O problema dos rótulos

Nos últimos dias, tenho acompanhado a discussão que começou com o post Why I am not a Bleeding-Heart Libertarian de Will Wilkinson, e se espalhou por alguns outros posts em outros blogs.

Wilkinson argumenta que não se consideraria libertário, considerando a definição pública atual (ou a que ele acredita ser a definição pública) do que seria libertarianismo, por acreditar em pontos que um libertário padrão não deveria acreditar. Ele vê o estado-nação moderno como algo positivo para a humanidade, por exemplo, e acredita que em certos casos a tributação não é apenas legítima, mas também necessária. Wilkinson acredita que suas discordâncias em relação ao mainstream do libertarianismo americano são suficientes para lhe posicionar fora do guarda-chuvas dos libertários.

Mas Tomothy B. Lee, discorda. Para ele, Wilkinson e uma parcela daqueles que se classificam como libertários pecam por possuírem um julgamento demasiadamente rigoroso acerca do que seriam políticas libertárias e sobre quem poderia/deveria se classificar comolibertário. Para Lee, os maiores segmentos político-ideológicos americanos (“liberals” “conservatives”) são amplos o bastante para reunir integrantes que provavelmente discordariam sobre qualquer proposta política.

“Se as suas preferências políticas estiverem mais próximas de Ted Kennedy do que de Ronald Reagan”, diz Lee, “você é um liberal, e vice-versa para os conservadores.” Com uma visão de libertarianismo/libertários mais ampla, similar àquela dos liberals conservatives, de acordo com o julgamento de Lee, Wilkinson ainda seria um libertário, já que é socialmente liberal e acredita na importância da liberdade econômica.

Essa visão é compartilhada por Erica Grieder (E.G.), co-autora do blog Democracy in America, no site da revista The Economist. Para ela, o rigor com a pureza do movimento libertário americano não traz benefícios para a divulgação da mensagem que tentam popularizar. Grieder usa o exemplo do rigor ideológico do Partido Libertário do Texas comparado à falta de rigor entre Democratas e Republicanos, que possuem uma composição mais heterogênea. Ela acredita que uma época em que boa parte dos americanos rejeita a classificação binária Democrata/Liberal, Republicano/Conservative, seria proveitosa para que os libertários se tornassem um grupo mais diverso, sob uma “bigger tent”.

Se um estrangeiro me pedisse para explicar como o “movimento libertário (ou liberal)” no Brasil, eu não teria como dizer ao certo sobre o radicalismo ou tolerância dos libertários (ou liberais). Eu tenderia a dizer que há mais colaboração, e que o background,atuação e visão de liberalismo (ou libertarianismo) dos liberais (ou libertários) brasileiros é bem diverso. Pensando bem, eu talvez dissesse que não sou a pessoa mais indicada para responder essa questão.

Alguém aí se habilitaria?