Quanto afinal vai custar a Copa do Mundo?

A ministra do planejamento, Miriam Belchior, afirmou ontem desconhecer o quanto a Copa do Mundo custará aos cofres públicos. Em declaração à Folha.com, a ministra disse que não há nenhum estudo que possa esclarecer esses valores.

O surto de sinceridade no governo federal acontece depois de anos de dossiês, projetos e estudos que estimavam um total de gastos que, hoje sabemos, estavam distantes da realidade. Desde o anúncio do Brasil como sede da Copa do Mundo, feito em 2007, o valor dos investimentos e a parcela desse valor que será coberta pelos cofres públicos não param de subir.

Em 2007, o investimento na Copa estava estimado em US$ 9 bilhõesNessa matéria, o presidente do Instituto Ethos, Jorge Abrahão, lembra que quando o Brasil foi anunciado como sede da Copa do Mundo dizia-se que 60% ou 70% dos investimentos seriam privados. Hoje, diz Abrahão, já admitem que mais de 90% dos gastos com os estádios serão públicos.

Em matéria do último dia 16 de setembro, o jornal Lance destaca que, apesar de serem executadas em um bom ritmo, as obras dos estádios custam caro. E mostra também a disparidade entre o orçamento previsto em 2007, e o custo real das obras:

Em outubro de 2007, as 12 cidades-sede, então candidatas, apresentaram orçamento total de R$ 3,25 bilhões para estádios – a conta não incluiu o Mineirão, que não tinha estimativa de preço. Na quarta-feira, o governo federal soube o valor real dos custos das arenas: R$ 6,419 bilhões. Praticamente o dobro do previsto há quatro anos.

Os políticos sabem custo da Copa do Mundo de 2014 é um tema controverso. Após o Brasil ter sido escolhido país sede da Copa, os representantes do governo esclareciam que o investimento público seria na estrutura, no legado que ficaria para a população.

Hoje, o governo admite cobrir a maior parte dos custos e já não vê o legado para a população como prioridade. Como admitiu a ministra Belchior, em entrevista ao Valor Econômico:

“Mobilidade urbana serve como legado para as cidades, podendo ficar prontas para depois da Copa. Elas são importantes, mas não essenciais”

Para os jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, o poder público prometeu novas linhas de metrô e entregou novas linhas de ônibus. Para a Copa do Mundo, prometeu melhoria nos sistemas de transporte das cidades, mas entregará feriados.

Tudo isso, por um preço que o governo federal não queria que você soubesse. E que agora, o próprio governo admite não saber.