O mais recente pacote econômico do governo Dilma

Em 2011, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 2,7%. As projeções para 2012 também não são animadoras. Preocupado com tal cenário, a equipe econômica do governo lançou um novo pacote de medidas econômicas para estimular o crescimento. O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, acredita que com tais medidas o PIB pode crescer 4,5% neste ano.

As medidas adotadas pelo governo procuram estimular setores específicos, ao mesmo tempo em que desestimulam outros. Por exemplo, a indústria de eletrodomésticos foi premiada com subsídios, ao passo que os importadores serão punidos com mais impostos. De maneira geral, o pacote do governo Dilma segue o padrão adotado por seu antecessor: premia setores escolhidos por critérios político-econômicos com o dinheiro do resto da população.

Não satisfeito em financiar o BNDES, o Tesouro vai agora também ajudar a desonerar a folha de pagamento das empresas. Esse tipo de operação é lamentável. Em vez de escolher setores que receberão subsídios (à custa do resto da população), seria muito melhor uma medida que desonerasse a folha de pagamento de TODAS as empresas (e não somente das amigas do rei). Deve-se ressaltar que é absurda, e perigosa do ponto de vista econômico, a enorme gentileza do Tesouro Nacional (isto é, nós os pobres mortais) nas transferências para o BNDES (isto é, grandes empresários).

Vamos deixar claro, o novo pacote de benesses governamentais, feito com o dinheiro do contribuinte brasileiro, equivale a dizer que TODO contribuinte brasileiro irá transferir recursos para as indústrias beneficiadas com esse pacote. Como, na média, o contribuinte brasileiro é mais pobre que os empresários e trabalhadores dos setores beneficiados, temos que os mais pobres irão transferir recursos para os mais ricos.

Para finalizar, que tal verificarmos um fato óbvio? Qual foi a taxa de crescimento do PIB per capita brasileiro nos últimos 30 anos? Ou então nos últimos 20 anos? Ou então nos últimos 15 anos? Faça a conta e você verá que o PIB per capita brasileiro tem crescido, em média, 1% ao ano. Isto é, fica evidente que o problema brasileiro não é conjuntural (como as medidas do governo parecem sugerir). O problema brasileiro é estrutural, reside nos baixos índices de produtividade e competitividade do Brasil. Infelizmente, para esse governo, quando dizemos que “precisamos melhorar a nossa competitividade”, ele não entende que “ precisamos diminuir os impostos e abrir e desburocratizar a economia brasileira”. Esse governo confunde melhorar a competitividade com desvalorizar o câmbio, e essa será nossa ruína.