Sexo entre ideias

A expressão “retornos decrescentes” é tão clichê que poucas pessoas pensam muito sobre ela. Por exemplo, escolher as nozes pecãs em uma tigela de nozes e castanhas diversas dá retornos decrescentes. As pecãs na tigela vão rareando e rareando. Seus dedos encontrarão amêndoas, avelãs, castanhas de caju, e até — Deus o livre — castanhas-do-Pará. Aos poucos, a tigela, como uma mina de ouro agonizante, deixa de produzir níveis satisfatórios de nozes pecãs.

Agora imagine uma tigela que se comporte de maneira diferente. Quanto mais pecãs você tira, mais e maiores pecãs aparecem. Essa tem sido a experiência humana nos últimos 100 mil anos. A tigela global de oleaginosas tem dado cada vez mais pecãs.

Ninguém previu este fenômeno. Os pioneiros da política econômica esperavam uma eventual estagnação. Adam Smith, David Ricardo e Robert Malthus previram todos que os retornos decrescentes eventualmente se manifestariam, e que as melhorias de qualidade de vida que eles observavam iriam cessar. "A descoberta e aplicação útil de máquinas sempre leva ao aumento da produção bruta de um país, embora não possa e não vá, após um período de tempo insignificante, aumentar o valor dessa produção bruta", disse Ricardo, que percebeu uma tendência ao que ele chamava de "estado estacionário". John Stuart Mill, aceitando que os ganhos não estavam mostrando nenhum sinal de redução, propôs que isso se devia simplesmente à sorte. A inovação, disse ele, era um fator externo; uma causa, mas não um efeito, do crescimento econômico.

Até mesmo o otimismo modesto de Mill não era compartilhado pelos seus sucessores. Eles temiam que, assim que as novas descobertas começassem a diminuir, a competição forçaria os lucros para fora do mercado cada vez mais perfeito até que só sobrassem rentismo e monopólios. Com a mão invisível de Smith guiando os participantes do mercado para um equilíbrio sem lucro e retornos decrescentes, a economia neoclássica previa sombriamente o fim do crescimento.

Para explicar essa tigela sem fundo da modernidade, é preciso explicar de onde essa maquina de inovação perpetua e seus retornos crescentes vieram. Estes não foram planejados, dirigidas ou ordenados. Emergiram, evoluíram, de baixo para cima, através da especialização e das trocas. A troca acelerada de ideias e pessoas, tornada possível pela tecnologia, propulsionou o crescimento acelerado das riquezas que caracterizou o último século. Políticos, capitalistas e oficiais estão apenas flutuando rio acima na onda da inovação.

Ainda, a geração de novos conhecimentos úteis está longe de uniforme, constante ou contínua. A inovação é como um fogo de palha que queima com um brilho intenso por um curto período de tempo, e então morre antes de começar a incendiar outro lugar. Cinquenta mil anos atrás, o lugar mais ativo era a Ásia ocidental (fornos, arcos e flechas); 10.000 anos atrás, a Crescente Fértil (cultivo, vasos); 5.000 anos atrás, a Mesopotâmia (metais, cidades); 2000 anos atrás, Índia (têxteis, zero); 1.000 anos atrás, China (porcelanas, impressão); 500 anos atrás, Itália (contabilidade moderna, Leonardo); 400 anos atrás, países baixos (o Banco de Amsterdã); 300 anos atrás, Franca (Canal du Midi); 200 anos atrás, Inglaterra (vapor); 100 anos atrás, Alemanha (fertilizantes); 75 anos atrás, Estados unidos ( produção em massa); 50 anos atrás, Califórnia (carta de credito); 25 anos atrás, Japão (walkman). Nenhum lugar especifico continua sendo o líder em criação de conhecimento.

Assim como o fogo de palha se espalha para diferentes lugares do mundo em diferentes épocas, ele também pula de tecnologia em tecnologia. Hoje, assim como na época da revolução da impressão há 500 anos, a comunicação é uma chama com retornos crescentes, mas o setor de transportes está passando por uma fase de retornos decrescentes. Cada vez é necessária uma quantidade maior de trabalho para aumentar a em alguns quilômetros por litro a eficiência dos carros, ao passo que cada pacote de megabits vem com um custo mais barato.

Mas os maiores retornos de uma nova onda tecnologica vêm bem depois da invenção da tecnologia. Eles vêm quando a tecnologia é democratizada. A impressora de Gutenberg levou décadas para gerar a Reforma protestante. Os contâineres de hoje não são transportados muito mais rápido que um navio a vapor do século XIX, e a internet de hoje manda pacotes de informação um pouco mais rapido que um telégrafo do século XIX — mas todo mundo está usando, não somente os ricos. Os aviões viajam a velocidades similares às da década de 70, mas as companhias aéreas de baixo custo são novas.

