O voto pela legalização

Quando a 21ª emenda acabou com a proibição nacional das bebidas alcoólicas em dezembro de 1933, mais de uma dúzia de estados já tinham a deixado para trás. Maryland jamais aprovou a sua versão da Lei Volstead e Nova York revogou a lei da proibição em 1923. Outros onze estados eliminaram a lei de seus estatutos em novembro de 1932.

Nesse ano, nós poderemos ver o começo de uma rebelião similar, contrária à proibição da maconha, com eleitores de três estados – Washington, Colorado e Oregon – decidindo se legalizam a produção e venda da droga para uso recreativo. Se qualquer uma dessas propostas for aprovada, esse poderá ser o resultado mais importante das eleições desse outono, forçando os dois principais partidos políticos dos Estados Unidos a enfrentarem uma política irracional e injusta contra a qual cada vez mais americanos se opõem.

A seis semanas das eleições, a Medida 80, que estabeleceria uma comissão encarregada do licenciamento de produtores e da venda da maconha através de lojas estatais, parece ter problemas no Oregon. Em pesquisa realizada pela SurveyUSA no início desse mês, apenas 37% dos entrevistados disseram planejar votar no sim, enquanto 41% se opunham à medida e 22% estavam indecisos.

Mas o desempenho das outras duas iniciativas nas pesquisas é bem melhor. De acordo com uma pesquisa conduzida há 2 semanas pela SurveyUSA, 57% dos eleitores de Washington são favoráveis à iniciativa 502, que autorizaria o comércio privado de maconha regulamentado pela mesma comissão do estado que hoje fiscaliza o comércio de álcool. Apenas 34% são contra.

Outra pesquisa finalizada em 12 de setembro pela SurveyUSA verificou que 51% dos eleitores do Colorado apoiam a Emenda 64, que permitiria o cultivo doméstico de até 6 plantas e criaria um sistema de licenciamento para plantadores e comerciantes; 40% se opõem à emenda.

Mas a aprovação de nenhuma dessas medidas está garantida. A Proposição 19 californiana, uma iniciativa para legalizar a maconha que acabou por receber o voto de 47% dos eleitores em novembro de 2010, chegou a ter mais de 50% de apoio nas pesquisas. No entanto, apesar da intenção de votos em favor da Proposição 19 ter chegado a 56% em abril de 2010 e caído para 47% em setembro, o apoio às iniciativas de Washington e Colorado parece estar crescendo, de acordo com os números verificados pela SurveyUSA

Na pesquisa do Colorado, os apoiadores da legalização são maioria em todas as faixas etárias, com exceção das pessoas acima de 65 anos. A emenda 64 tem 30 pontos de vantagem entre os entrevistados com menos de 35 anos. Essas diferenças geracionais também ficam claras na pesquisa nacional. Numa pesquisa Gallup realizada em 2011, 62% dos entrevistados, com idade entre 18 e 29 anos, apoiavam a legalização da maconha, comparados a 31% dos entrevistados com mais de 65 anos.

Em geral, o apoio à legalização da maconha está em sua melhor marca em todos os tempos: 50%, comparados a 12% em 1969 e um pouco mais de 25% durante o governo Carter -- que mais tarde seria visto como um período tolerante em relação à maconha. Em um estudo Rasmussen realizado em maio, o apoio à legalização foi ainda maior: 56% dos entrevistados disseram que a maconha deveria ser tratada como o álcool, fazendo a legalização da maconha ser mais popular do que Barack Obama ou Mitt Romney.

O apoio à legalização da maconha cresce paralelamente ao número de pessoas que já experimentaram a droga. Os dados das pesquisas do governo federal sugerem que a maioria dos americanos adultos nascidos após a Segunda Guerra Mundial já experimentou maconha, uma experiência comum principalmente entre as pessoas que hoje têm 20 e 50 anos.

Isso não significa que todas essas pessoas sejam apenas usuários da droga em busca dos preços menores, da conveniência, da qualidade e da variedade prometida pelo mercado legal. Mas que eles, junto com seus amigos e familiares, têm experiência direta e indireta suficiente com a canabis para decidirem que o custo da proibição é alto demais.

Como observou o jornal The Seattle Times, em um editorial recente em que declarava apoio à Iniciativa 502, “A questão para os eleitores não é se a maconha é algo bom, mas se a proibição é boa”. Entre as vozes que rejeitam a proibição em Washington e Colorado estão vereadores, deputados estaduais, ex-membros do Ministério Público Federal, religiosos, policiais aposentados e duas organizações nacionais de policiais – um grupo difícil de ser visto apenas como maconheiros tolos – abordagem geralmente usada pelo presidente Barack Obama.

Se os eleitores aprovarem a legalização da maconha em um ou mais estados em novembro, essa atitude de desprezo não será mais sustentável. Não importa quem vença as eleições presidenciais.