O corporativismo e o poder do povo

Muito tem se falado a respeito do movimento Occupy Wall Street que nasceu em Nova York e tem se espalhado para várias partes dos Estados Unidos. É fácil caçoar dos protestantes, especialmente quando eles parecem estar buscando um conjunto coerente de reclamações e reformas, ou quando eles vivem todas paródias de democracia radicaljá concebidas sem perceber. O que eles têm para dizer além de que estão insatisfeitos com o status quo e de que pensam que algum tipo de mudança radical é necessária?Debaixo de toda retórica, eu acho que existe pelo menos um conjunto de assuntos que parece unir muitos nesses protestos, mesmo que muito ainda fique indefinido. Muitos estão insatisfeitos com o que eles veem como um poder inapropriado das corporações para controlar as suas vidas e a direção da economia dos EUA. Isso manifesta uma reclamação mais específica a respeito dos bailouts dos bancos na crise financeira de 2008. Qual é a objeção? A questão é apenas qual é a natureza da sua objeção ao papel das corporações à cultura do bailout. Reclamar dos bailouts dos bancos e, ao mesmo tempo, argumentar, como alguns têm argumentado, em favor do perdão de dívidas de empréstimos estudantis sugeriria que o problema não é que o governo não deveria socorrer investimentos fracassados, mas apenas que o governo não deveria socorrer investimentos fracassados feitos or corporações. (Seria interessante ver se os Ocupantes contrários a bailouts também se opõem a subsídios agrícolas e subsídios para energia alternativa como eólica e solar. ) Este ponto leva à ideia mais ampla no centro da crítica às cororações dos Ocupantes: o problema são as corporações ou o problema é que elas se alinham ao governo? Uma outra tensão que vemos nesses protestos é que mesmo que eles falem mal do poder das corporações, eles se utilizam da tecnologia e mídia social que são produtos da própria forma corporativa que eles criticam. Isto não é necessariamente hipócrita, não mais do que liberais usando vários bens fornecidos pelo governo que acharíamos melhor que fossem fornecidos pelo mercado. No entanto, isto sugere que os Ocupantes deveriam responder por que alguns produtos das corporações são bons e outros não. Em outras palavras, existe uma diferença entre Steve Jobs e o iPhone que ele criou, que é usado por muitos protestantes, e o Bank of America e os seus instrumentos financeiros que levaram aos bailouts contras os quais eles protestam? Eu penso que existe, e é a diferença entre “corporações” e “corporativismo” — uma diferença geralmente ignorada pelos Ocupantes. Eu acho que os Ocupantes teriam que admitir que algumas corporações realmente oferecem bens e serviços que melhoram as vidas das pessoas. Se o fizerem, eles podem invejar  os lucros feitos pela Apple, Motorola ou outras companhias que fabricam os produtos que tornaram os protestos possíveis e das quais esta geração depende a cada minuto de cada dia? Então se não são as corporações, qual é o problema? Muito poder Talvez o problema seja melhor expressado como “corporativismo”. A principal reclamação parece ser que as corporações têm muito poder sobre a vida das pessoas. Essa é uma reclamação que os liberais não deveriam rejeitar; corporações têm muito poder. Mas como Sheldon Richman observou, a única maneira como elas conseguem esse tipo de poder é associando-se ao governo. Corporações, sejam a Apple ou o Bank of America, que são forçadas a competir em um mercado genuinamente livre teriam que satisfazer os consumidores e teriam poder de mercado até o ponto que permitíssemos  através da compra dos seus produtos. Poder de mercado dado dessa maneira pode também ser tomado de volta. Quando um banco, um negócio agrícola ou mesmo uma companhia de energia verde vai para a cama com o estado, é aí que o poder de mercado não é mais poder dado por nós, sujeito à revogação, mas é poder sobre nós. Esse é o tipo de parceria corporação-estado à qual os Ocupantes, bem como os liberais, devem se opor. Em outras palavras, em mercados livres o poder estaria com os 99% de nós que compram os produtos, não com o 1% que vende. Em mercados livres o poder realmente estaria com o povo. Os bailouts, subsídios e monopólios são o que dão ao 1% poder sobre o resto de nós. Pedir ao governo que conserte essa situação seria dar mais poder a um pequeno grupo: os membros do Congresso. Se o objetivo dos Ocupantes é transferir poder do 1% aos 99%, eles precisam perceber que é o corporativismo que concentra o poder nas mãos corporativas e o livre mercado que o coloca de volta nas mãos do povo. Publicado originalmente em The Freeman Online.