Relembrando Ronald Reagan

Ronald Reagan foi o porta-voz do governo limitado mais eloquente dos nossos tempos. Ao longo de 25 anos de incansavelmente “levantar uma bandeira não de cores pálidas, mas de cores vivas” de princípios políticos, ele obteve sucesso em mudar o clima da opinião nos Estados Unidos e ao redor do mundo.

Desde a sua primeira aparição na cena política nacional dos Estados Unidos em 1964, ele falou em favor dos valores que defendeu no seu discurso televisionado nacionalmente antes daquela eleição.

“Essa ideia de que o governo dependia do povo, de que ele não tinha outra fonte de poder ainda é a ideia mais nova e única em toda a longa história da relação do homem com o homem. Este é o assunto dessa eleição: se acreditamos na nossa capacidade de autogoverno ou se abandanamos a Revolução Americana e confessamos que uma pequena elite intelectual em uma capital muito distante pode planejar nossas vidas muito melhor do que nós mesmos o podemos fazer.

Dizem a você e a mim que devemos escolher entre esquerda e direita, mas eu quero mostrar que não existe mais esquerda ou direita. Existe apenas para cima ou para baixo. Para cima para o antigo sonho – o máximo da liberdade individual consistente com a ordem – ou para baixo para o formigueiro do totalitarismo. Independentemente da sua sinceridade, das suas razões humanitárias, aqueles que sacrificariam a liberdade pela segurança embarcaram em um caminho descendente. Plutarco alertou, ‘O real destruidor das liberdades do povo é aquele que espalha no meio dele generosidades, doações e benefícios’.

Os Founding Fathers sabiam que um governo não pode controlar a economia sem controlar o povo. E eles sabiam que quando um governo se levanta para o fazer, ele deve usar força e coerção para alcançar seu propósito”.

Como um esquerdista que se deslocou para a direita, ele pode ser sido considerado o primeiro neoconservador. Com exceção do fato de que ele foi um esquerdista anticomunista, não um comunista como os neoconservadores originais. E o seu conservadorismo implicava tornar o governo menor, não usando um governo grande para atingir objetivos conservadores. Nós não temos esse tipo de conservadorismo em Washington hoje.

No seu discurso de posse, ele proclamou:

“Na atual crise, o governo não é a solução para o nosso problema; o governo é o problema.

A minha intenção é restringir o tamanho e a influência do estabelecimento federal e exigir reconhecimento da distinção entre os poderes garantidos ao governo federal e aqueles reservados aos estados ou ao povo. Todos nós precisamos ser lembrados de que o governo federal não criou ou estados; os estados criaram o governo federal.

Suas ações no governo nem sempre cumpriram essas promessas. O gasto governamental continuou crescendo, houve pouca devolução de poderes aos estados e o custo da regulação federal continuou a crescer. Ao invés de abolir dois Gabinetes, como havia prometido (Educação e Energia), ele criou mais um (Veterans Affairs). Nós devemos a ele as presidências de George H. W. Bush e George W. Bush, nenhum dos quais tomou parte no seu compromisso com a liberdade e com o governo limitado.

No entanto, após suceder um presidente que nos deu uma boa razão para acreditarmos que a nossa nação estava com problemas, ele reanimou nossos espíritos e a nossa fé na livre iniciativa. Ele reduziu as taxas de impostos marginais e reanimou a fraca economia. Junto com Margaret Thatcher, ele simbolizou e estimulou um entusiasmo renovado para o empreendorismo e para o mercado livre. No seu segundo discurso de posse, ele ecoou suas palavras de 20 anos antes:

“Em 1980, nós sabíamos que era a hora de renovar nossa fé, de lutar com todas as nossas forças pelo máximo de liberdade individual consistente com uma sociedade ordenada. Nós acreditávamos então e agora que não há limites para o crescimento e para o progresso humano quando homens e mulheres são livres para buscarem os seus sonhos”.

Reagan era considerado socialmente conservador, e frequentemente falava sobre ‘nossos valores de fé, família, trabalho e vizinhança’. Mas ele raramente buscou usar o governo para impor tais valores. Em 1978 ele discursou contra uma iniciativa anti-gay na Califórnia. Robert Kaiser, do Washington Post, destacando que Reagan foi o primeiro ocupante da Casa Branca a hospedar um casal gay, o chamou de “tolerante no armário”.

