
Liberdade na Estrada: Liberalismo, mitos e uma nova geração
05 de Novembro de 2009 - por Bruno GarschagenTreze capitais, 17 universidades, quase 7.300 quilômetros percorridos em 25 dias. O projeto Liberdade na Estrada, deste OrdemLivre.org, rodou o Brasil com seminários nas principais instituições de ensino superior do país. Passamos por Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte, Vitória, Salvador, Maceió, Recife, Natal, Fortaleza, Brasília e Rio de Janeiro.
Chegado o fim da turnê liberal, além da difusão da mensagem liberal, obtivemos dois resultados importantes:
1- Conhecimento dos locais onde estão e quem são os liberais e libertários brasileiros;
2- Estímulo para que esses indivíduos reativem ou criem grupos de estudos e realizem eventos para promoção e difusão do liberalismo.
Sobre o primeiro ponto, conhecer o país é perturbador e empolgante. Mitos se desfazem sob o calor, não raro insuportável. Mas o que importa, o que sempre importa, são as pessoas. Há uma geração de jovens liberais interessados, estudiosos e destemidos. Enfrentam, na média, professores ignorantes, colegas de sala desinteressados e, dessa união, a cultura do pensamento único (marxista e suas derivações satânicas). Alguns têm a sorte de ter como professores Adolfo Sachsida, Alex Barros, Bruno Salama, Claudio Shikida, Fábio Barbieri, Marco Bittencourt, Paulo Kramer, Ronald Hillbrecht e tantos outros, que, infelizmente, são minoria. Outra parcela dos estudantes sofre com a falta dessa minoria. Longe de ser uma constatação lamuriosa, tal diagnóstico deve servir de estímulo: precisamos de mais Sachsidas, Shikidas, Barbieris.
Quando organizávamos a turnê, era comum a opinião segundo a qual seria uma loucura realizar eventos liberais nas universidades públicas. Lá fomos nós, dispostos a debater com outros libertários e com oponentes ou inimigos intelectuais. Poucos oponentes/inimigos tiveram a vontade ou a coragem de aparecer, e os que lá apareceram limitavam-se a repetir mitos e mentiras. O mais recorrente responsabilizava o mercado (o indivíduo que empreende e o indivíduo que consome) pelas crises de 1929 e pela atual crise financeira, como se ambas não fossem resultado de más decisões políticas do governo. Outra acusava os liberais de serem favoráveis aos monopólios privados, como se estes não fossem concessões estatais a empresários que gozam de privilégios inaceitáveis numa economia de livre mercado.
Nosso trabalho teve dupla função: (1) derrubar os mitos contra o liberalismo (um dos quais explicar que neoliberalismo não quer dizer novo liberalismo, mas uma qualificação inventada pela esquerda para classificar governos de esquerda (social democrata et caterva) que adotaram medidas liberais, como as privatizações); (2) explicar o que é e como funciona o liberalismo e o libertarianismo.
Um dos aspectos mais importantes dessa turnê foi verificar a existência de uma geração que se prepara e se dedica para, espero, se converter futuramente numa elite intelectual.