Uma agenda liberal anti-pobreza

Sadf1

Cerca de um mês atrás, publiquei um artigo no jornal Philadelphia Inquirer defendendo que os americanos pobres de hoje estão em situação melhor do que os americanos pobres do início dos anos 1970 (e certamente dos que viveram antes disso). Não foi uma surpresa receber uma quantidade enorme de e-mails de pessoas que não podem ou não querem acreditar nisso. Estou acostumado a reações fortes, embora uma das respostas esteja entre as cartas mais desagradáveis que já recebi. Mas o que realmente me incomoda em várias dessas respostas é a acusação de que eu “odeio” pessoas pobres e não me importo com o seu bem-estar.

O que é surpreendente a respeito dessas reações é que elas não se encaixam com o tom do meu artigo. Meu objetivo ao demonstrar as mudanças na condição econômica dos americanos pobres não é sugerir que tudo vai bem, mas celebrar o progresso que alcançamos em reduzir a pobreza absoluta e rebater a acusação de que os americanos pobres estão piores do que estavam. Nenhuma parte dos dados que apresentei indica que todos os pobres estejam melhor agora. Eu estava argumentando que em média, os pobres hoje vivem melhor do que a geração anterior (eles vivem mais do que viviam em 1980 também), e defendendo que isso é algo bom. Como isso se classifica como “odiar” os pobres eu não entendo.

Também não está claro como isso significa que não me importo com a eliminação da pobreza existente nos Estados Unidos. Celebrar os ganhos também não significa culpar as vítimas que ainda restam. Numa coluna recente, argumentei que os liberais certamente podem aceitar que existem razões estruturais para a pobreza.

O que deve ser feito

Muito bem. Então o que nós, como liberais, podemos fazer para reduzir a pobreza que ainda existe? Minha própria agenda liberal anti-pobreza, que é focada principalmente na pobreza urbana, teria três pontos, os quais implicam o governo sair do caminho para que deixe de ser a causa estrutural da pobreza.

Primeiro, eliminar as leis de salário mínimo e de licenças ocupacionais. Quase todas essas leis têm suas origens no racismo e na xenofobia: é preciso apenas olhar para os autores racistas do Apartheid, que usaram as leis de salário mínimo no auxílio da realização dos seus objetivos malignos, e os sindicatos dos Estados Unidos, que apoiaram tais leis para explicitamente impedirem os negros e estrangeiros de competirem por empregos. Maiorias raciais e étnicas com poder político consistentemente prejudicaram os cidadãos pobres e outras minorias dessa maneira. Essas leis bloqueiam os degraus mais baixos da escada econômica para aqueles que não têm habilidades para ganhar salários mais altos ou o capital para pagar por requisitos de licenças.

Segundo, abrir as escolas públicas para a competição ou aboli-las completamente. Escolas públicas urbanas não são apenas ineficientes, mas também positivamente destruidoras de capital humano. Lançar mais dinheiro nelas não tem funcionado, e é hora de dar aos pobres, especialmente negros, a oportunidade de terem a educação que merecem, fazendo com que as escolam compitam pelos alunos.

A combinação de escolas públicas horríveis e leis de salário mínimo e licenças mantiveram mais americanos na pobreza do que qualquer outra combinação de políticas do século XX, e elas prejudicaram mais afrodescendentes do que qualquer coisa que o Klan tenha feito.

Guerra contra as drogas

Terceiro, acabar com a guerra contra as drogas. A cultura da violência criada pela guerra contra as drogas, juntamente com a maneira com que conduziu empresas legítimas para fora das áreas pobres, exerceu um grande papel no empobrecimento dos americanos — especialmente americanos de cor. Além do mais, destruiu famílias prendendo, desproporcionalmente, pessoas pobres e não-brancas, por crimes sem vítimas. (A aplicação dessas leis por policiais rotineiramente destrói famílias por prenderem as pessoas erradas, frequentemente matando inocentes no processo). A legalização tiraria o lucro e a violência do comércio de drogas e faria com que áreas urbanas pobres se tornassem cada vez mais hospitaleiras a empresas e, portanto, a empregos.

Minha lista poderia ter sido maior, mas essa é a maneira como eu começaria. Muitos americanos estão presos à pobreza porque o governo põe barreiras estruturais no seu caminho. Meus críticos podem discordar do meu diagnóstico do problema, mas isso é diferente de dizerem que não me importo com os pobres. Eu me importo muito com eles, e é por isso que decidi destacar quanto progresso fizemos na última geração. Se pudermos tirar o estado do meio do caminho, nos sairemos ainda melhor na próxima geração e espalharemos esses ganhos ainda mais amplamente.

* Publicado originalmente em The Freeman Online.