Muito da presidência de Reagan, é claro, foi dominado pela Guerra Fria e a longa batalha contra o comunismo. Em um discurso de 1983 ele chocou as salas de aula tagarelas ao contar a verdade sobre a União Soviética:

“Vamos orar pela salvação daqueles que vivem na escuridão do totalitarismo - orar para que eles descubram a alegria de conhecer a Deus. Mas até que eles o façam, estejamos cientes de que enquanto eles pregarem a supremacia do estado, declararem a sua onipotência sobre o indivíduo e predizerem a sua eventual dominação sobre os povos da Terra, ele serão o foco da maldade no mundo moderno...

Eu acredito que o comunismo é outro capítulo triste e bizarro na história e as suas últimas páginas estão sendo escritas agora...

Eu insisto para que tomem cuidado com a tentação do orgulho - a tentação de alegremente se declararem acima de tudo e rotularem da mesma maneira os dois lados culpados, a ignorarem os fatos da história e os impulsos agressivos de um império maligno”.

Alguém poderia debater a conveniência de uma iniciativa de política externa em particular, mas certamente foi um bom negócio ser honesto a respeito da natureza do comunismo totalitário. Suas palavras declararam o fim da “equivalência moral” e a determinação de aproveitar a posição estratégica moral na luta contra o comunismo, e elas inspiraram as pessoas atrás da Cortina de Ferro a acreditarem que elas poderiam, de fato, ser capazes de porem um fim ao “capítulo triste e bizarro na história” no qual foram forçados a viver.

À medida que as últimas páginas daquele capítulo se desenrolaram, Reagan foi a Berlin e nas suas, talvez, mais famosas palavras, lançou um desafio ao lider soviético Mikhail Gorbachev:

“Secretário geral Gorbachev, se você buscar a paz, se você buscar a prosperidade para a União Soviética e para a Europa Ocidental, se você buscar a liberalização: Venha aqui para esse portão! Sr. Gorbachev, abra esse portão. Sr. Gorbachev, derrube esse muro!

Um ano mais tarde, em 1988, Reagan visitou Gorbachov em Moscou. Com permissão para falar a estudantes na Moscow State University, ele discutiu a natureza de uma sociedade livre:

“Os exploradores da era moderna são os empreendedores, homens de visão, com coragem de correrem riscos e fé suficiente para desbravarem o desconhecido. Esses empreendedores e seus pequenos empreendimentos são responsáveis por quase todo o crescimento econômico nos Estados Unidos. Eles são o motor principal da revolução tecnológica. Na verdade, uma das maiores firmas de computadores pessoais dos Estados Unidos foi criada por dois estudantes universitários, da mesma idade de vocês, na garagem da sua casa...

Nós estamos vendo o poder da liberdade econômica ao redor do mundo – lugares como a República da Coreia, Cingapura e Taiwan ingressaram na era tecnológica, mal pausando na era industrial ao longo do caminho. A adoção de políticas de baixos impostos agrícolas no subcontinente em alguns anos tornaram a Índia uma exportadora líquida de alimentos. Talvez mais empolgantes sejam os ventos de mudança soprando sobre a China, onde um quarto da população mundial agora experimenta pela primeira vez a liberdade econômica...

Entrem em qualquer sala de aula e lá vocês verão crianças aprendendo a Declaração da Independência, de que eles receberam do Criador certos direitos inalienáveis – entre eles vida, liberdade e a busca da felicidade – que nenhum governo pode justamente negar – as garantias na sua Constituição da liberdade de expressão, liberdade de associação e a liberdade de religião...

Mas a liberdade é mais do que isso: liberdade é o direito de questionar e mudar a maneira estabelecida de fazer as coisas. É a revolução contínua do mercado. É a compreensão que nos permite reconhecer as falhas e buscar as soluções. É o direito de colocar em prática uma ideia, zombada pelos especialistas, e assisti-la fazer sucesso entre o povo. É o direito - de sonhar - de seguir o seu sonho, ou de seguir a sua consciência, mesmo que você seja o único em um mar de dúvidas.

Liberdade é o reconhecimento de que nenhuma pessoa, nenhuma autoridade do governo tem o monopólio da verdade, mas que cada vida individualmente é infinitamente preciosa”.

Ronald Reagan frequentemente dizia que “o coração e a alma do conservadorismo são libertários”. Eu o ouvi dizer isso na Universidade Vanderbilt, em 1975, quando tive a honra de jantar com ele antes do seu discurso e ganhar a sua assinatura na minha newsletter “Reagan para Presidente”. Atualmente, eu exponho suas palavras de maneira diferente: o melhor aspecto do conservadorismo americano é o seu compromisso com a proteção das liberdades individuais proclamadas na Declaração da Independencia e garantidas na Constituição. Ronald Reagan falou em nome desse tipo de conservadorismo. Esse é o conservadorismo do qual sentimos falta atualmente em Washington e no Partido Republicano.