Ordem Livre

 

Desde o início da crise, diz-se que os economistas não haviam previsto nada. É verdade que o consenso em macroeconomia era essencialmente de que, para evitar as recessões, bastava uma política monetária que visasse à inflação: Alan Greenspan havia-se tornado o mágico da política monetária, o pai de uma nova era de ouro sem crises, em suma. Curiosamente, ilusões semelhantes apareciam nos manuais dos anos 60 em matéria de política conjuntural.

A fé no mercado desapareceu: a crise atual é a crise do capitalismo, do liberalismo e do laissez-faire. Esse é um fato firmemente estabelecido para a maior parte dos intelectuais, da mídia e dos políticos. Denunciam-se os mercados e os especuladores, esquecendo-se um pouco depressa de que a responsabilidade pela crise talvez se encontre também – e, sem dúvida, principalmente – no lado político. Uma pequena omissão, portanto.

por Emmanuel Martin Nas recentes eleições municipais e cantonais na França, a maioria presidencial se definia como defensora da "reforma", e a esquerda como defensora do "progresso". Considerando as políticas implementadas no passado e as idéias propostas, será que estes rótulos descreviam fielmente os dois lados?

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