O truque de Kassab

De um artigo publicado há uma semana no Estadão, sobre os planos de Gilberto Kassab para o reajuste das tarifas de ônibus em de São Paulo:

“O prefeito Gilberto Kassab mudou radicalmente seu discurso e sua atitude em relação à gestão do transporte público de São Paulo. Para atingir o recorde de dois anos e sete meses de congelamento da tarifa - uma promessa feita em sua campanha para a reeleição -, o prefeito aumentou consideravelmente os subsídios repassados às viações, entre 2007 e 2009. Em 2008, a Comissão de Transportes do Legislativo já alertava que a conta do sistema com a tarifa congelada acabaria exigindo repasses de R$ 1,1 bilhão em subsídios. Estimativa que chegou bem próximo do gasto de 2009 - quase R$ 800 milhões.”

O jogo dos subsídios é claro: os ganhos são visíveis, concentrados e os custos são dispersos. A retórica de sua defesa é simples: a prefeitura deve defender os pobres. Como?Transferindo aos ricos bilhões de reais, retirados dos impostos cobrados dos pobres.

Para defender sua promessa de campanha e não aumentar o preço das passagens, Kassab dobrou os subsídios às empresas, fazendo a população de São Paulo pagar a conta, mas sem saber. No fim, pagaram dobrado: primeiro com R$ 550 milhões por mês em subsídios e agora com o reajuste das passagens.

Enquanto o prefeito mostrava aos eleitores, em uma mão, os preços das passagens congelados, sua outra mão retirava o dinheiro do bolso dos contribuintes – mesmo aqueles que não utilizam o serviço -  e o colocava direto no bolso das empresas de ônibus.

Truque impressionante, mas nem um pouco divertido, prefeito Kassab.