Então, qual será o segredo da máquina de inovação perpétua que propulsiona o mundo moderno? Por que a inovação se tornou uma rotina? Como se explica que, nas palavras de Alfred Whitehead, "a grande invenção do século XIX foi a invenção do método de inventar?"

Ciência?

Francis Bacon foi o primeiro a propor que os inventores estão aplicando o trabalho dos descobridores e que a ciência e a mãe da invenção. Políticos modernos concordam. A receita para se fazer novas ideias é fácil, dizem eles: injete dinheiro público em ciência, que é um bem público, porque ninguém pagará pela geração de ideias se o contribuinte não pagar; e aí, sente e espere as novas tecnologias surgirem.

Era popular afirmar que a revolução científica europeia do século XVII alimentou a curiosidade racional das classes educadas, cujas teorias foram então aplicadas na forma de novas tecnologias, o que por sua vez permitiu que os padrões de vida melhorassem. Mas a história mostra que essa descrição inverte as coisas. Poucas das invenções que fizeram a revolução industrial deviam qualquer coisa à teoria.

É verdade que a Inglaterra passou por uma revolução científica no final dos anos 1600, mas a influência de cientistas como Isaac Newton e Robert Hooke sobre o que aconteceu com a indústria manufatureira da Inglaterra no século subsequente foi insignificante. A indústria que foi transformada mais expressivamente, a do processamento do algodão, era de pouco interesse para os cientistas. As máquinas de descaroçar o algodão os e teares que revolucinaram o trabalho com algodão foram inventados por empresários engenhosos, não pelos fantoches pensantes. Foi dito que nada no planejamento dessas estruturas era mais recente que Arquimedes.

Até mesmo os estágios finais da revolução industrial estão repletos com exemplos de tecnologias que foram desenvolvidas sem a menor ideia de como elas funcionavam. Isso era especialmente verdade no mundo da biologia. A aspirina curava dores de cabeça por mais de um século quando que qualquer um tivesse ideia de como funcionava. A habilidade da penicilina de matar bactérias foi entendida mais ou menos quando as bactérias já estavam se tornando resistentes a ela.

A maioria das mudanças tecnológicas vem das tentativas de melhorar as tecnologias existentes. Acontece nas oficinas entre aprendizes e mecânicos ou no trabalho entre os usuários de programas de computador, e muito raramente acontece como resultado da transferência de conhecimento da torrem de marfim acadêmica.

Capital?

Talvez o dinheiro seja o responsável pela inovação. A única maneira de incentivar a inovação, como dirá qualquer empresário de capital de risco, e juntar capital e talento. A história mostra que nas maiorias das vezes as pessoas tiveram muito sucesso em mantê-los separados.

Na Roma imperial, muitos escravos desconhecidos sem dúvida sabiam como fazer prensas melhores para as azeitonas, moinhos melhores, teares melhores, enquanto que muitos plutocratas sabiam como economizar, investir e consumir. Mas os dois grupos viviam muito distantes um do outro, separados por intermediários que não tinham o menor desejo de lhes dar acesso um ao outro. Uma anedota repitida por vários autores romanos explica a questão. Um homem demonstra para o imperador Tiberius sua nova invenção de um vidro inquebrável e maleável, esperando por uma recompensa. Tiberius pergunta se alguém conhece o segredo do inventor e todos afirmam não conhecer o segredo. Entao Tiberius manda cortar a cabeça do inventor para evitar que o novo material desvalorize o ouro. A moral da história — verdadeira ou não — não é somente que os inventores romanos recebiam punições pelas suas invenções, mas que o capital de risco era tão escasso que a única maneira de conseguir dinheiro para desenvolver uma ideia nova era ir atrás do imperador.

O nascimento da inovação no século XVIII na Inglaterra e no final do século XX na Califórnia foi impulsionado por imigrantes atraídos pelas grandes fortunas e mercados de capitais eficientes. O financiamento da inovação gradualmente se transferiu para dentro das corporações durante o século XX, incluído nos orçamentos de companhias assombradas pelo medo schumpeteriano de que a inovação poderia tirá-los do mercado, e fascinadas pelo sonho de poder tirar o mercado dos competidores. Mas as corporações estão constantemente descobrindo que seus orçamentos de pesquisa e desenvolvimento são apropriados por burocratas defensivos e complacentes. A história do computador é cheia de exemplos de grandes oportunidades perdidas por grandes corporações, que então se encontram desafiadas por competidores em rápido crescimento. IBM e Digital Equipment sofreram esse destino, e assim será para a Apple, Microsoft e Google. Os grandes inovadores ainda são os forasteiros.

