O "protecionismo temporário" de Dilma

No último fim de semana, a revista Veja publicou uma longa entrevista com a presidente Dilma Rousseff. Nela, Dilma reconhece que a carga tributária precisa ser diminuída e defende-se das acusações de que seu governo praticaria políticas protecionistas. Para a presidente, o Brasil apenas se defende.

Mas é difícil entender o discurso de Dilma. Ela reconhece os malefícios da reserva de mercado e cita a reserva de mercado para o setor de informática, como se não comandasse um país cuja economia ainda é relativamente fechada e que manipula os impostos sobre importações para conter a "invasão" do mercado nacional por um determinado produto, de um determinado país.

Veja o que diz a presidente:

O protecionismo é uma maneira permanente de ver o mundo exterior como hostil, o que leva ao fechamento da economia. Isso não faremos. Já foi tentado no passado no Brasil com consequências desastrosas para o nosso desenvolvimento. Cito aqui o caso da reserva de mercado para computadores, que, nos anos 80, arrasou a modernização do parque industrial brasileiro e nos privou de tecnologias essenciais. Não vamos repetir esse erro. Não vamos fechar o país. Ao contrário, queremos investimentos estrangeiros produtivos. Mas vamos, sim, defender as nossas empresas, os nossos empregos. O que estamos fazendo, e vamos continuar fazendo, é contrabalançar com medidas defensivas as pressões desestabilizadoras externas que estão carreando para o Brasil quantidades excessivas de capital especulativo. Quando o panorama externo mudar para melhor, nós saberemos que chegou a hora de revogar as barreiras momentâneas que foram criadas.

As ações de “defesa” praticadas pelo governo Dilma são conhecidas. O aumento de impostos sobre artigos importados – que aumenta o preço dos produtos ao consumidor e protege indústrias nacionais da concorrência – é a face mais visível delas.

Como as políticas do governo brasileiro são apenas imposições de barreiras comerciais para a proteção das “nossas empresas” e dos “nossos empregos”, no vocabulário de Dilma Rousseff elas parecem não contar como protecionismo. Mas não importa do que a presidente as chame, elas continuam a ser políticas protecionistas.

Seguindo Bastiat, a proteção de Dilma às “nossas empresas” e aos “nossos empregos” é aquilo que se vê. As inúmeras empresas que jamais serão criadas pelo favorecimento governamental às empresas já estabelecidas, os empregos que elas jamais gerarão e o dinheiro extra que as políticas de “defesa comercial” da equipe econômica transfere para os grupos de empresários organizados, são aquilo que não se vê.