Ordem Livre

 

Obama diz que quer fomentar a criação de empregos. Acredita que a recessão não terá realmente terminado enquanto a população ativa não encontrar forma de ganhar a vida. Nos Estados Unidos, o desemprego está em cerca de 10%. Na Espanha, essa percentagem dobra, e o governo de Zapatero afunda lentamente, como se estivesse em tremor. Obama e Zapatero pensam em usar o gasto público para estimular a economia. George W. Bush já o fez antes, enviando aos americanos um cheque de US$20, medida mais próxima da demagogia populista do que de uma política econômica séria. É lamentável.

Swaminathan Aiyar é um notável economista indiano que fez um cálculo muito incômodo. Ocorreu-lhe medir o enorme preço que pagou a população da Índia por não ter feito antes a reforma econômica que hoje mantém seu país em um ritmo de crescimento que excede os 7% anuais, reduz vertiginosamente a porcentagem de pobres e melhora substancialmente a qualidade de vida dos mais necessitados.

Dentro e fora do Brasil há uma crescente desconfiança sobre as verdadeiras intenções políticas de Lula da Silva. O recente convite ao país feito ao presidente Mahmud Ahmadinejad é um péssimo sintoma. O ministro da Defesa iraniano, Ahmad Vahidi, é procurado pela Argentina. Organizou o atentado terrorista contra a AMIA judia em Buenos Aires em 1994. Matou 85 pessoas e feriu mais de 300.Além disso, Ahmadinejad jamais retificou sua ameaça de varrer Israel do mapa.

Os EUA não têm o menor interesse em continuar sendo a potência responsável pela estabilidade e pelo bom governo da América Latina. Essa foi uma incômoda tarefa do século XX. Tudo isso acabou. Com o desaparecimento da URSS, os políticos americanos já não sentem que há qualquer perigo potencial para a segurança nacional que venha da região. Cuba lhes parece uma ditadura decrépita que desaparecerá a curto ou médio prazo por sua fraqueza, como acontece com os velhos desnutridos.

O Senado brasileiro protestou contra o atropelo de Chávez na liberdade de expressão. Até agora, esse corpo legislativo não concordou com o ingresso da Venezuela no Mercosul. O Senado paraguaio tampouco parece disposto a apoiar o pedido “bolivariano” de acesso ao organismo. O Mercosul tem, entre suas regras de adesão, uma “cláusula democrática, e o governo venezuelano não cumpre seus requisitos. Os senadores suspeitam das intenções do “socialismo do século XXI” e temem que o presidente Fernando Lugo, amigo de Chávez, esteja tentando arrastá-los nessa direção.

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