Ordem Livre

 

Em seus textos afiados sobre a riqueza das nações, Adam Smith observava que as proverbiais “necessidades materiais” dos seres humanos são na verdade bem poucas — e, sobretudo, relativamente fáceis de se resolver. Na verdade, dizia ele, os homens sempre lutaram por coisas mais profundas: quando correm atrás de trabalho e dinheiro, por exemplo, também estão em busca de identidade e dignidade — não importa que seja um grande magnata ou um trabalhador modesto.

No início do século XIX, um Napoleão Bonaparte (1769-1821) já decadente fazia a profecia terrível: a politização seria o destino irreversível dos tempos modernos. Leitor aplicado de Maquiavel, o corso vaticinava que, no futuro, os homens haveriam de politizar tudo, desprezando qualquer coisa que pretendesse se colocar acima da política.

(Notas à margem de um texto de Robert Nozick) Os detratores do capitalismo cometem um erro que é grave, recorrente e talvez até deliberado: apressam-se em rotular de “capitalismo selvagem” as mazelas brasileiras provocadas, justamente, pela ausência de capitalismo. Distorcer a realidade a este ponto talvez tenha sido a forma que eles encontraram de se manterem fieis ao enunciado de seu Mestre – o alemão barbudo que afirmava que transformar o mundo é tarefa mais urgente do que tentar conhecê-lo…

por Antonio Fernando Borges

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