Petição do livre comércio

Essa é a declaração da Campanha do Livre Comércio, iniciada pela Atlas Global Initiative em parceria com a International Policy Network, que coletará assinaturas de acadêmicos e intelectuais de diversos países para um pronunciamento oficial no dia 2 de abril em Londres, para coincidir com o encontro do G-20. Convidamos você a assiná-la no endereço http://tiny.cc/wWujk

 

O livre comércio é a melhor política

O espectro do protecionismo se avoluma. O protecionismo é sempre uma política tola e perigosa, mas especialmente perigosa numa época de crise econômica, quando ameaça prejudicar a economia mundial. Sua premissa, bastante peculiar, é que a prosperidade nacional aumenta quando o governo concede poder de monopólio aos produtores domésticos. Séculos de estudos econômicos, experiências históricas e pesquisas empíricas repetidamente mostraram que essa premissa é absolutamente errada. O protecionismo não “protege” nem mesmo os empregos e indústrias domésticas; ele os destrói, prejudicando as indústrias de exportação e as indústrias que dependem de produtos importados para produzir suas mercadorias. A elevação dos preços locais do aço por meio da “proteção” das empresas de aço locais apenas aumenta o custo de produção de carros e de muitos outros bens feitos de aço. O protecionismo é o jogo dos tolos.

Mas o fato de que o protecionismo destrói riquezas não é sua pior conseqüência. O protecionismo destrói a paz. Isso é motivo suficiente para que todas as pessoas de boa vontade, todos os amigos da civilização, se pronunciem em alto e bom som contra o nacionalismo econômico, uma ideologia do conflito, baseada na ignorância e materializada no protecionismo.

Há 250 anos, Montesquieu observava que “a paz é o efeito natural do comércio. Duas nações que têm suas diferenças passam a depender uma da outra; pois, se uma tem interesse em comprar, a outra tem interesse em vender; assim, sua união se baseia em suas necessidades recíprocas”.

O produto mais valioso do comércio é a paz. O comércio promove a paz, em parte, por unir povos diferentes em uma cultura comum de troca - um processo diário de aprendizado das línguas, costumes, leis, expectativas, desejos e talentos do outro.

O comércio promove a paz ao incentivar as pessoas a estabelecer relações de cooperação mutuamente benéfica. Assim como o comércio une os interesses econômicos de Paris e Lyon, de Boston e Seattle, de Calcutá e Bombaim, o comércio também une os interesses econômicos de Paris e Portland, de Boston e Berlim, de Calcutá e Copenhagen - de todos os povos de todas as nações que comerciam umas com as outras.

Diversas pesquisas empíricas rigorosas apóiam a proposição de que o comércio promove a paz.

Talvez o mais trágico exemplo do que acontece quando essa percepção é ignorada seja a Segunda Guerra Mundial.

O comércio internacional caiu 70% entre 1929 e 1932, o que se deveu em grande proporção à tarifa americana Smoot-Hawley e às tarifas retaliatórias de outros países. O economista Martin Wolf observa que “esta diminuição do comércio foi um grande impulso para a busca da autarquia e do Lebensraum, sobretudo para Alemanha e Japão”.

Logo vieram as mais macabras e mortíferas guerras da história da humanidade.

Ao reduzir a guerra, o comércio salva vidas.

O comércio salva vidas por aumentar a prosperidade e estendê-la a mais e mais pessoas, diminuindo a pobreza geral. As provas de que um comércio mais livre promove a prosperidade são simplesmente avassaladoras. A prosperidade permite que homens e mulheres comuns tenham vidas mais longas e saudáveis.

E com vidas mais longas, mais saudáveis e mais pacíficas, os povos integrados na economia global têm mais tempo para aproveitar o vasto leque de experiências culturais que o livre comércio traz. A cultura é enriquecida por contribuições do mundo inteiro, o que é possibilitado pelo livre comércio de bens e idéias.

Sem dúvida, o livre comércio aumenta a prosperidade material. Mas sua maior dádiva não é facilmente mensurada com dinheiro. Sua maior dádiva são as vidas que são mais livres, mais completas, e muito menos propensas a ser marcadas ou destruídas pelas atrocidades da guerra.

Assim, nós, abaixo-assinados, reunimo-nos num apelo aos governos de todas as nações para que resistam aos apelos dos gananciosos e imediatistas para que aumentem as barreiras ao comércio. Além disso, apelamos para que destruam as atuais barreiras protecionistas ao livre comércio. Dizemos a cada governo: que seus cidadãos gozem não apenas dos frutos de seus campos, fábricas e inteligências, mas também os do mundo inteiro. As recompensas serão maior prosperidade, vidas mais ricas, e o gozo das bênçãos da paz.