O dinheiro certamente é importante para a inovação, mas não é de maneira alguma essencial. Até mesmo nas economias mais empreendoras, apenas uma pequena parcela do dinheiro chega na mão dos inventores. Inventores britânicos vitorianos viveram sob um regime que gastava uma grande porção do dinheiro em pagamento de juros, mandando o sinal de que a coisa mais segura para as pessoas ricas fazerem com seu dinheiro era coletar aluguel sobre o dinheiro com impostos sobre o comércio. Hoje muito dinheiro e gasto em pesquisa que não desenvolve, e muitas descobertas são feitas sem a aplicação de muito dinheiro. Quando Mark Zuckerberg inventou o Facebook em 2004, ainda estudando em Harvard, ele precisou de muito pouco dinheiro de pesquisa e desenvolvimento. Até mesmo quando ele expandiu os negócios, seu primeiro investimento de US$500 mil, feito pelo fundador da PayPal, Peter Thiel, foi minúsculo em comparação com o que empreendedores precisavam na era do vapor ou das ferrovias.

Propriedade intelectual?

Talvez propriedade seja a resposta. Ninguém vai investir tempo e esforco semeando uma colheita em sua terra se não puder esperar algum lucro, um fato que Stalin, Mao e Robert Mugabe aprenderam de maneira difícil. Certamente ninguém vai investir tempo e esforco desenvolvendo uma nova ferramenta ou construindo uma nova organização se não puder ficar com pelo menos parte do retorno.

Mesmo assim, a propriedade intelectual é muito diferente de propriedade real, porque é inutil se você guardar para você, e um conceito abstrato pode ser compartilhado infinitas vezes. Essas características criam um aparente dilema para aqueles que encorajariam inventores. As pessoas ficam ricas vendendo outras coisas (e serviços), não ideias. Produza as melhores bicicletas e você terá muitos lucros; tenha uma ideia de uma bicicleta e você não ganhará nada, pois logo a ideia será imitada. Se ps inovadores são pessoas que criam ideias em vez de coisas, como eles podem lucrar com isso? A sociedade precisa inventar um mecanismo especial para cercar novas ideias com cercas, para torná-las mais parecidas com casas e terrenos?

Existe pouca evidencia de que patentes realmente motivem inventores a inventarem. Na segunda metade do século XIX, nem a Holanda nem a Suíça tinham um sistema de patentes, e mesmo assim os dois países floresceram e atraíram inventores. A lista de invenções significativas não patenteadas do século XX inclui a transmissão automática, Bakelite, canetas esferográficas, celofane, ciclotrons, giroscópios, motores a jato, gravação magnética, direção hidráulica, lâminas de segurança e zíperes. Por contraste, os irmãos Wright efetivamente atrasaram a nascente indústria aérea dos Estados Unidos defendendo entusiasticamente suas patentes de 1906 sobre maquinas voadoras propulsionadas.

A propriedade intelectual pode ajudar. Uma patente pode ser uma dádiva para uma pequena empresa tentando entrar em um mercado dominado por uma grande empresa. Na industria farmacêutica, onde o governo insiste em um regime extremamente caro de testes para segurança e eficácia antes do lançamento de um produto, a inovação sem alguma forma de patente seria impossível. Mas os sistemas modernos de patentes são frequentemente cheios de ineficiências, aumentando as taxas sobre os inventores e portanto prejudicando o empreendimento. E a propriedade intelectual não ajuda em quase nada a explicar por que algumas épocas e lugares são mais inovadores que outros.

Governo?

Os governos podem levar crédito por uma lista de grandes invenções, de armas nucleares à internet, do radar ao satélite de navegação. Ainda assim, os governos são também notáveis por interpretar mal as mudanças técnicas. Nos Estados Unidos, uma explosão de idiotices do governo apareceu nos anos 1980 sob o nome de Sematech. Com base na premissa de que o futuro residia em grandes companhias manufatureiras de chips de memória (que eram cada vez mais feitos na Asia), o governo colocou US$100 milhões nas manufaturas de chips, com a condição de que elas parassem de competir entre si e que combinassem esforços para sobreviver em um negócio que rapidamente se tornava uma commodity. Até o ano de 1988, os planejadores industriais ainda estavam criticando as fragmentadas companhias do Vale do Silício como "cronicamente empreendedoras" e incapazes de investimento de longo prazo

Existem algumas coisas, como aceleradores de particulas e missões lunares, em que provavelmente nenhuma empresa privada obteria permissão de investir de seus investidores, mas será que até uma coisa dessas não capturaria a imaginação de alguém como Buffet, Gates ou Mittal, se já não estivesse recebendo financiamento do governo? Você pode ter certeza de que, se a NASA não existisse, alguém muito rico não teria por agora colocado sua fortuna em uma missão lunar somente pelo prestígio? Os investimentos públicos nos impedem de ter a resposta para essa pergunta

Um grande estudo feito em 2003 pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico concluiu que o gasto do governo com pesquisa e desenvolvimento não tem um efeito observável no crescimento do país. Na verdade, "o gasto do governo drena recursos que as empresas poderiam dedicar a pesquisa e desenvolvimento privados". Os governos ignoraram essa conclusão quase que completamente.

