Três biografias para celebrar o Dia Internacional das Mulheres

3f

Para celebrarmos o Dia Internacional das Mulheres, vamos relembrar as biografias de 3 mulheres com histórias inspiradoras, escritas por Jim Powell e publicadas anteriormente em OrdemLivre.org.

Mary Wollstonecraft

Wollstonecraft inspirava as pessoas porque falava com o coração. Embora fosse razoavelmente bem educada, fazia uso primordialmente da sua própria experiência de vida tumultuada. Ela dizia que “há um defeito original na minha mente, pois as mais cruéis das experiência não foram suficientes para erradicar essa minha tendência boba em valorizar – e esperar encontrar – ternura romântica”. Ela ousou fazer o que nenhuma mulher fizera: seguir uma carreira como escritora profissional em tempo integral, tratando de assuntos sérios, sem o patrocínio de nenhum aristocrata. “Serei a primeira de um novo tipo”, ela afirmou. Foi uma luta dura, pois as mulheres tradicionalmente eram louvadas por suas habilidades domésticas, e não por sua inteligência. Wollstonecraft desenvoleveu seus talentos enquanto vivia com uma renda minguada. Vestia-se com simplicidade, raramente comia carne e, quando tomava vinho, era em uma um xícara de chá, pois não podia pagar por um copo inteiro.

Seus contemporâneos observavam sua presença provocante – magra, de altura média, olhos encantadores, cabelos castanhos, e voz suave. “Mary não chegava a ser de uma beleza estonteante, mas era encantadoramente graciosa”, disse um admirador germânico. “Seu rosto, tão expressivo, tinha um tipo de beleza que ia além das características mais comuns. Havia algo de encantador em seu olhar, em sua voz, em seus gestos”.

Rose Wilder Lane

Lane era uma estrangeira que veio de um território que não era ainda parte dos Estados Unidos e iniciou uma carreira antes de muitas mulheres terem direitos iguais. Tornou-se uma das escritoras freelance de maior sucesso em sua época. Viajou a trabalho pela Europa Oriental e aos 78 anos se tornou correspondente de guerra no Vietnã. Publicou textos em American MercuryCosmopolitanCountry GentlemanGood HousekeepingHarper’sLadies’ Home JournalMcCall’s,RedbookSaturday Evening PostSunset, Woman’s Day, e outras revistas. Produziu roteiros para o apresentador de rádio Lowell Thomas, cuja especialidade eram aventuras de viagens exóticas, e escreveu biografias de Charles Chaplin, Henry Ford e Jack London. Seu romance Let the Hurricane Roar [“Deixe o furacão rugir”] (1933) foi um best-seller que permaneceu em catálogo por quatro décadas e foi adaptado para a televisão como Young Pioneers [“Jovens pioneiros”]. Seu livro The Discovery of Freedom [“A descoberta da liberdade”](1943), ainda disponível, ajudou a inspirar o moderno movimento libertário. Ela atingiu seu maior impacto quando transformou as histórias contadas por sua mãe na adorada série de livros Little House [“Casinha”], tratando temas como responsabilidade individual, auto-confiança, cortesia, coragem e amor. Muitas pessoas consideram-na a melhor série de livros infantis já escrita. Referindo-se a Lane e suas compatriotas, a jornalista Isabel Paterson e a romancista Ayn Rand, John Chamberlain, editor da Fortune, escreveu admiradamente que “com um olhar desdenhoso para a comunidade empresarial masculina, elas decidiram reacender a fé em uma filosofia americana mais antiga. Não havia nenhuma economista dentre elas. E nenhuma delas era uma Ph.D”. Albert Jay Nock declarou que “elas fazem com que nós escritores homens nos pareçamos com dinheiro Confederado [N.T.: sem valor]. Elas não se descuidam nem perdem tempo – cada tiro vai direto ao ponto”. O biógrafo William Holtz notou que a filosofia política foi “o principal interesse de Lane durante metade de sua vida adulta. Ela era uma figura importante na transmissão do persistente fio de pensamento libertário em nosso país, e muitos daqueles que respeitam e amavam-na formavam na verdade um tipo de camaradagem entre guerreiros contra o Estado. (…) Altamente autodidata, sempre uma leitora voraz e variada e, por temperamento, uma pensadora independente, ela acreditava em poucas coisas simplesmente por fé, testado idéias instintivamente contra sua própria experiência”.

Ayn Rand

Rand explicava as coisas com uma clareza fora do comum. Escreveu, por exemplo: “Qual é o princípio básico, essencial, ela discordava dos defensores da liberdade que esperavam ganhar influência apenas com a economia de mercado: “A maioria das pessoas sabe, de uma forma vaga e incômoda, que há algo de errado com a teoria econômica marxista… A raiz da tragédia moderna é filosófica e moral. As pessoas não estão aderindo ao coletivismo porque aceitaram a má teoria econômica, elas estão aceitando a má teoria econômica porque aderiram ao coletivismo.” crucial, que diferencia a liberdade da escravidão? É o princípio da ação voluntária versus a coerção física ou por ameaças… A questão não é a escravidão por uma ‘boa’ causa versus a escravidão por uma causa ‘ruim’; a questão não é a ditadura de uma gangue ‘boa’ contra a ditadura de uma gangue ‘má’. A questão é liberdade versus ditadura… Se defendemos a liberdade, devemos defender os direitos individuais do homem; se defendemos os direitos individuais do homem, devemos defender seu direito à sua própria vida, à sua própria liberdade, e à busca de sua própria felicidade… Sem direitos de propriedade, nenhum outro direito é possível. Uma vez que o homem precisa sustentar sua vida através de seu próprio trabalho, o homem que não tem direito ao produto de seu trabalho não tem meios de sustentar sua vida.” É verdade que Rand perdia a paciência com aqueles que não conseguiam compreendê-la, e com compatriotas que se desviavam de suas opiniões. Talvez isso se devesse em parte ao fato de que ela havia passado muitos anos lutando para escapar da Rússia, estabelecer-se em Hollywood, superar rejeições de editoras e suportar críticas duras. A biógrafa Barbara Branden descreveu Rand na época de sua chegada aos EUA, aos vinte e um anos: “Enquadrado por cabelo curto e liso, seu rosto quadrado tinha a forma enfatizada pela mandíbula firme, uma boca grande e sensual sempre tensa, e olhos enormes, negros e intensos. Parecia o rosto de uma mártir, uma inquisidora ou uma santa. Seus olhos tinham uma paixão simultaneamente emocional e intelectual – como se pudessem queimar quem os olhasse”. Ao longo da vida de Rand, o tabagismo e os hábitos sedentários tiveram suas consequências, mas ela ainda era inesquecível.

Bônus:

"Opression of Women", capítulo do excelente livro In Defense of Global Capitalism, de Johan Norberg:

Opression of Women