Significa que o pipoqueiro poderá comprar mais um carrinho e gerar um posto de trabalho para aquele sujeito que estava desempregado. Significa que o dono da loja poderá contratar mais uma funcionária, que poderá comprar uma TV de LCD vendida por um funcionário que vai aumentar o valor da sua comissão mensal. Significa que o dono da lan house na periferia poderá comprar mais computadores e permitir que mais gente tenha acesso à internet e consiga um emprego depois de enviar seu currículo por e-mail. O mercado somos nós, não apenas uma dúzia de banqueiros ou de megaempresas. Mas para esse mercado funcionar e gerar riqueza é preciso haver um ambiente de negócios estimulante, com mínima burocracia, baixos impostos, enfim, sem todos os entraves criados pelo Estado.