Políticos adoram anunciar mais ministérios. Que tal exaltar o capitalismo?

Época de plantio eleitoral. Hora de prometer soluções para problemas.

O governo vai resolver todos os problemas, dizem, sem exceção, todos os candidatos a todos os cargos.

Que pena que não há ninguém como Ronald Reagan ou Margaret Thatcher, que diga que o governo é o problema e não a solução.

Nossa história é longa (e, diga-se de passagem, a de todos os governos, que adoram se alimentar com o dinheiro dos cidadãos que suam para ganhá-lo).

Para só ficar num passado mais recente, Tancredo aumentou o número de ministérios para acomodar os aliados que ajudaram na composição política que resultou em sua eleição indireta.

Todos os seus sucessores, aumentando ou não o número de ministérios, sempre arranjavam uma maneira de colocar um problema criado pelo governo nas mãos de uma secretaria, conselho, fundo ou de alguma estrutura governamental, não importa o nome, que antes de resolver qualquer problema cuidava de “se resolver:” “quadros,” (funcionários a serem pagos), prédios a serem construidos ou alugados, móveis para sentar toda a malta, concursos públicos, mais ou menos fraudados, pedidos de nomeações, sem falar no chamado material de consumo.

Isto tudo feito, chega a hora de “começar a tentar resolver os problemas para que fomos criados.”

Como ninguém é de ferro, nem sabe muito sobre o assunto, a primeira coisa é contratar os filhos dos amigos para fazerem umas pesquisas para descobrir qual é o problema e como tratá-lo, porque até este momento não se queria pensar nisso.

Vamos pegar um exemplo: a criminalidade. Existem tantas “boas opiniões” quanto pessoas ? especialistas ou não ? que conseguem um espaço na mídia ou nos movimentos sociais para “vender” caro a sua solução para o problema das manchetes dos jornais da semana ou do mês.

Em minha vida de pesquisador, já tive que ler mídias de todos os tipos ao longo de longuíssimos períodos, 5, 10 ou até 15 anos, para saber detalhes de algum tema que pesquisava como profissional.

A marca registrada mais interessante de todos esses 40 anos de pesquisa era que a sociedade andava, as empresas ofereciam novos produtos, as pessoas mudavam as roupas que vestiam e os sapatos que calçavam, surgiam novos empregos e novos serviços disponíveis para os cidadãos. E a mídia evoluia. O mundo ficava mais complexo, mais desafiador e mais interessante.

Como você pode ver, meu caro leitor, eu sou um otimista a respeito da história.

Só havia uma coisa que não mudava: os problemas ou mazelas aos quais todos os sucessivos governos prometiam que iam dar atenção. Estes e estas eram de uma constância fantástica. Não mudavam.

Um amigo viu uma vez uma foto de uma Igreja sesquicentenária no Rio de Janeiro. Até a aparência da igreja tinha evoluido. A única coisa comum entre as duas fotos tiradas com mais de 100 anos de intervalo era o mendigo esmolando na porta.

As fotos de Serra Pelada na década de 1970 eram iguais aos quadros que encontramos nos museus barrocos de Minas Gerais. Os mesmos pobres coitados carregando nas costas milhares de sacos de terra das minas de ouro.

E o governo sempre propondo soluções para isso. As fotos da agricultura não eram muito diferentes.

Hoje são. Não se veem mais tantos milhões de roceiros com enxadas ou foices, nem tantos martelos nas fábricas.

Colheitadeiras ou robôs fazem as coisas que consumimos e exportamos.

Mas as campanhas políticas seguem na mesma toada, prometendo ministérios, secretarias, funcionários públicos para resolverem os mesmos problemas que aparecerão novamente nas eleições em futuros mais remotos.

Que tal os candidatos pararem de prometer que vão resolver os problemas que deixarão de herança para seus sucessores e passarem a atrapalhar menos as empresas que produzem o que usamos em nossas vidas?

Quem sabe conseguiremos baixar a percentagem do PIB que gastamos em impostos inúteis dos atuais 40, ou mais, por cento para 10 ou 15?

Mas os governos morrem de medo de fazer isso porque podemos chegar à conclusão de que eles são quase inúteis e que, na realidade, tudo o que amamos, devemos ao capitalismo.

Como você acha que aquele arroz e aquele feijão que estão no seu prato chegaram lá? E aquele bife que repousa plácida e convidativamente no seu prato? Eles não chegaram lá por obra do governo, mas por obra de muitos que produziram plantaram, regaram, colheram, fabricaram ou trasnportaram competitivamente o que quer que você consuma, para que você pudesse tocar adiante sua vida ou a sua busca da felicidade.

Governos não resolvem problemas. Governos são o problema, porque, afinal de contas, tudo o que você ama você deve, não aos prometidos ministérios, mas aos capitalistas que satisfazem seus desejos de consumo.

Que tal os candidatos começarem a falar melhor do capitalismo?