
Obama ordena o impossível
05 de Fevereiro de 2010 - por Patrick J. MichaelsO New York Times de ontem noticiou que Obama "ordenou o rápido desenvolvimento de tecnologias para capturar emissões dióxido de carbono com a queima de carvão", além de determinar a produção de mais etanol à base de milho e financiar fazendeiros que produzam etanol "celulósico" com fibra desaproveitada.
Não dá para não gostar da agressividade do presidente. Diante de sua incapacidade de aprovar a reforma do sistema de saúde e as cotas comercializáveis de carbono, ele agora prefere ordenar o impossível e o ineficiente.
A maior parte das usinas simplesmente não são projetadas para captura de carbono. Não há infraestrutura para transportar grandes quantidades de dióxido de carbono, e não há nenhum consenso sobre onde colocá-las. O etanol de milho produz em seu ciclo de vida mais dióxido de carbono do que elimina, e o etanol celulósico está "a dois passos de existir" desde que eu estava a dois passos de existir.
No entanto, fazer o que não faz sentido economicamente faz muito sentido politicamente em Washington, porque tecnologias ineficientes exigem subsídios — nesse caso a fazendeiros, processadores de etanol, conglomerados de engenharia e construção, estatais, e muitos outros. Terá o presidente esquecido que seu impopular predecessor começou a farsa do etanol (sua resposta ao aquecimento global) e forçou o aumento do preço do milho ao ponto de protestos no mundo todo? Será que ele não leu que o etanol celulósico é absurdamente caro? Não ouviu falar do fenômeno de "no meu quintal, não", que surge quando se quer armazenar algo que ninguém quer?
Provavelmente, sim. Mas os ganhos políticos certamente compensam os custos econômicos. Pense só: no caso da captura de carbono, é tão enormemente ineficiente que pode facilmente dobrar a quantidade de combustível necessária para produzir energia à base de carbono. Se você é uma companhia de carvão, não vai adorar ter que carregar o dobro de vagões? Se você é uma estatal, não vai adorar ter incentivo e lucro garantido para construir uma sofisticada fábrica nova? E se é um fazendeiro, não vai adorar ganhar mais um subsídio?