Troca!

É a sempre crescente troca de ideias que causa a sempre crescente inovação no mundo moderno.

Os inovadores estão no negócio de compartilhar. É a coisa mais importante que eles fazem, já que, se não compartilharem suas inovações, não haverá beneficios para eles ou qualquer outra pessoa. E a atividade que ficou mais fácil depois de 1800, e dramaticamente mais fácil recentemente, é o compartilhamento. Viagens e comunicações disseminaram informação muito mais rápido e mais longe. Jornais, jornais técnicos e telégrafos espalham ideias tão rápido quanto espalham fofocas. Em uma pesquisa recente pelos economistas Rajshree Agarwal e Michael Gort, entre 46 grandes invenções, o tempo que se levou para a primeira cópia aparecer caiu estavelmente de 33 anos em 1985 para 3 anos em 1975. E a velocidade só aumentou desde então.

Quando Hero de Alexandria inventou um motor a vapor no primeiro século e usou-o para abrir as portas dos templos, a notícia da nova invenção se espalhou tão devagar e para tão poucas pessoas que talvez nunca tenha chegado as ouvidos dos designers de carretas. A astronomia ptolomaica era engenhosa e precisa, pra não dizer extremamente precisa, mas nunca foi usada na navegação porque os astrônomos e os marinheiros nunca se encontravam. O segredo do mundo moderno é sua interconexão gigantesca. Ideias estão fazendo sexo com outras ideias de todas as partes do planeta com cada vez mais promiscuidade. O telefone fez sexo com o computador e gerou a internet.

Tecnologias emergem da junção de tecnologias existentes, formando totais que são maiores que a soma das suas partes. Henry Ford uma vez admitiu que não havia inventado nada novo: ele "simplesmente juntou em um carro as descobertas de outros homens, apoiados por vários séculos de trabalho". Inventores gostam de negar os seus antecessores, exagerando a natureza de suas descobertas para clamar a glória (e algumas vezes as patentes) para eles. Portanto, americanos aprendem que Edison inventou a lâmpada incandenscente do nada, quando seus antecessores menos manhosos comercialmente, Joseph Swan no Reino Unido e Alexander Lodygin na Rússia, merecem pelo menos uma parte do crédito.

Os usuários das tecnologias também se juntaram à orgia. Adam Smith contou a história de um garoto cuja profissão era de abrir e fechar a válvula de um motor a vapor e que, para economizar tempo, criou um equipamento para fazer isso por ele. Ele sem duvida foi para o túmulo sem compartilhar sua ideia, ou esta não teria sido imortalizada pelo sábio escocês. Se fosse hoje, ele teria compartilhado seu “macete” em uma sala de bate-papo online com pessoas de interesses similares, e eventualmente receberia os créditos em sua própria entrada na Wikipedia.

Talvez em breve estejamos vivendo em um mundo pós-capitalista e pós-corporativo, onde os indivíduos são livres para se encontrarem em grupos para compartilhar, colaborar e inovar, e onde sites de internet permitem que as pessoas encontrem empregadores, empregados e clientes em qualquer lugar do mundo. Isso é também, como nos lembra o psicologo evolucionario Geoffrey Miller, "habilidade de produção infinita a serviço da infinita vaidade, luxúria, gula, ira, ambição, inveja e orgulho humanos". Mas isso é mais ou menos o que a elite disse sobre carros, fábricas de algodao, e (suponho eu) trigo e machados também.

Se não fosse por esse rio infindável de invenções e descobertas irrigando a frágil plantação humana de riqueza, os padrões de vida teriam estagnado. Mesmo com a população domada, energias fósseis fluindo e comércio livre, a raça humana poderia rapidamente descobrir os limites do crescimento sem a criação de conhecimento. O comércio selecionaria quem é melhor fazendo alguma coisa; trocas poderiam aumentar a divisão do trabalho para o melhor efeito possível; e os combustíveis poderiam amplificar os esforços das fabricas artesanais; mas, eventualmente, haveria uma diminuição do crescimento. Uma estabilidade ameaçadora entraria em cena.

Nesse sentido, Ricardo e Mill estavam certos. Mas enquanto puderem pular de país para país e de indústria para indústria, descobertas têm efeito rápido. A inovação é um processo de feedback cíclico; uma invenção é uma profecia que se realiza por si mesmo. Estabilidade e estagnação não são somente evitáveis em um mundo com trocas livres. São impossiveis.

 

Adaptado de The Rational Optimist, de Matt Ridley, e publicado em Reason.org.

Copyright © 2010 por Matt Ridley. Reimpresso na revista com permissão de Harper, uma marca da HarperCollins Publishers.

 

Tradução de William Resende.