Ordem Livre

 

Julho, mês de férias, abre um horizonte paradisíaco para as famílias que atravessaram o primeiro semestre já sonhando com a proverbial viagem-de-meio-de-ano. Mas, para homens como meu amigo Bruno L., é quando começa a temporada no inferno – em que eles aceitam fazer aquilo que não têm vontade, gastando recursos de que não dispõem, em nome da “felicidade conjugal”.

Não foi uma pergunta retórica, dessas que permitem ilações de natureza metafísica, politica ou moral. No fundo, o motorista que nos aguardava em Congonhas-SP (e que estaria à nossa disposição, durante aqueles três dias na Pauliceia) queria saber que caminho deveria fazer para nos levar ao nosso destino. Por isso perguntou, sem nenhuma metáfora: “O que os senhores preferem: Paraíso ou Liberdade?”

“Não vi a passagem do cometa de Halley na infância, como Drummond ou Cecília. Jamais conheci meu anjo-da-guarda, nem um simples saci-pererê saltitou pelo meu quintal…”, assim se lamentava meu velho amigo, em pleno surto nostálgico de final de tarde, na melhor delicatessen do bairro. Já quase me arrependia de haver comentado que andava às voltas com a construção da infância de um personagem para meu próximo livro…

Se Deus é mesmo o Grande Arquiteto do Universo (como querem os teístas e heréticos em geral), só espero que Ele continue velando por nós, e nos protegendo de seus “colegas menores” de ofício, aqui na Terra. Já nem estou falando das megatolices dos S. Bernardes & Cia., ou das obsessões niemeyerianas que poluem as cidades e os espíritos. Quem dera! Estou cada vez mais convicto de que hoje o verdadeiro perigo reside nas legiões de arquitetos jovens e anônimos que saem dos bancos universitários empenhadíssimos em arquitetar para nós um futuro mais justo e mais feliz.

“Pra mim, isso é grego!”. Sempre achei pouquíssima graça dessa frase-feita, filha bastarda da desinformação com a preguiça crônica de pensar, que injustamente costuma atribuir aos gregos (cultura e idioma) uma obscuridade que em nada corresponde à filosofia, à lógica e à matemática que eles nos legaram.

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