Um pacote de protecionismo e interferência estatal

O governo federal lançou ontem mais um pacote de medidas tentando aumentar a capacidade de competição das indústrias nacionais. Mas ao invés de promover o aumento da competição, o que se vê no pacote – que é uma segunda etapa do Brasil Maior – é a simples repetição da política industrial perseguida há anos: foco em medidas temporárias sem reformas para o longo prazo; benefícios a setores específicos da economia ao invés de definir regras que beneficiem a todos; mais dinheiro barato (gratuito?) via BNDES, que receberá mais um aporte de R$ 45 bilhões de reais.

E isso não é tudo.

Ao finalmente cumprir uma promessa de campanha da presidente Dilma Rousseff e sinalizar com alguma desoneração da folha de pagamentos das empresas - que se estivesse disponível a todas as empresas poderia até ser celebrada como uma efetiva contribuição para o aumento da competitividade – o ministro Guido Mantega avisou: as empresas beneficiadas pela desoneração não poderão demitir.

É assim: o governo deixa de emperrar completamente as chances de sua empresa competir, mas exige um lugar especial na sua administração. O Capitalismo de Estado do governo aparece sem disfarces e a desoneração pontual que daria às empresas nacionais alguma chance de competir torna-se um favor, que exige contrapartidas.

Em troca da “sociedade” em suas empresas, o ministério da Fazenda oferece aos empresários o aumento dos impostos sobre os produtos importados e os juros camaradas do BNDES. Uma mão lava a outra. Ao país, não oferecem nenhum plano de longo prazo. Nenhuma perspectiva de uma desoneração sustentada e equânime. Nada. Apenas mais uma lista de favores pontuais aos escolhidos.


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